Tribunal de Contas da União (TCU) deve verificar legalidade de banco digital da Caixa

Para a deputada Érika Kokay, a criação do banco digital é ilegal e atenta contra o patrimônio da Caixa e dos brasileiros

Em que base legal se sustenta a direção da Caixa para, mesmo sem autorização legislativa, anunciar que irá proceder a abertura do capital do banco, com a criação do chamado “banco digital”? Essa é uma das perguntas que a deputada Érika Kokay (PT-DF) faz em sua representação do Tribunal de Contas da União (TCU), em que pede controle externo do órgão sobre todos os ritos e sistemáticas da Caixa com relação ao processo de criação do chamado Banco Digital, anunciado pelo presidente do banco, Pedro Guimarães.

“Vamos a todas as instâncias para impedir esse verdadeiro atentado contra o patrimônio da Caixa. As declarações do presidente da empresa de que após o IPO da Caixa Seguridade [abertura pública inicial para venda de ações na bolsa de valores] , seria a vez do IPO do Caixa Tem, mostra que o maior objetivo da criação do banco digital é pavimentar a privatização da própria Caixa. E querem fazer isso ao arrepio da lei, que determina a obrigatoriedade de apreciação pelo Congresso Nacional de toda e qualquer iniciativa de privatização de estatais”, afirma a parlamentar.

Setores mais rentáveis à venda

Érika Kokay acredita que essa é mais uma investida da atual direção do banco para vender as partes mais rentáveis da empresa, deixando apenas as menos lucrativas. Nesta perspectiva, critica ela, o banco digital seria uma nova instituição financeira, outra pessoa jurídica, para a qual seriam transferidas as operações referentes aos programas sociais, FGTS, microcrédito, habitação e produtos e serviços comerciais. “O absurdo é que a base dessa nova “instituição” é o Caixa Tem e as poupanças digitais, desenvolvidas pelos trabalhadores durante a pandemia para facilitar o acesso dos brasileiros a serviços e transações bancárias. Todos esses serviços podem e devem continuar a ser ofertados pela Caixa para todos os brasileiros, não podem ser consideradas oportunidades de negócio”, afirma a deputada.

Jogada de privatização

O presidente da Fenae, Sérgio Takemoto acredita que a investigação do TCU vai constatar que o presidente da empresa chama de Banco Digital representa a privatização da Caixa. É uma das operações mais perigosas para o banco público, pois está tirando da Caixa toda a função pública e social do banco para transferir para outro banco, que será privatizado. Qual o futuro dos programas sociais quando estiver nas mãos da iniciativa privada, que só visa o lucro?”, questiona.

Com a criação do Caixa Tem, analisa Takemoto, a Caixa deu um salto tecnológico. Este avanço digital, conquistado pelo trabalho dos empregados em tempo recorde, já existe, está consolidado e deve permanecer na Caixa como mais um serviço para fortalecer o banco.

Medida cautelar do TCU

Além de pedir o controle externo, a representação solicita que o TCU conceda medida cautelar determinando que a Caixa suspenda todos os atos relacionados a esse processo até o que Tribunal analise o mérito. Pede ainda que o órgão fiscalizador avalie a prática de gestão temerária pelo presidente do banco, “dados os indícios de violação da legalidade no exercício de suas funções” e requeira cópia integral dos estudos em posse do Conselho de Administração da Caixa e do Banco Central que tratam da criação do banco digital e os que projetam os gastos com a nova estrutura bancária a ser montada.

Para a deputada Érika Kokay, autora da representação feita ao Tribunal, a criação do banco digital é ilegal e atenta contra o patrimônio da Caixa e dos brasileiros

Fonte: Fenae, com Edição de Imprensa SindBancários

 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER