Um agosto 2018 marcado por violência direta quatro vezes maior do que em 2017

Para os bancários, praticamente não há diferença: é fato que ficar sob a mira de um revólver causa danos à saúde psicológica e coloca a vida em risco. Mas também não é fácil ver que a sua agência terá que ficar interditada por tempo indeterminado porque foi explodida por criminosos que levaram dinheiro dos caixas eletrônicos ou do cofre. É ruim ficar sem trabalhar no outro dia ou ver seu local de trabalho destruído. Imagine se fosse no seu local de trabalho.

Até a tarde da quinta-feira, 30/8, os bancários, clientes de bancos e vigilantes tiveram motivos de sobra para estarem apavoradas em cidades do interior do RS e na capital. Os criminosos realizaram 14 ataques a agências bancárias. E o apavorante: foram todos assaltos à mão armada com uso de explosivos, manutenção de reféns com ou sem cordão humano. Nos primeiros 30 dias de agosto do ano passado, ocorreram quatro assaltos com uso de explosivos e cordão humano.

Quer dizer, a violência direta em que há reféns e invasão de agências aumentou mais de quatro vezes no oitavo mês de um ano para outro. Para se ter uma ideia, nos 30 dias de agosto do ano passado, 11 ataques tiveram 15 agências como alvo. Em duas ocasiões, houve cordão humano, com quatro agências atacadas e uso de explosivos em duas outras. Desses 11 ataques, sete foram arrombamentos de agências. Isso significa que não houve reféns, nem assaltantes invadindo agências com trabalhadores e clientes, ou seja, a violência foi indireta em 63,6% dos casos.

Em agosto de 2018, a chave virou. Todos os ataques a bancos foram assaltos a agências com algum bancário, cliente ou vigilante como refém. Ou com cordão humano. Foi o que aconteceu com as agências do Banrisul e do Sicredi em Entre Rios do Sul, Norte do Estado na manhã da quinta-feira, 30/8. Segundo reportagem e vídeo publicados no jornal Correio do Povo (Veja aqui), quatro assaltantes fortemente armados chegaram atirando. Como se fossem um a quadrilha de foras da lei no Velho Oeste, dominaram os vigias dos duas agências que ficam na mesma rua do Centro da cidade, uma de frente para a outra.

Assista abaixo vídeo do ataque a banco em Entre Rios do Sul com cordão humano

Dois policiais preferiram não intervir no ataque para preservar reféns

Antes de levar dinheiro dos caixas e malotes, formaram um cordão humano com clientes que estavam no local. Para fugir, ainda levaram três reféns que foram libertados numa estrada vicinal na saída do município. No momento do ataque, dois policiais militares estavam no centro da cidade, mas que não interviram na ação para não colocar os reféns em perigo. A Brigada Militar e a Polícia Civil estão mobilizados na tentativa de prender os assaltantes.

Violência bancária cresceu 12,6% nos primeiros oito meses do ano

Nos primeiros oito meses do ano, considerando até a tarde deste 30 de agosto, já ocorreram 98 ataques a bancos em 2018. No mesmo período do ano passado, foram 87. O crescimento é de 12,6% da violência bancária, considerando assaltos, arrombamentos, cordão humano e uso de explosivos. Na comparação de volume de ataques de agosto de 2017 com agosto deste ano, tivemos um caso a menos. Foram 15 em agosto de 2017 ante 14 neste ano, uma queda de 6,7%.

Para o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, há explicações estruturais sobre o maior volume de ataques a bancos em 2018. Ambas dizem respeito a decisões políticas tomadas em âmbito estadual e federal. “Esses dados mostram a falência da política de segurança pública do governo do Estado. Quem paga a conta dos cortes de investimentos em segurança, saúde e educação são os trabalhadores e moradores de cidades que estão vulneráveis”, contou Gimenis.

O presidente do SindBancários se diz preocupado com o crescimento do volume de ataques de um ano para outro. “Além do governo do Estado cortar investimentos públicos e causar esse pânico todo, o governo federal aprovou a PEC do teto que reduz investimentos públicos para os próximos 20 anos. Nossa preocupação é que esses aumentos de ataques a bancos sejam ocasionados por esses governantes que querem que o Estado seja mínimo para quem mais precisa e máximo para os seus amigos”, apontou Gimenis.

Agosto 2017

1. Dia 01: Banrisul (S. Martinho da Serra). Na madrugada, quadrilha entra na agência, arromba cofre e foge.

2 e 3. Dia 07: Bradesco e Banrisul (Maratá). Cinco ladrões com armas longas arrombam e explodem os caixas das agências. Trocam tiros com a polícia e fogem.

4 e 5. Dia 07: Banco do Brasil e Banrisul (Fontoura Xavier). Ação nos dois bancos configurou “Novo Cangaço” e aconteceu à tarde na cidade do norte do RS. Muitos homens armados, reféns (depois libertados) e tiros.

6 e 7. Dia 11: BB e Banrisul (V. Nova do Sul). Criminosos atacaram agências vizinhas do Banco do Brasil e Banrisul em V. Nova do Sul, em São Gabriel, durante a madrugada. Abriram caixas eletrônicos.

8. Dia 13: Banco do Brasil (Agudo). BM prendeu 4 criminosos que arrombaram porta da agência e já estavam na sala do cofre, por volta da meia-noite. Uso de maçarico.

9. Dia 18: Caixa (PoA). Agência do bairro Cristal teve porta de vidro arrombada, por volta das 4h. Ladrões fugiram quando alarme disparou.

10 e 11. Dia 19: Sicredi (Bom Retiro do Sul). Cinco homens armados. Disparos para o ar. Cx. eletrônicos arrombados. Novo Cangaço. Agência do Santander foi arrombada na Av. Carlos Gomes, em Porto Alegre, na madrugada. Dois caixas explodidos.

12. Dia 21: Banrisul (S. Sebastião do Caí). Oito homens armados em loja de posto de combustíveis. Fizeram reféns, explodiram terminal e fugiram com o equipamento.

13, 14 e 15. Dia 23: Santander (PoA). Seis homens invadiram agência na Azenha e fugiram com o cofre.Itaú (PoA). Ladrões tentaram levar aparelho de TV mas fugiram se nada. Banrisul (PoA). Banbrisul da Av. Benjamin Constant invadido na madrugada. Ladrões entraram com carrinho de mão, mas fugiram sem nada após alarme.

16. Dia 31: Banrisul (Amaral Ferrador). Quatro criminosos invadiram agência na madrugada. Explodiram 4 caixas eletrônicos. Um refém, depois liberado. Fuga com o dinheiro.

Agosto 2018

1. Dia 01: Banrisul (Fontoura Xavier). Criminosos atacam agência e usam explosivos para levar dinheiro dos caixas eletrônicos.

2. Dia 01: Banrisul (Erval Seco). Criminosos atacam agência e usam explosivos para levar dinheiro dos caixas eletrônicos.

3. Dia 4: Bradesco (Encruzilhada). Criminosos explodem 3 caixas do banco. Madrugtada. Na fuga, troca de tiros com BM.

4. Dia 5: Santander (PoA). Em plena manhã de domingo, arrombamento de agencia no Centro Histórico da Capital. Explosão de um caixa. Fuga.

5. Dia 9: Banrisul (Dilermando de Aguiar). Assaltantes explodem a agência na madrugada. Uso de miguelitos para escapar da perseguição policial.

6. Dia 11: Caixa (Canguçu). Oito criminosos invadem agência da Caixa de madrugada e explodem caixas eletrônicos para fugirem com dinheiro. A quadriolha atacou também quartel da Brigada.

7, 8, 9 e 10: Dia 14: Banrisul e BB (Vila Nova do Sul). Ataque às agências dos dois bancos, com uso de explosivos, na mesma madrugada./ Banrisul e BB (Nova Pádua do Sul). Tentativa frustrada de explosão das agências dos dois bancos, mesma madrugada. Um recorde de ataques na mesma noite.

11. Dia 24: Banco do Brasil (Porto Alegre). Explosão de caixas automáticos na madrugada na agência do BB na Azenha, na Capital.

12. Dia 28: Banrisul (Boqueirão do Leão). Criminosos atacam agência explodindo porta-giratória a tiros e fugiram com dinheiro dos caixas e cofre.

13, 14. Dia 30: Banrisul e Sicredi (Entre Rios do Sul ): Assaltantes fortemente armados dominaram vigias das agências de fizeram cordão humano.

Veja abaixo a lista de ataques a bancos do levantamento do SindBancários desde 2006

 

Crédito imagem: Reprodução Correio do Povo

Fonte: Imprensa SindBancários

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