Trabalhadores criticam medidas do pacote de ajuste do governo federal e sugerem mudanças

O pacote de medidas anunciadas pela presidenta Dilma no início desta semana, para reduzir o déficit fiscal do governo e gerar uma economia de até R$ 66,2 bilhões no orçamento federal de 2016, ainda depende de discussão e aprovação no Congresso Nacional. Mas para os trabalhadores, não há dúvida: a série de iniciativas – como a redução dos repasses ao Minha Casa, Minha Vida e ao Programa de Aceleração do Crescimento, assim como a suspensão dos reajustes de servidores e dos concursos públicos – é recessiva e penaliza os setores mais frágeis da sociedade. A CUT nacional já encaminhou ofício à Presidência da República, solicitando uma audiência para colocar as propostas alternativas dos trabalhadores visando a retomada do crescimento.

Conforme o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, os trabalhadores estão cansados de pagar a conta da crise. “Está na hora de aumentar salários, ampliar direitos e não reduzir conquistas. Superávit primário se faz com taxa de juros menor, com mais salário e com garantias de empregos. Os trabalhadores não são culpados por esta e por nenhuma crise”. Conforme Gimenis, “se o governo Dilma quer superar essa fase difícil da nossa economia, tem que cobrar a conta de quem é rico, cobrar mais impostos dos bancos que ganham muito em tempos de crise”.

Volta da CPMF

Em relação à volta da CPMF, o presidente do SindBancários mostra-se favorável, mas ressaltou que os trabalhadores não devem ser taxados. “O aspecto positivo da CPMF, o chamado imposto do cheque, é que combate a sonegação e permite saber para onde está indo o dinheiro. Mas é preciso isentar quem movimenta até R$ 10 mil, pois o trabalhador já paga no consumo de qualquer produto que compra. Tem de taxar os ricos, as grandes fortunas”, ressaltou.

Medidas anunciadas

Entre as principais medidas recessivas anunciadas pelo governo estão: corte de R$ 26 bilhões nos gastos; redução dos repasses ao Minha Casa, Minha Vida (no valor de R$ 4,8 bilhões); redução do PAC (em R$ 3,8 bilhões); suspensão de reajustes de servidores e da realização de concursos públicos; eliminação do abono de permanência aos servidores em idade de aposentadoria; e redução de subsídios à indústria.

Do lado dos impostos, a volta da CPMF, com alíquota de 0,2% é a principal iniciativa, que deve render R$ 32 bilhões e irá abastecer as contas da Previdência Social. E há também o aumento de alíquotas do imposto sobre ganhos de capital de pessoa física.

Protesto da CUT

“É um pacote lamentável”, afirmou o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, em manifestação que reuniu 10 mil participantes na Avenida Paulista, na terça-feira, 15, em frente à sede da Fiesp, em São Paulo. “Ele dialoga com a política de recessão, de corte nos investimentos e nos direitos dos trabalhadores. Nos espanta a falta de diálogo com a sociedade. O pacote sinaliza aos setores que não apoiaram o governo”, disse o sindicalista.

Audiência com Dilma

Entre as sugestões que a CUT espera entregar à Dilma, está a tributação de grandes fortunas. Vagner Freitas destaca que o receituário neoliberal que inspirou o pacote anunciado ontem já foi aplicado em outros países sem o efeito desejado. “O ajuste é o mesmo remédio em várias partes do mundo, sempre tirando direitos da classe trabalhadora”, disse.

Reflexos para a categoria

Já a presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, não espera qualquer reflexo do pacote do governo na negociação salarial da categoria. “Afinal, os bancos estão em realização de lucros, apesar da crise na economia, que não chegou ao setor financeiro”, disse. “No primeiro semestre, foram mais de R$ 34 bilhões de lucro líquido no setor. Por que eles não vão dar aumento real se eles tiveram lucros crescentes, maior do que no primeiro semestre do ano passado?”, questionou a líder sindical.

 

 

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