Sob chuva, FSR começa com marcha pela liberdade religiosa

Fórum Social das Resistências iniciou com ato e marcha do Largo Glênio Peres até Zumbi dos Palmares, na tarde do dia 21

Deus não é ódio, intolerância ou preconceito. Nas diferentes falas que se sucederam no carro de som que orientava a multidão no Largo Glênio Peres, Centro Histórico de Porto Alegre, na tarde terça-feira, 21/01, este discurso esteve presente. Deste modo, apesar da chuva, o evento reuniu centenas de pessoas ligadas a centrais sindicais, movimentos sociais, partidos políticos e fiéis de religiões de matriz africana, marcando o início do Fórum Social das Resistências.

O evento também celebrou a XII Marcha pela Vida e Liberdade Religiosa, com a multidão saindo do Largo Glênio Peres, pela Avenida Borges de Medeiros, e indo até o Largo Zumbi dos Palmares ao final da tarde. Presentes o ex-prefeito, ex-governador, ex-ministro e ex-presidente do SindBancários, Olívio Dutra, assim como lideranças como Maria do Rosário, Paulo Pimenta, Fernanda Melchiona e outras. O SindBancários também esteve representado pela diretora Ana Guimaraens.

Fórum Social Mundial
Este 2º Fórum Social das Resistências compõe o processo do Fórum Social Mundial (FSM). De terça-feira, 21/01, até sábado, 25, várias atividades serão realizadas para tratar do tema “Democracia, Direitos dos Povos e do Planeta”, visando unificar e orientar as ações dos movimentos sociais e iniciativas de resistência no Rio Grande do Sul, no Brasil e na América Latina.

O Fórum Social Mundial (FSM) está na memória da população de Porto Alegre. Se desta vez o evento não é tão grandioso como em outras oportunidades, Mauri Cruz, advogado e diretor executivo da Associação Brasileira de ONGs (ABONG), contextualiza. “Este aqui não é um Fórum Social Mundial. Nós estamos fazendo um fórum das resistências, que é temático-territorial. O Fórum Social Mundial acontece de dois em dois anos. O próximo acontecerá em 2021 no México. Este também é um evento sem nenhum recurso público, sem qualquer apoio internacional. É um fórum na raça, assim como foi em 2017”, explicou.

Mauri justificou a união das duas marchas: a de abertura do Fórum Social e a XII em defesa das liberdades religiosas. O 21 de janeiro já é um dia tradicionalmente consagrado a atos com esse perfil. “Esta marcha acontece em vários lugares do Brasil e aqui no estado é liderada pelos povos e religiões de matriz africana. A intolerância que esses grupos enfrentam tem base num racismo estrutural”, avaliou.

Representante do Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (FONSANPOTMA), o porto-alegrense Kafele Medusa observa que a mobilização dos fiéis de religiões de matriz africana em defesa da liberdade de culto trata-se de um imperativo histórico, uma obrigação. “Nosso povo foi perseguido uma vida inteira. Já fomos perseguidos pelos católicos, hoje são sobretudo os neopentecostais que nos atacam. Tenho que fazer esse registro, senão vai parecer que caminhamos com todo mundo e todos foram bonzinhos conosco. A história não é essa”, salientou.

Preconceito
Medusa indica que as reflexões construídas ao longo do Fórum constituirão um documento que será encaminhado a autoridades competentes e organismos internacionais. Sabendo que a institucionalidade muitas vezes é capturada por setores fundamentalistas, ele frisa que é preciso ir além. “Boa parte da população está sendo manipulada e agindo em nome de líderes religiosos mal intencionados. Eu mesmo já vivi casos de preconceito religioso com irmãs biológicas minhas”, contou.

Outras iniciativas
O FSResistências 2020 soma-se as outras iniciativas que estão sendo articuladas no âmbito do FSM, como o Fórum Social Panamazônico, que será realizado de 22 a 25 de março de 2020 em Mocoa, na Colômbia; o Fórum Social das Economias Transformadoras, que será promovido de 25 a 28 de junho de 2020, em Barcelona, na Espanha; e o processo de articulação do próximo Fórum Social Mundial, que acontecerá no final de 2020 ou início de 2021, na cidade do México.

Comitê Organizador
Fazem parte do Comitê Organizador: Abong, Ação Educativa, CAMP, CEAAL, CEBs, Clacso, CNJP, CUT, CTB, UGT, FALP, FMEducação, FS das Pessoas Idosas, FMML, FREPOP, FUNPOTPMA, Ibase, IDhES Instituto, Instituto Ethos, Instituto Parrhesia, IPF, Geledés, MMM, MNLM, Movimento Comunitário, Profetas da Ecologia, RECID, SEMAPI, Sindicato dos Artesões, UBM, UNEGRO, UNIVENS, Vida Brasil e VPoa.

Fonte: Imprensa SindBancários (Caio Venâncio, texto e fotos), com informações de CUT-RS e Sul 21

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