Vigilantes recebem voz de prisão por desacato e obstrução em agência da Caixa em Viamão e vão algemados ao presídio

Imagine você estar em seu local de trabalho e, depois do expediente, uma policial civil chega querendo entrar. Os vigilantes dizem que vão falar com o gerente, pois se trata de um procedimento de segurança de rotina, e, quando o gerente chega na porta da frente da agência bancária, os dois trabalhadores da segurança recebem voz de prisão, são algemados e levados para o Presídio Central. Foi exatamente o que aconteceu na tarde da quinta-feira, 20/7, na agência da Caixa do Bairro Santa Isabel, em Viamão. Os dois vigilantes da agência foram liberados ao final da tarde da sexta depois de indiciados por desacato, resistência, desobediência e obstrução. O gerente da Caixa também foi ouvido na 2ª DP de Viamão e foi liberado.

Diretores do SindBancários estiveram na agência da Caixa na manhã da sexta-feira, 21/7, para se colocar à disposição dos bancários e dos vigilantes. Conversaram com colegas e ouviram um relato que pode ser considerado como abuso de autoridade. Uma policial civil teria chegado quando a agência estava fechada, pouco depois das 15h (os bancos funcionam até este horário em Viamão), solicitando ingresso na agência. A Polícia Civil teria mandatos de busca para obter imagens das câmaras de vigilância dos caixas eletrônicos para investigar clonagem de cartões e fraudes.

O problema, segundo relatos obtidos pelos diretores, é que, além de chegar depois do horário de expediente, os policiais agiram com intolerância. “Uma policial civil se apresentou na agência para entregar uma intimação. Como a agência estava fechada, o vigilante foi chamar o gerente, procedimento que sempre é feito nesses casos. O gerente não demorou nem cinco minutos para chegar. Quando o gerente chegou, a policial civil disse que o assunto estava resolvido. Então, apareceram cinco viaturas da Polícia Civil”, detalhou o diretor do Sindicato, Jairo Severo Soares.

É de se questionar se a atuação da Polícia Civil neste caso não responde a uma política de segurança do governo do Estado de precarização e cortes de investimentos. A ação de algemar trabalhadores por obstrução e desacato em seus locais de trabalho tem relação de causa efeito com o caos instalado pelo governo Sartori na segurança pública, com cortes de investimentos e parcelamento de salários. “Os trabalhadores cumpriram normas de segurança. As portas giratórias e os vigilantes zelam pela segurança de bancários e clientes do banco. No caos que está a segurança pública, não se compreende por que policiais civis agem dessa forma em uma situação que não oferecia risco para a sociedade. Não tem necessidade de chamar várias viaturas. Faltou diálogo e bom senso”, avaliou o diretor do SindBancários e funcionário da Caixa, Jaílson Bueno Prodes.

Advogado tenta liberar vigilantes da prisão

O advogado Maurício Vieira da Silva, do Departamento Jurídico do Sindivigilantes do Sul, e diretores (as) do sindicato permanecem na 2ª DP de Viamão, onde estão detidos Almir Lopes e Carlos Chagas, os dois vigilantes presos num incidente na agência da Caixa Econômica Federal (CEF).

Desde ontem o sindicato trabalha para dar apoio aos dois e conseguir a sua liberação. Neste momento, advogado e direção aguardam a chegada do delegado para juntar a documentação e dar encaminhamento aos trâmites no Judiciário, a fim de que ambos sejam liberados o mais breve possível. Além do apoio moral e jurídico, à noite uma comissão de diretores e diretoras se dirigiu à DP e providenciou alimentação e cobertores para eles, esclareceu Sindivigilantes do Sul.

Fonte: Imprensa SindBancários

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER