Um golpe na democracia chamado PEC 280

Diretor do SindBancários e vice-presidente da CUT-RS, Everton Gimenis, alertou, durante entrevista na Rádio Guaíba, que Eduardo Leite já mentiu sobre retirada de plebiscito e pode estar enganando de novo ao dizer que não vai vender o Banrisul

Depois que parte da CEEE foi entregue pelo governo de Eduardo Leite no pregão de 31 de março, quem acredita que o destino de Banrisul, Procergs e Corsan não seja o mesmo ou até pior? Depois de dizer que não retiraria o plebiscito da Constituição Estadual para entregar o setor elétrico (CRM, Sulgás e CEEE), quem pode acreditar que Leite não fará o mesmo agora que a PEC 280/2019 galopa na Assembleia Legislativa?

O diretor do SindBancários e vice-presidente da CUT-RS, Everton Gimenis, não apenas esgrimou os argumentos do governo Leite sobre a política de privatizações, em entrevista ao programa Esfera Pública Rádio Guaíba, na tarde da terça-feira, 13/4, como foi adiante. Ele demonstrou que o governador já queimou boa parte de sua credibilidade ao renunciar manter a sua palavra por mentir durante a eleição de 2018.

Para Gimenis, o que Leite fez até agora com as empresas públicas tem nome e sobrenome. “A PEC 280 é um golpe no povo gaúcho e na democracia. Derrubar a obrigatoriedade da consulta pública foi uma farsa eleitoral do Leite”, sentenciou.

Os dois outros argumentos não param em pé. Não é possível mais acreditar em Leite quando ele diz que o alvo da PEC 280/2019 é a venda da Corsan. Também não para em pé o argumento de que a Corsan não conseguiria se adequar ao Marco Regulatório do Saneamento Básico. Duas falácias que expõem um discurso envelhecido com a cara do novo. Nos últimos cinco anos, a Corsan lucrou cerca de R$ 1,5 bilhão.

O Banrisul e a Procergs estariam fora da alça de mira do governador quando o assunto é privatização. De novo, como acreditar no governado leite que mentia antes mesmo de ser eleito se Banrisul e Procergs seguem firmes dentro da PEC 280/2019?

Gimenis de novo pôs por terra as falacinhas. O diretor do SindBancários voltou a um tempo atrás. Mais exatamente a 2019 quando a PEC 272 passou a tramitar pela Assembleia Legislativa. Das três empresas que estavam nesta PEC que retirou a consulta pública da Constituição do estado para as suas vendas, nenhuma deixou de ter algum pedaço ou foi toda privatizada à jato.

A CEEE foi entregue a troco de banana (por R$ 100 mil). “Já venderam as três empresas do setor de energia no ano passado. E agora vão vender só uma? A CEEE foi vendida por um Corola. Uma vergonha”, salientou.

Leite quer mostrar serviço para ser candidato a presidente

Gimenis desenvolveu uma tese que faz muito sentido para explicar o motivo da pressa do governador em vender o patrimônio público. Não é segredo para ninguém que o PSDB quer muito que ele emplaque como candidato a presidente no ano que vem.

Por isso ele quer mostrar serviço. Ademais, há um discurso entre deputados estaduais, sobretudo entre os mais exaltados neoliberais eleitos na onda do bolsonarismo, sobre a suposta ineficácias das empresas púbicas (Banrisul e Corsan).

É aí que o risco de venda do Banrisul e da Corsan sobem. Esses deputados da base do governo Leite chegam a dizer que o Banrisul não poderá acompanhar as mudanças que o sistema financeiro deve passar nos próximos anos por conta da concorrência das fintechs e toda a dinamização das trocas financeiras eletrônicas.

Se os Banrisulenses não tivessem competência para manter o Banrisul forte, o lucro do ano passado em plena pandemia não teria superados os R$ 800 milhões, apenas 20% abaixo do recorde do lucro de 2018 (R$ 1,045 bilhão).

Mas Gimenis foi mais longe na história. Comparou o atual governador com a administração do governador Antônio Britto (então do PMDB) nos anos 1990. Britto havia dito que a venda da Companhia Rio Grande de Telecomunicações (CRT) seria fundamental para que o estado pudesse investir em segurança, educação e saúde.

A CRT foi vendida em 1997, e o Estado está na péssima situação financeira em que se encontra. Moral da história, privatizar não salva nada e pode até piorar.

“O governador alega que não quer privatizar o Banrisul. Mas por que está na PEC? O Leite quer vender algum patrimônio para fazer caixa e mostrar serviço para a candidatura à presidência.”

O caso aqui, diz Gimenis, é que governador que vende patrimônio público não costuma ter muita sorte na reeleição. Os gaúchos nunca reelegeram um governador. Leite sabe muito bem disso.

Governador que vende empresa pública pode até sumir do mapa, se perder no esquecimento. “O governo se nega a discutir com a população a venda de suas empresas públicas. Eles já perderam esse debate. O Britto vendeu a CRT e não consegui se eleger”, lembrou Gimenis.

Onde passa o boi, passa a boiada

O dirigente sindical também lembrou da fatídica frase do ministro do meio-ambiente, Ricardo Salles, em reunião gravado no Palácio do Planalto, para demonstrar o quanto Eduardo Leite está alinhado com a agenda econômica de Bolsonaro e Paulo Guedes. E lembrou do pedido da Famurs, assinado por mais de 300 municípios, para que a PEC 280/2019 tenha sua tramitação suspensa na Assembleia Legislativa para ter mais transparência e diálogo.

“A frase do sinistro do meio-ambiente tem que passar a boiada. Aqui fazem a mesma coisa. O Banrisul é o maior ativo do Estado. E o governo quer vender para fazer caixa”, lamentou Gimenis.

Assista à íntegra da entrevista clicando nesta linha a partir de 42 minutos

Fonte: Imprensa SindBancários

 

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