Um em cada três bancários sofreu discriminação no ambiente de trabalho, aponta pesquisa sobre diversidade

Levantamento do SindBancários feito pelo DIEESE entrevistou 620 trabalhadores da grande Porto Alegre, em setembro de 2021

O sentimento de medo e vergonha são realidades dentro da categoria bancária, sobretudo quando o assunto é diversidade, cor da pele, orientação sexual ou de gênero, aponta pesquisa do SindBancários realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE)

O levantamento foi realizado em setembro de 2021 com 620 bancários(as) que integram a base do SindBancários. Nas respostas, mais de 1/3 dos entrevistados afirmou ter sido vítima de algum tipo de preconceito dentro do ambiente de trabalho. Destes, 20% garantem ter sofrido discriminação por parte do superior hierárquico. Cerca de 15,6% afirmam terem sido discriminadas por serem mulheres, 9,8% por imposições de padrões estéticos e corporais, 6,5% por serem idosos, 6,0% por serem jovens, 2,8% por serem LGBTQIA+, 2,8% por serem pessoas negras, 1,4% por serem Pessoas Com Deficiência, 1,1% por motivo de saúde, enquanto 2,3% dos entrevistados preferiram não responder.

Para o diretor de Diversidade e Combate ao Racismo do SindBancários, Sandro Rodrigues, os números mostram um cenário preocupante de perpetuação de preconceitos e da intolerância dentro da categoria, algo que entra em contraste direto com os comerciais televisivos que apresentam os bancos como sendo empresas que acolhem as diferenças e são preocupadas com a pluralidade de ideias e comportamentos.

“Os bancos gostam de se apresentar como empresas tolerantes, preocupadas com o meio ambiente, com a sustentabilidade, com o combate ao racismo, mas isto está longe de ser verdade. Se, de fato, estivessem interessados em promover a diversidade dentro dos espaços de trabalho, contratariam mais pessoas negras, mulheres, membros da comunidade LGBTQIA+ e PCDs. A verdade é que há cada vez menos trabalhadores(as) com estes perfis em postos altos dentro da hierarquia das agências ou ocupando cargos de gestão”, lamenta Sandro.

Discriminação enraizada
A discriminação está tão enraizada dentro das instituições financeiras que já está sendo reproduzido institucionalmente, quase como uma cultura empresarial. No entanto, ainda há diferença na importância dada por instituições públicas e privadas no que diz respeito à diversidade, aponta a diretora de Cultura do sindicato, Ana Guimaraens.

“A gente sabe que entre os bancários existe pouca diversidade por conta do preconceito institucional em relação à etnia e sexualidade, principalmente nos bancos privados, onde ocorre a contratação direta. Nas instituições financeiras públicas, onde o acesso ao emprego se dá por concurso público, temos mais pluralidade”, avalia.

Segundo a secretária de Combate ao Racismo da CUT-RS e bancária do Itaú, Isis Garcia, os dados do levantamento são corroborados por relatos de trabalhadoras negras que são invisibilizadas dentro das agências e vetadas de funções relacionadas ao atendimento de clientes e correntistas.

“Não encontramos mulheres negras na linha de frente das agências, atendendo clientes. Isso acontece porque existe um preconceito e um padrão estético rígido exigido pelas instituições financeiras, sobretudo as da iniciativa privada. É muito bonito ver um cabelo afro na propaganda televisiva, onde o que é vendido é uma ideia de pluralidade e inclusão, outra coisa é o banco que a gente não vê na televisão, com cobranças abusivas, perseguições ideológicas, assédio moral e até casos explícitos de racismo”, aponta Isis.

Próximo passo é debater a pesquisa no interior do estado

A pesquisa agora será debatida com a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS) e dirigentes dos sindicatos de bancários do interior do estado. A primeira reunião ocorre na próxima terça-feira, 21 de junho. A ideia é ampliar as discussões sobre representatividade dentro das agências.

“Se os sindicatos do interior realizarem pesquisas sobre diversidade étnico-racial, LGBTQIA+ e PCDs dentro das agências, acredito que teremos informações suficientes para formular uma proposta de reivindicação e encaminhá-la junto à Fetrafi-RS para um debate sério com os bancos e suas entidades representativas”, conclui Rodrigues.

 

 

 

 

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