Trabalhadores encerram Dia de Greve Geral com ato de protesto e marcha até o Palácio Piratini

Nem a repressão violenta da Brigada Militar sobre os trabalhadores e sindicalistas que bloquearam a saída de ônibus na manhã desta sexta-feira, 30 de junho – Dia de Greve Geral no país – fez arrefecer o ânimo dos manifestantes. Reunidos em um grande ato no Largo Glênio Peres, no Centro Histórico de Porto Alegre, a partir das 12h, centenas de trabalhadores e trabalhadoras, professores, funcionários públicos, bancários, metalúrgicos, estudantes, comerciários, rodoviários e metroviários, além de artistas e representantes de outras categorias fizeram uma caminhada até a frente do Palácio Piratini.

Além das palavras de ordem contra as inaceitáveis “reformas” Trabalhista e da Previdência, articuladas pelo Governo Temer, os manifestantes pediram a libertação do dirigente Altemir Cozer, da CSP-Conlutas, preso nas manifestações da manhã, em frente a uma garagem de ônibus. “Dizem que o menino carregava fogos de artifício, mas se isso for verdade, eu pergunto o que isso representa em comparação com as bombas de gás, cassetadas e balas de borracha disparadas pela Brigada Militar contra trabalhadores, que apenas lutam por seus direitos – inclusive os direitos dos policiais”, questionou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

Bancários na linha de frente

“O que nós estamos enfrentando hoje, aqui no estado e no Brasil, é o maior ataque da História contra os direitos dos trabalhadores”, afirmou o presidente do SindBancários. “Mas a exemplo do dia 28 de abril, hoje vemos que os bancários continuam na linha de frente da luta pela melhoria do Brasil, com forte consciência de classe”, completou Everton Gimenis, durante o Ato no Largo Gênio Peres.

Um dos motivos que trouxe ainda maior indignação aos participantes deste Dia de Greve Geral foi a notícia de que o STF, através do ministro Marco Aurélio Mello, devolveu, nesta sexta-feira, o mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Com Isso, Aécio poderá voltar às atividades parlamentares, das quais estava afastado há cerca de 45 dias, acusado de receber propina de R$ 2 milhões do empresário Joesley Batista, da JBS. Em seu despacho, o ministro não se envergonhou de negar também o pedido de prisão contra Aécio, feito pela Procuradoria-Geral da República.

“Com isso, a bancada de apoio ao governo Temer ganha mais um voto, novamente, para aprovar o desmanche dos direitos dos trabalhadores no Congresso”, reforçou o diretor da CUT-RS e do SindBancários, Ademir Wierderkehr, que participou das manifestações contra o governo Temer na manhã desta sexta-feira.

Volta à republiqueta de bananas

A deputada estadual Stela Farias (PT), sobre o caminhão, lembrou que as manifestações desta sexta-feira, que levantaram o Brasil de norte a sul, “não são apenas contra Temer, mas em defesa do povo brasileiro”. A série de medidas que vêm sendo tomadas no Congresso Nacional, a partir do golpe jurídico-empresarial-parlamentar que destituiu Dilma Rousseff, tem um objetivo muito claro: “Eles pretendem jogar o Brasil de volta aos tempos de republiqueta de bananas”, afirmou a parlamentar.

Ao final da manhã, uma comissão formada por diretores das centrais sindicais presentes ao ato, juntamente com o presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, foi recebida pelo chefe da Casa Civil do governo estadual, Fábio Branco, para tratar do relaxamento da prisão do sindicalista acusado de portar fogos de artifício.

Pressão precisa continuar

Entre os manifestantes, que começavam a se dispersar a partir do Palácio Piratini, havia uma constatação: “Estas medidas que Temer envia ao Congresso são reformas ultraliberais, que querem levar o Brasil de volta ao século XIX”, dizia um sindicalista, sobre um dos dois caminhões de som que abriu a caminhada e os atos de protesto. E havia também uma certeza: “Nossa luta está repercutindo em todo o continente americano e no mundo inteiro”, concluiu o orador. “Por isso mesmo, não podemos afrouxar a pressão”.

Fotos: Anselmo Cunha

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