Uma bancária emerge como liderança

A greve Proibida de 1979 chegava ao seu quinto dia de resistência com assembleia, e a bancária Ana Santa Cruz passava a protagonista do movimento

A vida da bancária Ana Santa Cruz 40 anos depois de sua participação na Greve de 1979 dos bancários, a Greve Proibida, parece ter embarcado numa aventura de volta ao passado. Há exatos 40 anos, o dia 9 de setembro era um domingo e marcava a ascensão de uma nova liderança no Sindicato dos Bancários. Exatamente no dia 9 de setembro de 2019, a transmissão do programa Esfera Pública da Rádio Guaíba ao vivo do Auditório da Casa dos Bancários, expôs um motivo tão arbitrário para Ana Santa Cruz não participar do programa como convidada e personagem como foi a sua prisão há 40 anos.

Se daqui três dias, há 40 anos, ela seria presa pela Polícia Federal hoje ela também se encontra numa espécie de encarceramento. Nos dias de agora, a voz da apresentadora do programa Esfera Pública, a jornalista Taline Oppitz, deu significado a uma carta escrita por Ana Santa Cruz explicando por que ela não pudera participar do programa na segunda-feira, 9/9. Ana Santa Cruz comparou a Ditadura Militar com o que ocorre agora no Brasil. Ela esteve, há dez anos, no Sindicato dos Bancários, nas celebrações dos 30 anos da Greve de 1979. Este ano não pôde estar.

Ana Santa Cruz esteve no olho do furacão de um absurdo proferido pela boca do presidente Jair Bolsonaro. No final de julho de 2019, o atual presidente provocou o presidente da OAB-SP, Felipe Santa Cruz, com uma ameaça. Bolsonaro disse que poderia contar para ele como seu pai, Fernando Santa Cruz, um homem de esquerda que combateu a Ditadura Militar, morrera.

Depois dessa intimidação, a milícia digital que sustenta o presidente nas redes sociais passou a perseguir a família Santa Cruz. Ana, que é mãe de Felipe, o presidente da OAB-SP, e viúva de Fernando, tem sido alvo de ataques nas redes e ameaças de morte. Não podemos esquecer que ela reside no Rio de Janeiro, território de milícias e reduto eleitoral de Bolsonaro e seus filhos.

Arquitetos da destruição”

Na carta endereçada ao SindBancários (leia ao final desta matéria), Ana Santa Cruz fala da aproximação do contexto de perseguições de 1979 e de agora.

A distância entre a comemoração anterior, dos 30 anos da Greve, e os dias de hoje parecem muito maiores que apenas dez anos. Ainda estamos um pouco perplexos ao assistirmos um Governo cujo objetivo maior e único é destruir e nos destruir. A história, no entanto, irá demonstrar a esses arquitetos da destruição que eles não sobrevivem à luta dos que sonham sem medo de ser feliz”, escreveu a dirigente.

Quando voltamos ao dia 9 de setembro de 1979, Ana Santa Cruz emerge como uma das lideranças. Os bancários passam o domingo em vigília na sede da Federação dos Bancários. À noite, nova assembleia reafirma a força do movimento. O dirigente da Intersindical Nacional, Luiz Inacio da Silva, o Lula, chega a tempo de participar da assembleia.

No domingo da greve de 1979, o advogado do Sindicato, Tarso Fernando Genro, visitara o então presidente Olívio Dutra, na Polícia Federal, e o secretário Felipe Nogueira. Ambos haviam sido presos na noite do primeiro dia de greve, no Araújo Viana, dia 5 de setembro.

O mais aplaudido

Lula seria o mais aplaudido dos oradores da assembleia dos bancários ao ler uma nota de apoio à greve e pela libertação dos bancários presos ao anunciar que na quarta-feira seguinte, bancários de São Paulo fariam uma assembleia e um ato público na sexta-feira. “A mão estendida transmuda-se em braço armado, a conciliação nacional se perde na intransigência e a anunciada abertura política joga no calabouço das vozes mais destemidas do sindicalismo brasileiro: Olívio Dutra”.

E a greve foi mantida em assembleia de 3 mil bancários na frente da sede da Federação na noite de domingo. No dia seguinte, a segunda-feira, 10/9, o Comando de Greve convocou piquete para o centro de Porto Alegre. Neste mesmo dia, o embate ocorreria na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Banqueiros e trabalhadores iriam negociar, na mediação da Justiça do Trabalho, as propostas dos trabalhadores.

Os bancários queriam 86% de aumento, trazer a data-base de 1º de novembro para 1º de setembro. Além disso, agora teriam mais motivos, digamos, políticos, para manter a força do movimento grevista. Além das reivindicações econômicas os bancários passavam a incluir cláusulas políticas: a imediata liberdade para os dirigentes sindicais e o fim da intervenção da Ditadura no Sindicato. A greve seguiria quente em Porto Alegre no dia seguinte, mas o regime Militar reagia com prisões pelo Interior do Estado e mais pressão dos banqueiros.

Leia a carta da coordenadora da Greve de 1979 Ana Santa Cruz

Clique aqui e veja o Diário da Greve

Fonte: Imprensa SindBancários

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