Um livro para pensar na mãe e no mundo

Painel de lançamento na Casa dos Bancários debate “No Coração de uma Mãe”, da escritora e consteladora familiar e empregada da Caixa, Beatriz Maria Berghahn, e antecede sessão de autógrafos na Feira do Livro

Se você é daqueles que acha que mãe é mãe e ponto, pare agora e faça um favor a si mesmo. Os tempos de hoje tão esclarecidos, tão mediados, tão públicos parece que deixaram sob a escuridão uma simples e fundamental pergunta. Talvez, o livro “No coração de uma mãe”, da ex-bancária da Caixa, Beatriz Maria Berghahn, não tenha respostas, mas um esclarecimento: mais perguntas precisam ser feitas.

O livro e a autora não podem ser separados nem mesmo por uma leitura crítica. Como não podem ser separados o fato corriqueiro da vida com o jeito que o mundo é tocado ou toca. Isso porque quem pensa que uma bancária espiritualista, praticante de biodança, formada em letras e com pós-graduação em psicologia social não tem um pé na realidade social do país, irá se surpreender com a visão de mundo de Beatriz.

Uma pista parte de uma experiência real da autora, que é Sara na obra. Trata-se de uma obra com visão sistêmica do mundo que projeta sobre uma fenda raio de luz para mostrar que todo mundo importa. E quer um fato mais corriqueiro do que a morte de um filho e o choro de uma mãe na beira de uma praia? Corriqueiro mas com uma força explicativa de mundo muito forte.

Em fevereiro de 2017, Beatriz presenciou uma cena numa praia em Salvador que inspirou Sara, seu alter ego no livro, a narrar o episódio no que Beatriz chama de “capítulo central do livro”. Logo depois da apresentação do livro, o primeiro relato tem o singelo título “A mãe”.

Se o título é singelo, simples, a história é das profundezas da alma e tem a pergunta fundamental que anunciamos mais acima no início deste texto. Pois Beatriz participava de um seminário de biodança na capital baiana e foi dar uma volta pela praia. Ali ela encontrou a mãe que provocou-lhe o livro e a reflexão sobre o papel de mães e de seu próprio papel.

Naquela praia, um menino de 20 anos de pele clara, “de uma família de bem” como lhe disseram, teve o corpo sem vida retirado do mar. Beatriz se aproximou da cena e viu a mãe do menino morto sendo consolada por uma adolescente. Juntou as mãos e fez uma prece a algum deus e só ouvia a mãe repetir: “Por que ele fez isso? Por que ele fez isso?”

A prece de Beatriz chamou a atenção do olhar daquela mãe. E a pergunta a inspirou a refletir sobre os tempos em que vivemos hoje e o que é ser mãe neste mundo. “O livro homenageia todas as mulheres mães. Todo o sofrimento das mulheres mães. Todo o processo de ser mãe num mundo em que os valores estão em queda brutal”, resume a autora.

Beatriz é politizada. Trabalhou por muitos anos num setor da Caixa Econômica Federal que viabilizava políticas públicas governamentais importantes. Então, para os céticos que leram até agora menções às suas práticas espirituais e suas crenças, saiba que ela tem consciência coletiva sobre papel de sindicatos nas vidas das pessoas, assim como a importância de um banco como a Caixa ser 100% público. Seu livro, no entanto, ela faz questão de dizer, transcende a questão de direita e esquerda da política.

Não por acaso, expressa um contentamento em relação ao local do painel sobre o seu livro no sábado, 9/11, a partir das 16h. Será na Casa dos Bancários, sede do SindBancário, e mais precisamente no Auditório recentemente batizado com o nome do ex-governador Olívio Dutra, por quem a autora nutre uma grande admiração. No domingo, dia seguinte, 10/11, Beatriz autografa o livro, a partir das 15h30, na Praça da Alfândega, onde ocorre a Feira do Livro de Porto Alegre.

O livro tem 140 páginas. Teve projeto editorial e revisão da jornalista Katia Marko e orelha da escritora Célia Zingler, diretora da APCEF/RS e da Região Sul da Fenae. Na dedicatória, a autora já mostra o sentido sistêmico da obra: “Dedico esta obra à minha mãe Olga in memorium e a todas as mulheres da humanidade”.

