Votação da vergonha libera atendimento no Banrisul

Novo decreto do governador Eduardo Leite expõe a vida dos Banrisulenses a risco alto de doença por Covid-19 ante prenúncio de terceira onda de mortos e doentes. Reunião do Comando chama plenária virtual para a segunda, 24/5, às 19h

Tem até prova gravada de quem e por que concebeu o novo sistema estadual que libera quase tudo em meio a um momento decisivo da pandemia de Covid-19 no estado. Um dia antes de a PEC 280/2019 ir a plenário e entrar para a história junto com a sessão da vergonha que tem dois votos irregulares, o deputado estadual Fábio Ostermann (Novo) fez uma ameaça direta ao governador Eduardo Leite (PSDB).

Se ele não flexibilizasse, se ele não acabasse com o Distanciamento Controlado e liberasse as crianças para as escolas, ele, o deputado Ostermann, iria votar contra a PEC 280. Essa é uma das vergonhas próprias pelas quais a PEC 280 tem feito o governador Leite voluntariamente passar por conta de sua pressa em retirar o plebiscito da Constituição Estadual e liberar a venda de Banrisul, Procergs e Corsan.

– Acesse a Plenária

O Comando Nacional dos Banrisulenses anunciou na reunião da quinta, 20/5, que as conversas e tentativas de conversas com todos os deputados estão acontecendo em todos o Estado para tentar mudar votos. Além disso, o Comando chamou para a próxima segunda-feira, 24/5, uma nova plenária virtual permanente a partir das 19h.

Este dia da plenária pode ser o da véspera do segundo turno da votação da PEC 280/2019 no plenário da Assembleia Legislativa. Lembre-se que os deputados governistas têm muita pressa para entregar o Banrisul, Corsan e Procergs e estão atropelando, a mando de Eduardo Leite, o Regimento Interno do parlamento gaúcho.

“A tropa de choque do Eduardo Leite está acelerando a PEC 280 na Assembleia Legislativa. Colocaram na ordem do dia a votação da PEC 280. Ela entra na fila de itens que podem ser votados na terça [25/5]. Os deputados governistas pretendem patrolar o parecer da oposição na terça-feira. O caminho é a mobilização”, explicou o diretor da Fetrafi-RS e funcionário do Banrisul, Sergio Hoff.

A PEC 280 e o novo protocolo para Covid-19 têm tudo a ver

Pense bem e perceba. A PEC foi aprovada por 33 votos a 19 em primeiro turno na terça-feira, 27/4, exatamente os votos que precisava (três quintos dos parlamentares). No dia 16 de maio, 19 dias depois, o governador Eduardo Leite acabou com ao Distanciamento Controlado, aquele já precário sistema de proteção por cores de bandeiras, ao anunciar o Sistema 3As de Monitoramento.

Foi por conta desses dois momentos que o Comando Nacional dos Banrisulenses havia solicitado uma reunião com a diretoria do Banrisul para falar sobre os novos protocolos, quer dizer, a liberação geral promovida pelo governador Eduardo Leite para conseguir votos e aprovar a PEC 280.

Em resumo, o Sistema 3As transfere a responsabilidade de decidir sobre o que fazer diante de novos surtos aos municípios exatamente àqueles que são beneficiados pelo Banrisul, Corsan e Procergs, as empresas que ele governador quer vender. Leite leva risco e quer levar prejuízos aos municípios com as privatizações

Em linhas gerais, os bancos agora podem atender todos os clientes que quiserem entrar nas agências, desde que haja uma pessoa a cada quatro metros quadrados dentro da agência. O Sistema 3As piora muito aquilo que estava insuficiente com as bandeiras num momento em que uma terceira onda de doenças por Covid-19 se anuncia.

Números já anunciam possibilidade de começo de terceira onda de doenças por Covid-19

Você não acredita em terceira onda? Então, preste atenção na relação abaixo dos números. E pense, Banrisulense, no seguinte: você está mais vulnerável ao novo coronavírus porque o governador do Estado arrisca a tua vida para conseguir votos que podem privatizar o teu banco público.

Compare os números do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual do Estado do RS (SES) antes e após a votação da PEC, com dados atualizados na quinta-feira, 20/5. (Consulte e confira os números aqui).

Taxa de casos por 100 mil habitantes

30 de abril: 8.403 doentes por 100 mil habitantes do RS.

20 de maio: 9.176 doentes por 100 mil habitantes do RS.

Depois da sessão plenária da vergonha (27/4), a taxa de doentes de Covid-19 aumentou 9,2%.

Número de mortos por 100 mil habitantes

30 de abril: 219,31

20 de maio: 237,59

Depois da sessão plenária da vergonha (27/4), a taxa de mortes por Covid-19 por 100 mil habitantes aumentou 8,3%.

Número de casos de Covid-19 confirmados no RS

30 de abril: 974.969

20 de maio: 1.043.927

Depois da sessão plenária da vergonha (27/4), o número de casos de Covid-19 passou de 1 milhão, aumentando 7,1%.

Taxa de mortalidade por 100 mil habitantes

27 de abril: 214,97 mortos por Covid-19 por 100 mil habitantes.

20 de maio: 237,59 mortos por Covid-19 por 100 mil habitantes.

Depois da sessão plenária da vergonha (27/4), a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes aumentou 10,5%.

Ocupação de UTIs

Desde a sessão plenária da vergonha, tivemos uma queda no percentual de leitos de UTIs ocupados, quer dizer, hospitalizações por doentes de Covid-19. Em 27 de abril, dia da votação da vergonha, eram 85,1% de leitos de UTIs ocupados no Estado.

