Toda a força e respeito à história de lutas do BRDE público

Live comemora 60 anos do BRDE, exalta seu papel público, sua solidez e sua vocação para investir em projetos inovadores e ajudar a Região Sul a se desenvolver e superar crises

Um banco que no contexto atual está ameaçado de deixar de cumprir seu papel público de desenvolver a Região Sul. Um banco com uma história de 60 anos e que tem em seus funcionários a base de um compromisso social com a superação de crises financeiras e de promover a igualdade.

Foi neste contexto que a “Live 60 anos de BRDE: A história de luta dos(as) trabalhadores(as) por direitos e em defesa do banco público” foi ao ar na noite da quarta-feira, 15/6, nas redes sociais do SindBancários. Além de demonstrar em números a importância do BRDE para a economia do Rio Gr\ande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a live registrou importantes lutas em defesa do BRDE (Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul) para mantê-lo público.

Assista à íntegra da live dos 60 anos do BRDE transmitida na quarta-feira, 15/6.

Não fosse o BRDE e a pandemia teria sido muito pior para a economia dos três estados. Não fosse o BRDE e o trabalho dos seus funcionários, e, quem sabe, investimentos autossustentáveis, empresas de pequenos e médio porte não garantiriam empregos há 60 anos.

E mais: não fosse a atuação dos colegas bancários e o BRDE poderia ser extinto em 1989, naquele que foi um dos marcos da luta e da unidade dos trabalhadores em defesa dos bancos públicos sob a ameaça de governos de plantão como agora correm riscos o Banrisul, a Caixa e o Banco do Brasil.

A história do bancário do BRDE, Henrique Grazziotin, tem sua história de trabalhador no BRDE confundida com sua própria vida. Formado em Economia, Henrique contou em sua participação na live que começou a trabalhar no BRDE aos 20 anos como estagiário. Estudou economia e agora completa dez anos de serviços prestados ao desenvolvimento do Rio Grande do Sul.

Ele conta que o BRDE se adaptou rapidamente á crise da pandemia. Passou a ofertar crédito para capital de giro com maior ênfase e garantiu a manutenção de muitos empregos. “Hoje temos uma estrutura diferente daquela de quando entrei no banco [em 2011]. Cumprimos as nossas funções próprias de bancos públicos que os bancos comerciais não conseguem: de servirem como instrumento de política pública” salientou.

Desenvolvimento sustentável, projetos de inovação e capital de giro em momentos de crise fazem do BRFDE um banco fundamental. “Agora na pandemia, tivemos uma atuação essencial no capital de giro, conseguindo manter empresas, produtores rurais, cooperativas e agricultura familiar tudo rodando com a nossa atuação”, explicou.

A ameaça de liquidação extrajudicial em 1989, a inclusão do BRDE no Regime de Recuperação Fiscal em 2017 são dois dos marcos de lutas dos trabalhadores apontados como fundamentais na história mais recente do banco pública. “Nos últimos 10 anos, tivemos um período de muita organização dos trabalhadores e de conquistas. E a atuação forte do Sindicato na defesa dos nossos direitos e na conquista de pautas históricas foi decisiva”, acrescentou ele.

O golpe de 2016 redefiniu o papel do BRDE

O economista do DIEESE/RS, Ricardo Franzoi, trouxe números que comprovam aquilo que os colegas do BRDE já sabem. A importância do banco para a vida de muitas pessoas. Mas há um contexto em que o BRDE está inserido e que está diretamente ligado ao que aconteceu em 2016.

Em sua apresentação na live “Destaques do Balanço do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), um banco de políticas públicas”, Franzoi aponta o golpe de 2016 como a origem de muitos problemas socioeconômicos que serão legados ao próximo presidente. Que fique claro: Franzoi credita à atual direção política do Brasil os problemas graves que estamos vivendo.

O golpe de 2016, segundo Franzoi, foi o divisor de águas que redefiniu o papel do BRDE em relação ao desenvolvimento da Região Sul. “Nos colocaram numa trajetória que está desaguando em todos esses problemas que estamos vivendo. Principalmente a questão de desemprego que está batendo nos 20 milhões. Essa vai ser a herança maldita, talvez, para um próximo governo em 2022”, avaliou ele.

A questão é de longo prazo. E global também. Resulta de políticas neoliberais que enfraquecem bancos públicos, atacam servidores públicos, arrocham salários e deixam a economia estagnada. “Não é só aqui no Brasil. O mundo todo está vivendo a partir dessas políticas neoliberais que nos afundaram e nos colocaram numa crise muito forte”, explicou.

Veja dados sobre o BRDE na apresentação do DIEESE durante a live

> Fundado em 1961

> Presente em 1.088 municípios do RS, SC e PR.

> 468 funcionários

> 35.350 empregados gerados ou mantidos em 202

> 33.324 clientes ativos

> R$ 562,7 milhões de financiamento para micro e pequenas empresas em 2020

> R$ 261,9 milhões para os municípios em 2020, aumento de   92% em relação ao ano anterior.

> R$ 175,4 milhões no fundo geral de turismo, 225% superior a 2019, tornando=se o maior repassador de recursos para o setor.

> 1.721 micro e pequenas empresas obtiveram financiamento com o BRDE, número de clientes quatro vezes maior do que em 2019.

> Desde 2013, o BRDE financiou R$ 912 milhões em 375 projetos inovadores da Região Sul. Em 2020, o banco atingiu seu maior valor contratado desde 2017, crescimento de 27,5%.

Esses números mostram a importância do BRDE para o país. Franzoi tem um diagnóstico bem positivo a respeito da saúde do BRDE.

“O BRDE é uma instituição saudável, saneada, de alta rentabilidade e baixíssima inadimplência. Todos aqueles fatores que são importantes para um banco. Tem todas as condições de seguir e ser importante para entrar numa trajetória de crescimento, se houver mudança de governo [na eleição do ano que vem]”, avaliou Franzoi.

O BRDE tem um papel fundamental na mudança de escala de empresas. Quer dizer, financia pequenas empresas para que elas possam crescer e empregar mais gente. “É fundamental um banco que possa direcionar um crédito para fazer transição de escala de empresas de menor porte para maior porte quando pensamos numa economia no longo prazo”, acrescentou.

Uma carta de luta por direitos e por respeito no BRDE

A diretora do SindBancários, Caroline Heidner, conduziu a live. Ao longo de sua mediação, repetiu a importância da luta de funcionários históricos, citou nomes de dirigentes fundamentais na história recente do BRDE e fez um elogio especial aos funcionários.

“Os 60 anos do BRDE mostram a força da instituição, mas, sobretudo, a força da organização dos funcionários. Seja no seu dia a dia., desempenhando as suas funções, seja na hora em que o banco é atacado se organizando e resistindo. Os funcionários do BRDE são a maior riqueza desse banco”, festejou.

Ao final da live, Caroline fez a leitura da “Carta Aberta à direção do BRDE”. A carta expõe o contexto da negociação do acordo Coletivo Específico do BRDE e faz ressalvas a respeito do aceite dos colegas ao cobrar maior respeito da diretoria com os trabalhadores.

“Por fim, registramos aqui que o aceite dos funcionários ao ACT alterado de forma desleal pelo banco não significa que foram relevados os desrespeitos cometidos. Pelo contrário! Pragmáticos, os funcionários apontaram para o futuro – querem um aditivo de teletrabalho à altura do que merecem e esperam uma mudança de postura dessa diretoria. Não aceitaremos mais retrocessos!”, finalizou o9 documento lido pela diretora Caroline Heidner ao vivo.

Leia a íntegra da carta aberta à direção do BRDE.

O presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, lembrou a importância da participação dos funcionários do BRDE nas lutas de toda a categoria bancária, da importância do Sindicato e dos delegados(as) sindicais no processo de garantir e ampliar direitos dos(trabalhadores(as).

“Nós [dirigentes] não somos o Sindicato. O Sindicato é os empregados dos bancos. Estamos à disposição para trabalhar para os bancários e fazer essa interlocução com os bancos. Falo isso para reforçar a importância da eleição de delegados sindicais. Os delegados sindicais são os representantes do BRDE no Sindicato. São importante ponte entre os trabalhadores e o Sindicato para ajudar o Sindicato fazer mais pelos trabalhadores do BRDE”, observou Luciano.

Clique aqui e se inscreva para a eleição de delegado sindical do BRDE

Fonte: Imprensa SindBancários

 

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