Beatriz conta que, no dia e hora em que presenciou a cena da morte na praia, seus colegas de um dos grupos espirituais que dirige estavam reunidos em uma sessão. Ela dirige alguns grupos e é formada em psicologia social. Sua formação científica e espiritual está expressa em cada palavra da obra. São tempos sistêmicos, amigos(as), ensina a autora. Nada está desconectado.

Beatriz é também consteladora familiar. E aprendeu que vivemos um problema sério de desconexões. Parece que perdemos de vista a solidariedade, o amor de uns com os outros e não nos damos conta de que estamos metidos em uma sociedade mesquinha. É preciso resgatar o que os consteladores familiares chamam de “ancestralidade da família”. Resolver problemas pessoais familiares está muito ligado também à ciência.

A gente nem se dá conta, ensina Beatriz, que reproduzimos sofrimentos até mesmo pelo DNA. “Há uma reprodução de geração a geração de sofrimentos, de doenças. A constelação ajuda a ver onde essa doença começou. No livro, uso o olhar sistêmico como forma de entender os não vistos. Procurei mostrar que a energia quântica trabalha na origem dos problemas”, explicou Beatriz.

Ora, a morte de um menino na beira de uma praia e a pergunta de uma mãe estão ligadas a tudo o mais. À falta de emprego, à mentalidade dinheirista, ao lucro acima de todos. Esquecemos de nossas mães?

Beatriz parece não ter respostas à pergunta daquela mãe que velou o filho com seu pranto na beira da praia. Tem pergunta e perguntas. “Por que ele fez isso?”. Sara e Beatriz têm outras perguntas: “Quem afinal era o ELE ao qual ela se referia?”

E mais perguntas nascem:

Ele, o talvez pai ausente e omisso, substituído pela droga?

Ele, o assassino?”

Leitor, você tem um papel fundamental a desempenhar na provocação de Beatriz-Sara. Vá à palestra, compre o livro e leia-o. Afinal, são 140 páginas de um texto simples, acessível, certeiro.

Estamos em tempos de dizer o óbvio. Falar da mãe é fundamental nesses tempos complicadíssimos. “Ele, quem era, na sua opinião querido leitor?”, provoca Beatriz-Sara.

Painel sobre o livro No Coração de uma Mãe”

Data: 9 de novembro de 2019

Horário: 16h

Local: Auditório Olívio Dutra do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região

Convidadas: Célia Zingler – Escritora e Diretora de Aposentadas/os, Previdência e Saúde da APCEF/RS e diretora da região Sul da FENAE (Federação Nacional de Empregados/as da Caixa Econômica Federal)

Katia Marko – Jornalista e editora

Rosaura Berne Couto – Educadora Biocêntrica e aposentada da CEF (Caixa Econômica Federal)

Sessão de Autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre

Data: 10 de novembro de 2019

Horário: 15h30

Local: Praça da Alfândega

Currículo Beatriz

Beatriz Maria Berghahn é bacharel em Letras pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pós-graduada pelo Instituto de Psicologia Social da UFRGS, com especialização em Análise Institucional. Cursou a especialização em Psicologia Transpessoal da Unipaz Sul e a Escola de Formação em Biodanza, Sistema Rolando Toro. Desde criança é amante da Arte Terapia, com vários cursos de formação na área. Finalizando a formação em Terapia Sistêmica e Constelações Familiares, pelo Instituto Imensa Vida. Atualmente, conduz grupos espirituais, integra grupo de Pathwork e de estudos ufológicos.

Como empregada da Caixa Econômica Federal atuou em projetos sociais pela ONG Moradia e Cidadania.

Outros livros

Autora dos livros Me Toque – A Expressão da Emoção (2011), A Cruz e as Laranjas (2016) e co-autora do livro Mulheres Extraordinárias, resultado de sua participação na oficina literária com o escritor Alcy Cheuiche, organizada pela APCEF/RS.

Fonte: Imprensa SindBancários

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