Todos os problemas dos Banrisulenses se resumem à privatização

Dirigentes sindicais insistem em resposta sobre intenção de venda da Sede Serraria, pedem concurso público, denunciam demissões sem motivos, travas em processo de seleção e novos casos de colegas adoecidos obrigados a retornar ao regime presencial. Representantes da diretoria voltam a dizer que defasagem do quilômetro rodado não será resolvida

Os representantes dos Banrisulenses nas mesas permanentes de negociação com a diretoria do Banrisul retomaram os debates sobre problemas que afligem as rotinas dos colegas que estão no front do atendimento. Apesar de os temas dizerem respeito aos problemas das rotinas de trabalho, na reunião do Comando Nacional dos Banrisulenses, na terça-feira, 23/11, com representantes da diretoria do Banrisul, a conclusão é complexa: são tantos problemas que não são resolvidos que a verdade é que o governador Eduardo Leite e a própria diretoria do banco avançaram na privatização.

Se não fosse isso, preste atenção à soma de pequenos fatos:

1) No dia da venda da Sulgás, em 22 de outubro, o governador Eduardo Leite (PSDB) anuncia a intenção de venda da Banrisul Cartões.

2) A diretoria do Banrisul vende a Banrimar.

3) São tantos os problemas rotineiros que até demissões imotivadas começaram a aparecer no Banrisul.

Compreendeu a importância de agora nós, os Banrisulenses, estarmos mobilizados? Tudo que tem acontecido e que afeta a forma que tu trabalhas tem a ver com o desmonte do Banrisul, com o enfraquecimento de sua imagem para que ele seja vendido.

Nesta quarta-feira, 24/11, às 18h15, vamos debater a venda da Banrisul cartões na Assembleia Legislativa. Um fato relevante em julho, da diretoria do banco, anunciou o JP Morgan como o vendedor da Vero, marca de adquirência do Banrisul, e responsável por mais de 30% do lucro do banco público dos gaúchos.

Para vender a Serraria e, depois o banco, fica mais fácil ainda.

A Audiência Pública sobre a Banrisul Cartões na Assembleia Legislativa precisa fortalecer a defesa do banco. Vá até o Plenarinho no terceiro andar da ALERGS presencialmente ou assista e interaja pelo Zoom ou pela transmissão cruzada no Facebook do SindBancários.

Agora é a hora capital, aquela que precisamos reagir, ou eles vão entregar aquilo de mais precioso que nós temos.

Audiência Pública da Assembleia Legislativa (Evento híbrido)

Quarta, 24/11, às 18h15

Plenarinho da Assembleia Legislativa | 3º andar | Praça Marechal Deodoro, 101 – Centro Histórico – Porto Alegre

Participe da audiência pública pela plataforma zoom

https://alergs.webex.com/alergs/j.php?MTID=m7ba5f996a17ea57adf4ec6bf87267ee6http://proweb.procergs.com.br/temp/90_24112021181500_22112021105700_ag.pdf?rnd=0.9517699421806676

São tantos os problemas não resolvidos… E tem ainda a Serraria

Lembramos que bastam 28 votos para o governador ter autorização da Assembleia Legislativa e dar início ao processo do de privatização do Banrisul. Já foi mais difícil. Em abril e junho, Eduardo Leite conseguiu retirar a obrigatoriedade de plebiscito da Constituição estadual e facilitar a venda, com a aprovação em dois turnos da PEC 280/2019.

O tema da venda da Sede Serraria foi um que voltou a fazer parte das cobranças. E, mais uma vez, os representantes da diretoria na mesa de negociação permanente com o Comando Nacional dos Banrisulenses responderam com evasivas: “não há definição sobre o tema”, dizem os representantes da diretoria. Mas o que corre nos corredores do banco é que a Sede Serraria estaria sendo preparada para ser vendida na virada do ano.

Outra questão de insistência dos dirigentes sindicais disse respeito a uma defasagem histórica e que aflige os Banrisulenses que precisam se deslocar  De carro durante o trabalho. O preço do quilômetro rodado da gasolina está em torno de R$ 1. Isto mesmo, um pila.

Mesmo com o litro batendo na casa dos R$ 7 em muitas cidades, o quilômetro rodado não é reajustado há anos. E assim irá permanecer, segundo os representantes da diretoria do banco.

Por mais estranha, a defasagem do quilômetro rodado rivaliza com outras duas questões levantadas na mesa. Há casos de colegas que ficam sabendo que respondem a um processo administrativo, porque são preteridos em alguma fase de seleção.

Fato: relatos de casos foram trazidos pelos dirigentes de colega que só soube que respondia a um processo administrativo ao ser impedido de fazer entrevista para cargo comissionado para o qual concorria.

Mas a falta de noção da diretoria do Banrisul não ficou por aí. Colega com apenas um pulmão serve de relato que liga o caso único com a prática. Comprovou que não tinha como trabalhar presencialmente, com laudo de seu médico pessoal, mas o banco, o laudo do banco, era que esse colega deveria voltar ao presencial.

Os dirigentes ponderaram que é preciso ter muito cuidado agora porque a pandemia ainda não acabou e que é preciso cuidar das vidas. Cuidar do Banrisul público passou a representar a vida dos empregados também.

Confira resumo dos assuntos tratados com a diretoria do Banrisul

Processo seletivo

Não há critério para promoções. Como se não bastasse, qualquer motivo é usado para demissão. Colegas estão sendo barrados de concorrer em seleção interna sem saber o motivo. Descobrem que não podem avançar no processo seletivo porque está travado em processos administrativos. O banco ficou de avaliar os casos e dar uma resposta em próxima reunião.

Caixas fixos

Os dirigentes cobraram novamente do banco o cumprimento de acordo coletivo quanto à presença de ao menos um caixa fixo por agência. Isso não está ocorrendo. E esse descumprimento de acordo já é recorrente. O banco continua utilizando os caixas eventuais. O banco alega que ainda há cerca de 90 caixas fixo em home-office, o que traz dificuldades. Dirigentes relataram caso de colega que é caixa eventual e ainda acumula funções de tesouraria, tendo sempre cumprido trabalho presencial durante a pandemia.

Reajuste do km rodado

A falta de colegas em agências por conta da pandemia e por causa do PDV tem elevado a necessidade de o banco reajustar algumas verbas fixas. Imagine que o quilômetro rodado não é reajustado há anos no Banrisul. Neste período, quanto a gasolina subiu? E por quantos anos o Banrisul esteve ameaçado de privatização? Todos, né? Talvez não saibamos quanto subiu, mas sabemos que há locais no Estado em que a gasolina custa até R$ 7 ou um pouco mais. O banco voltou a dizer que não irá reajustar o km rodado. É preparação para a venda a todo o vapor, que fala, né?

Diárias

Alguns colegas, por causa da distância do deslocamento, precisam pernoitar na cidade para a qual se deslocam. E têm que tirar dinheiro do próprio bolso porque a diária não cobre as despesas de alimentação e de pernoite. E a coisa só piora: tem menos ônibus por causa da pandemia em cidades do interior do Estado. Colegas estão tendo que alugar van ou fazer carona solidária. Por isso, os dirigentes reivindicam pagamento em dinheiro para esse deslocamento. Por mais absurdo que possa soar, temos que dizer: vai chegar o momento em que o Banrisulense irá pagar para trabalhar. Ou melhor, vai pagar para ajudar a vender o banco.

Auxílio moradia para GNs de outros estados

Os gerentes de negócio (GNs) que se transferiram para Santa Catarina enfrentam uma dificuldade a mais por conta de um período de transição de um modelo de indenização para outro. Eles precisam cumprir a totalidade do estágio e estão numa espécie de limbo. Pagam aluguel muito caro para morar e ficam sem auxílio-moradia ou esta verba é insuficiente para cobrir o aluguel. Ora, esse é o caso de cerca de 20 colegas, mas o assunto não aparece pela primeira vez para os representantes da diretoria do Banrisul na mesa de negociação. A resposta à demanda é que o assunto está em discussão, mas ainda não há uma definição para o problema.

Serraria

Há rumores de que a Sede Serraria na Zona Sul de Porto Alegre, um centro de lazer e formação histórico, já teria valor e data para ser vendida. Os dirigentes representantes dos Banrisulenses colocaram o assunto na mesa. Voltaram a cobrar dos representantes da diretoria uma resposta para ofício que já foi enviado à direção, solicitando uma resposta. Mas não houve. A diretoria responde com evasivas, como “não tem uma definição”. Nem mesmo a insistência faz mudar o discurso. O banco alega que não pode responder nem que sim, nem que não nem talvez se não há definição de venda. A questão é que, com a Banrimar, ocorreu o mesmo. Não havia “definição” até que a venda foi anunciada por meio de notícia em um jornal de Porto Alegre. Com a Sede Serraria vai ocorrer o mesmo? O desmonte segue. A imagem do Banrisul é atacada e facilita a venda.

Demissões imotivadas

Os dirigentes integrantes do Comando Nacional dos Banrisulenses relataram casos de demissões sem justa causa no Banrisul num ritmo e numa quantidade que nunca houve no banco público. E quando se fala em demissões sem justa causa, o novo normal padrão é inadmissível. Foi sugerido então uma reunião com alguns dos representantes sindicais no RH do banco para avaliar cada caso de demissão realizado pelo Banrisul nos últimos tempos. Uma data ficou de ser confirmada para a semana que vem.

Chamamento de estagiários

Mais uma questão de grande interesse. Os Banrisulenses que estão cheios de trabalho nas agências, no presencial ou no home office, vão continuar assim. E talvez a coisa até piore. O banco iniciou um processo de chamamento de estagiários após o resultado da seleção de 9/11. Sim, estagiários. É claro que o banco tem uma tradição de formar e dar a primeira oportunidade para muitos estagiários que precisam dessa força. Mas um banco público que quer permanecer público faz concurso.

Saiba aqui o que o governador Eduardo Leite disse sobre a venda da Banrisul Cartões.

 Fonte: Imprensa SindBancários

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