Truculência da Brigada Sartoriana avança com violência sobre protestos para ajudar golpes de Temer nos direitos dos trabalhadores

Convocado pelas centrais sindicais, o Dia Nacional de Greve e Paralisações contra a PEC 55 (antiga PEC 241 na Câmara), a chamada PEC do Teto dos Gastos, registrou diversos atos por Porto Alegre ao longo da manhã desta sexta-feira, 11/11. A mobilização começou durante a madrugada diante das garagens das empresas de ônibus da Capital e se estendeu até por volta das 11h, quando se encerrou uma manifestação de estudantes e servidores no campus central da UFRGS. Ao longo de todo o tempo, a Brigada Militar contou com um forte aparato de segurança e utilizou da repressão, com bombas de efeito moral e balas de borracha, para liberar o trânsito em caso de bloqueio de ruas e avenidas.

Dirigentes do SindBancários se concentraram desde a madrugada da sexta, 11/11, na garagem da Trevo Transportes Coletivos, na Rua Coronel Massot, 1.402, Bairro Cristal, em Porto Alegre. O diretor da Fetrafi-RS, Sergio Hoff, contou que os policiais do Batalhão de Choque agiram de forma agressiva logo que os primeiros manifestantes começaram a chegar na garagem da Trevo, por volta das 4h20. “Tinham poucos trabalhadores na frente da garagem. A proporção era de dois brigadianos por um manifestante. Chegamos e nem 10 minutos depois , o Choque começou a lançar bombas e gás lacrimogêneo. Não havia motivo nenhum para uma ação violenta contra poucos manifestantes”, denunciou o diretor.

As mobilizações iniciaram ainda durante a madrugada com protestos de centrais sindicais diante de garagens de empresas de ônibus. No entanto, os sindicalistas não conseguiram realizar bloqueios para impedir temporariamente a largada de ônibus porque pelotões da tropa de choque da BM já estavam dentro das garagens desde antes do início dos atos. Ainda assim, utilizaram bombas de gás e spray de pimenta para dispersar protestos.

“Enquanto quase não se vê brigadianos nas ruas e nos bairros para prevenir assaltos e proteger a população, vimos hoje dezenas de policiais nas garagens de ônibus, atirando bombas de gás e dispersando trabalhadores e impedindo que os rodoviários também pudessem se manifestar contra os retrocessos para evitar a perda de direitos”, afirmou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

Após estes protestos iniciais, diversos atos “pipocaram” em vários pontos em que foram realizados bloqueios temporários de vias. Manifestações foram registradas diante na Av. Bento Gonçalves, diante do Campus do Vale na UFRGS, na Av. Ipiranga diante da PUCRS e no cruzamento com a Silva Só, entre outros pontos. A maior concentração de pessoas e por mais tempo, porém, foi registrada no campus central da UFRGS.

Gato e rato na UFRGS

A mobilização no campus central da UFRGS começou logo cedo, por volta das 8h, com estudantes e servidores realizando uma manifestação na rua Sarmento Leite. O pelotão de choque da BM foi então acionado para liberar o trânsito no local e avançou em direção dos manifestantes utilizando bombas de efeito moral.

Após a ação, a via foi liberada temporariamente, mas na sequência os manifestantes retornaram à via, o que motivou nova ação da BM. Enquanto cobria a manifestação no local, o cinegrafista Jorge Júnior, da TV Bandeirantes, foi ferido no rosto por estilhaços de bomba de efeito moral. Ele foi encaminhado ao Hospital de Pronto Socorro. Segundo informações da emissora, ele passa bem.

Com o pelotão de choque garantindo o desbloqueio da Sarmento, iniciou-se um verdadeiro jogo de “gato e rato” entre os manifestantes e a polícia. Estudantes e servidores seguiram para outros acessos do campus da UFRGS, com o choque da BM sendo prontamente acionado para desbloquear as vias com o uso de bombas de efeito moral.

Além de mudarem de local, a resposta dos estudantes era sempre gritar e cantar, que a manifestação era pacífica e puxar palavras de ordem contra a ação da BM, tais como: “Que vergonha, que vergonha deve ser, espancar trabalhador para ter o que comer”.

Por sua vez, o capitão Fernando Meirelles, do 9º Batalhão da PM, classificou a ação com bombas de efeito moral como “dispersão moderada” e afirmou que foi necessária após “não haver resposta” na negociação com os manifestantes para liberação das vias. Inicialmente, a BM estava no local com cerca de 30 homens, mas um novo pelotão foi acionado, elevando o total de agentes para cerca de 70, quando mais vias passaram a ser bloqueadas.

Ao todo, foram cinco investidas diferentes da BM para desbloquear as vias. A mais violenta delas foi a última, quando os manifestantes se encontravam na Av. Paulo Gama, entre o campus e o Parque da Redenção. Neste momento, por volta das 11h, foram utilizadas ao menos três bombas de efeito moral e disparos de balas de borracha contra os manifestantes, que então correram para dentro da universidade e dirigiram para a frente da Faculdade de Educação (Faced), onde posteriormente ocorreu a dispersão do ato.

Após as várias ações da BM, era possível constatar um forte efeito do gás lacrimogêneo em diversos pontos do campus e visualizar várias pessoas com os olhos afetados e outras com ferimentos de estilhaços e bombas. A servidora Érica Guedes dos Santos relata que foi atingida na perna por uma bala e no rosto e nos braços por estilhaços.

“A polícia de choque chegou por trás e começou a tocar bomba na gente. Da primeira vez, a gente afastou. Aí quando eles recuaram, a gente voltou para a rua de novo. Aí eles miraram direto na gente. Caiu uma bomba bem do meu lado, que eu não consegui fugir a tempo, e acertaram uma bala de borracha em mim. Eles miraram na gente”, relata.

Coordenador-geral da Associação dos Servidores da UFRGS (Assufrgs), Bernadete Menezes salienta que a BM agiu desde o início da manhã para desmobilizar as manifestações. “O choque, com o salário parcelado, jogando trabalhador contra trabalhador. É isso que nós vimos o dia inteiro. Estive na Carris, os feitores lá dentro obrigando os trabalhadores a entrarem nos ônibus, alguns resistindo. Outros não, saindo em comboio protegido pelo choque”.

Por outro lado, Bernadete comemorou o que, segundo ela, foi uma “reação fortíssima em todo o País” contra a PEC 55. “Mostramos o caos geral que esse País vai ficar se esse governo pensa que pode passar por cima de nós”, diz. “Eles estão armando o caos do lado de lá, pois vão ter o caos do lado de cá também”.

Distribuição de bananas

Também no final da manhã, servidores vinculados ao Sindicato dos Técnicos-Científicos do RS (Sintergs) realizaram um ato diante da Secretaria da Agricultura do Estado, na Avenida Getúlio Vargas, em que realizaram a distribuição de bananas, fiscalizadas por fiscais agropecuários da pasta, a motoristas e pessoas que passavam pelo local. Além de adesão ao movimento nacional, o ato foi realizado em protesto contra o atraso nos salários dos funcionários públicos estaduais.

Além de Porto Alegre, mobilizações foram registradas pelo País e interior do RS, em cidades como Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Cruz Alta, Ijuí, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Santa Cruz do Sul e Santa Rosa.

Além da PEC 55, que congelará o crescimento dos gastos do governo federal à inflação por 20 anos, os manifestantes protestaram contra a agenda do governo Temer de reforma da CLT, da Previdência, contra privatizações, a reforma do Ensino Médio, o chamado projeto da Escola Sem Partido, entre outros.

Ainda nesta sexta, um novo ato está marcado para as 18h, com concentração na Esquina Democrática. Mais cedo, às 15h, a Assembleia Legislativa realizada uma audiência pública para debater os impactos da PEC 55 e da MP 746.

Crédito fotos: Caco Argemi

Fonte: Luis Eduardo Gomes – Sul21, com  informações de Imprensa SindBancários

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