Um maio de resistência ao “voluntariado” do Santander

Agência que o banco espanhol forçou abertura com pretexto de educação financeira aos sábados enfrenta força da luta do Sindicato e fica fechada em todos os 4 sábados de maio

O dia em que os bancários do Santander e mesmo de outros bancos olharem para trás e pensarem o que aconteceu em sua história laboral em maio de 2019 vão poder buscar registros de uma história de resistência do seu Sindicato. Vão saber que nos quatro sábados do quinto mês do ano a agência Oswaldo Aranha da avenida de mesmo nome e número 1.120, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre não abriu para atender um pretexto do Santander para impor jornada ilegal de trabalho e mais exploração: educação financeira voluntária.

E não abriu porque o SindBancários trabalhou na frente da agência para demonstrar que o serviço voluntário não passava de um pretexto para explorar o trabalho dos(as) bancários(as). Trabalhar aos sábados, para os bancários, é ilegal desde 1962. Nossa jornada é de seis horas, de segundas a sextas-feiras.

A culpa não é do povo brasileiro

Nos sábados entre 4 e 25 de maio – todos os quatro do quinto mês do ano – encontraram a agência fechada. E não só. Encontraram a resistência de dirigentes sindicais dispostos a demonstrar que o Santander deveria baixar os juros que cobra para reduzir o endividamento e não colocar a culpa nos clientes que seriam responsáveis pelos próprios problemas financeiros.

“É muita cara de pau de um banqueiro que lucra tanto no Brasil publicar um vídeo em que diz que o problema do brasileiro não são os juros. Ora, dizer para um povo trabalhador que ele é culpado pelos próprios problemas financeiros é esconder que os juros e tarifas são muito altos. Se o Santander baixasse juros e tarifas, ele ganharia moral com o povo brasileiro. Mas alegar que problemas de endividamento são culpa de quem não tem educação financeira chega a ser falta de respeito”, avalia o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

O presidente do SindBancários se refere ao presidente do Santander, Sergio Rial. Ele insinua em um vídeo que deu início ao “voluntariado” do Santander em março que trabalhar mais é mais importante do que juros altos (Assista aqui).

Contexto de retirada de direitos

Colegas do Santander que chegaram a vestir coletes de voluntários nessas manhãs de sábado precisam se dar conta de mais algumas questões. Nada acontece por acaso. O Santander usa a educação financeira como pretexto para forçar uma habitualidade já encaminhada como Projeto de Lei na Câmara dos Deputados. O PL 1043 foi apresentado pelo deputado federal David Soares (DEM-SP), em 20 de fevereiro deste ano na Sala de Sessões da Câmara dos Deputados.

Não é a primeira vez que um Projeto de Lei tramita na Câmara dos Deputados Federais para tentar impor trabalho aos sábados aos bancários. O PL 9075/2017 também percorreu caminho semelhante em 2017. Mas foi encerrado em janeiro deste ano e arquivado.

“Se os sindicatos não fazem pressão e não resistem a essas imposições de jornada ilegal de trabalho, exploração vira lei. O sábado é feito para descansarmos, jogar o nosso futebol e conviver com a família. O ambiente nos bancos é de muita competição, pressão e adoecimento”, explica o diretor do SindBancários e funcionário do Santander, Luiz Cassemiro.

História de resistência em maio de 2019

9 de abril: Reunião de dirigentes do SindBancários e de todo o Estado, na Fetrafi-RS com superintendente do banco, cobra trabalho aos sábados, Ben Visa Vale, GNS.

25 de abril: Em reunião em São Paulo, COE/Santander volta a cobrar essas questões do banco que anuncia abertura aos sábados para educação financeira voluntária.

4 de maio: SindBancários realiza ato em frente a agência Oswaldo Aranha do Santander em Porto Alegre.

9 de maio: Santander entra na Justiça do Trabalho com interdito proibitório (espécie de liminar) para impedir o Sindicato de protestar e realizar o trabalho de esclarecimento sobre a ilegalidade do trabalho voluntário em frente a agência do Santander no bairro Bom Fim.

11 de maio: Novo ato na agência do bairro Bom Fim, em Porto Alegre, mantém agência fechada pelo segundo sábado consecutivo. 

18 de maio: Pelo terceiro fim de semana consecutivo, resistência de dirigentes sindicais mantém ação de defesa dos direitos dos bancários e agência fica fechada.

21 de maio: Decisão judicial acolhe tese de esbulho (ofensa à posse da agência pelo Santander) pelo Sindicato.

23 de maio: Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª região reformula decisão judicial e garante o direito de livre manifestação do Sindicato em frente à agência do Santander na avenida Osvaldo Aranha, 1.120.

25 de maio: Bancários e dirigentes sindicais completam jornada de resistência em todos os sábados do mês de maio.

Fonte: Imprensa SindBancários

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER