Site informa que presidente da Caixa quer meter a mão na nossa PLR

Pedro Guimarães teria dado ordem de fazer provisão extraordinária de R$ 7 bilhões para reduzir o lucro líquido em 60%

O site Uol, ligado ao Grupo Folha, apurou, com exclusividade, que o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, está preparando provisão para devedores duvidosos (PDD) extraordinária. Diz a notícia publicada às 8h19, da quarta-feira, 27/2, que o valor pode atingir R$ 7 bilhões. Ainda segundo a reportagem, as informações foram obtidas pela Agência Reuters, com “duas fontes com conhecimento no assunto”.

O impacto seria devastador no lucro líquido do banco. Poderia reduzir o lucro de esperados R$ 16 bilhões para menos de R$ 10 bilhões, cerca de 60% menos. Os empregados da Caixa já fizeram circular a notícia e já manifestam sua preocupação com a redução dos valores que têm a receber até 31 de março como pagamento da segunda parcela de PLR. A Caixa costuma ser o último dos grandes bancos a divulgar seu balanço financeiro anual.

Leia aqui a reportagem publicada no site Uol

“Se efetivada, a medida deve reduzir o lucro anual da Caixa para menos de 10 bilhões de reais. Em 2018 até setembro, o lucro líquido do banco tinha sido de 11,5 bilhões de reais e a expectativa do próprio banco era de que esse montante subisse para ao redor de 16 bilhões até dezembro, disse a primeira fonte”, informa a Agência Reuters.

O pedido teria partido do próprio presidente da Caixa. Sua justificativa seria absurda e passível até de questionamento jurídico. Guimarães, que tem sido alvo de denúncias de assédio moral e arrogância por parte de colegas que trabalham na sede da Caixa em Brasília, deu a ordem de reter valor do lucro líquido com a justificativa de que vai adotar uma estratégia mais conservadora em razão de “possíveis prejuízos do maior financiador imobiliário do país, que tinha uma carteira de 440 bilhões de reais em setembro”, acrescenta a reportagem.

Essa justificativa é furada se compararmos a inadimplência média dos últimos anos e que não teria subido na Caixa. A reportagem também diz que: “De acordo com dados dos balanços da Caixa, operações imobiliárias classificadas pelo banco com ratings de ‘D’ a ‘H’, com maior chance de não pagamento pelo tomador, equivaliam em setembro a cerca de 6,6 por cento da carteira total do setor, uma proporção praticamente estável em relação a um ano antes”.

Medida absurda e autoritária

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, chamou de absurda, autoritária a medida caso ela venha a se concretizar. “Os colegas estão entrando em contato com o Sindicato atrás de notícias sobre esse mão grande que a direção está querendo botar no bolso dos empregados. Ora, nos últimos dois anos, houve redução de pessoal, sobrecarga de trabalho e, graças à eficiência dos colegas da Caixa, o lucro deveria subir novamente. Isso é assédio coletivo e pode atentar contra decisões de gestões anteriores”, lamentou Gimenis.

“Se confirmada a tunga na PLR dos trabalhadores, avalia o presidente, o movimento sindical em todo o país deverá convocar reuniões para avaliar medidas jurídicas cabíveis. Temos que avaliar se isso vai acontecer mesmo. Se for o caso, iremos ver se o presidente não está descumprindo algum acordo internacional de provisão”, avaliou o presidente do SindBancários.

Tem fraude o ou não, presidente? Responda!

Uma das fontes da Reuters chegou a levantar uma questão delicada sobre essa espécie de intervenção autoritária do atual presidente da Caixa no exercício e decisões contábeis da gestão anterior. “Entre altos diretores da Caixa envolvidos na confecção das demonstrações contábeis, a ordem de Guimarães está sendo interpretada como uma desautorização às práticas adotadas até a virada do ano, que tinham aval de auditores independentes, do Banco Central e do Tribunal de Contas da União (TCU)”, refere a reportagem.

 

 

“Mas é pior do que isso, ele (Guimarães) está mudando a prática contábil sobre uma gestão que não é dele”, disse a fonte. “Se fosse fraude, ele deveria comunicar isso para as autoridades competentes, mas não é o caso”, disse a primeira fonte.

Preparando a venda de ativos?

O SindBancários tem denunciado, desde 2016, que a sobrecarga de trabalho, fechamento de agências, redução de quadro de pessoal e aumento da cobrança por metas abusivas são parte de uma estratégia de desmonte do único banco 100% público do país. Com a ideologia privatista “lobo de Wall Street”, encarnada na figura do ministro da Economia, Paulo Guedes, do qual o presidente da Caixa é um representante, a estratégia é produzir notícias ruins.

A ideia é facilitar o fatiamento da Caixa e ir vendendo aos pedaços tudo o que puderem. A fome dos lobos de Wall Street não tem limite. Eles querem entregar a loteca, seguros, cartões da Caixa. Querem rapinar tudo.

Reduzir o lucro é mais um ataque ao banco. Com menos funcionários, com redução drástica de crédito a juros mais acessíveis, cria-se a sensação de que a Caixa não atende bem, é ineficiente e, por isso, tem que ser vendida. Velha tática privatista que agora é feita com a força bruta do governo Bolsonaro. Colegas da Caixa, é tempo de seguir na luta pela Caixa 100% pública.

Crédito foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Fonte: Imprensa SindBancários

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