Este número caiu até 77,3% no dia da apresentação oficial do Sistema 3As no lugar do Distanciamento Controlado por cores de bandeiras, dia 16 /5. Na quinta-feira, 20/5, a hospitalização voltou a subir, batendo em 78,7%, quer dizer, 1,4 ponto percentual superior ao registrado quatro dias antes.

Novos casos e mortes desde a votação da vergonha

Depois que Leite trocou votos pelo fim do Distanciamento Controlado por cores de bandeiras para retirar o plebiscito da Constituição Estadual e entregar Banrisul, Procergs e Corsan foram registrados 78,9 mil novos casos de Covid-19 no Estado.

Em 24/4, o RS registrava o total de 24.196 mortos por Covid-19. Os dados de 19 de maio, fechados na quinta, 20/5, mostram que chegamos a 27.031 mortos. Quer dizer, desde a votação da vergonha, ao menos, 2,5 mil gaúchos morreram por Covid-19.

O que os dirigentes reivindicaram junto à diretoria do Banrisul na reunião de 20/5 sobre Covid-19

> Os dirigentes alertaram o banco para os riscos de liberar o atendimento quando uma terceira onda de Covid-19 já começa a se anunciar (como mostram os números mais acima).

> Os dirigentes também disseram que, na prática, o governador Eduardo Leite estava acabando com os sistemas de agendamento de atendimento e com a relação de manter até 50% funcionários nas agências para atender o mesmo número de clientes (1 funcionário para 1 cliente).

> Os dirigentes dizem que é possível avançar no protocolo. Um dos avanços é que o banco admite negociar monitoramento de casos e dividir dados com os sindicatos. Os dirigentes querem a disponibilização do teto de ocupação por agência.

> Os dirigentes reiteraram o pedido de o banco fornecer máscaras a todos os colegas. E não máscaras de pano. Sugerem padrões certificados como N95 e PFF.

> Dirigentes reivindicam reuniões periódicas de avaliação da aplicação de protocolos, as chamadas reuniões de alerta, e que o banco trate a questão do número de funcionários por agências como se estivesse em bandeira preta: 50% do número de funcionários no banco, um funcionário por cliente e agendamento.

O que os dirigentes disseram na reunião do Comando Nacional dos Banrisulenses na quinta-feira, 20/5.

“O pessoal não está enxergando que o novo protocolo da Covid está ligado à PEC 280. A PEC fez o governador alterar os protocolos para conseguir votos. Temos que lutar contra a PEC 280 para lutar por um protocolo melhor. A PEC 280 foi a causa disso tudo. Problema de lotação, de fim de agendamento e de protocolos? Tudo isso é por causa da PEC 280. O governador do Estado trocou votos na PEC pela flexibilização.” (Sergio Hoff, diretor da Fetrafi-RS e funcionário do Banrisul)

“Com mesas de negociações e pressões na diretoria do Banrisul, conseguimos um modelo adequado de cumprimento dos protocolos sanitários. Foi mérito do movimento sindical. Não é só o Banrisul que está abrindo agora. Todos os bancos estão abrindo por culpa do governador Eduardo Leite. (Denise Falkenberg Corrêa, diretora da Fetrafi-RS e funcionária do Banrisul)

“O que ajuda na carreata é fazer uma central de organização. Tínhamos comerciário, bancário, municipário na nossa carreata do Vale do Paranhana. Tivemos mais de 100 carros na nossa carreata. Trazer outras categorias junto é importante.  Vamos ter ação sindical permanente. Colegas estão voltando a trabalhar e sabemos que não estão com equipamento adequado. Essas máscaras de pano não são seguras.” (Ana Maria Betim Furquim, diretora da Fetrafi-RS e funcionária do Banrisul)

“A votação pode ocorrer na terça-feira (da PEC 280 em 25/5 na Assembleia Legislativa). Qualquer movimentação mais forte tem que ser feita antes. Se o governo quer dar uma atropelada, sente que tem os votos necessários. Se o governo passar a PEC, a direção acompanha. Se o governo passa a PEC, vão se moldar para se preparar para o processo de privatização.” (Fábio Soares Alves, diretor da Fetrafi-RS e funcionário do Banrisul)

“Os colegas estão atordoados com a abertura das agências. O banco pressiona mais ainda a questão das metas. Estão ameaçando com advertência para cobrar meta. É um pacote que lançam para tirar os colegas do foco da PEC 280. (Raquel Gil, diretora do SEEB Pelotas e funcionária do Banrisul).

O que o banco deve fazer

> Levantamento sobre layout de agências para saber quantos funcionários deve manter para cumprir o novo decreto que permite uma pessoa a cada 4 metros quadrados em agências fechadas.

> Como já há regiões com seus sistemas de saúde voltando a entrar em colapso, o banco vai precisar ter ciência dos protocolos de vários municípios em que atua.

> O banco anunciou que vai monitorar cada decreto municipal. O decreto estadual é muito permissivo. E é provável que cada município tenha um protocolo diferente do outro. O banco anunciou que já tem funcionários monitorando protocolos e decretos municipais.

> O banco deve seguir o protocolo do município e não a região da sua Sureg.

> O banco diz que está sendo obrigado a seguir o novo protocolo por causa de muitas pressões que vem sofrendo em razão da crise econômica. Os outros bancos estão liberando foi um dos argumentos usados na reunião virtual.

O banco ficou de levar para a diretoria as propostas e trazer resposta na próxima quinta-feira, 27/5.

Clique e consulte aqui os Protocolos Gerais Obrigatórios do Sistema 3As de monitoramento para bancos e lotéricas.

Fonte: Imprensa SindBancários

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