Sindicato realiza ato de esclarecimento sobre o modelo digital do BB que reduz postos de trabalho e precariza atendimento, sexta, 8/7

Tente andar pelo Centro de Porto Alegre e procure pagar uma conta superior ao valor do seu limite bancário diário. Você precisará percorrer algumas agências antes de achar um caixa que possa lhe atender. Você terá dificuldades inclusive para saber o que aconteceu, porque os avisos colados nas portas das agências nada explicam sobre o motivo de os caixas estarem fechados. Apenas dizem que fechou e que os clientes devem caminhar mais procurar uma agência que ainda tenha caixas.

Para buscar romper esse cerco de falta de informação, dirigentes do SindBancários chamam os colegas a participarem do Ato de esclarecimento do modelo digital do Banco do Brasil e de denúncia de fechamento de postos de trabalho. A concentração será a partir do meio-dia, em frente à agência Senador Salgado Filho, nesta sexta-feira, 8/7.

Ato de esclarecimento do modelo digital do Banco do Brasil e de denúncia de fechamento de postos de trabalho

Sexta-feira, 8/7 | Meio-dia | Agência Senador Salgado Filho (Avenida Senador Salgado Filho, 135, Centro de Porto Alegre)

Colegas, é importante a participação de todos e todas para mostrarmos a importância de o Banco do Brasil manter-se público, ampliar o postos de trabalho e continuar a atender os interesses da população. O banco digital tem reduzido postos de trabalho, extinguindo caixas e precarizando o atendimento à população.

A diretora da Fetrafi-RS e funcionária do Banco do Brasil, Luiza Bezerra, escreveu um artigo explicativo sobre essa tendência de os bancos migrarem para o digital. A questão que a diretora levanta é saber se um banco público como o Banco do Brasil precisa atuar como banco privado, uma vez que tem uma função social muito clara que é combater a desigualdade social.

BB DIGITAL: BOM PRA QUEM?

O Banco do Brasil vem implementando nos últimos meses seu novo modelo de atendimento aos clientes: o BB Digital. Trata-se da retirada das carteiras Personalizado (PF) e Empresa e Pequena Empresa (PJ) das agências, colocando-as em Escritórios Virtuais. O BB tem vendido o modelo como se fosse melhor tanto para o cliente como para o funcionário. Será mesmo?

Num mundo em que a tecnologia está cada vez mais presente no nosso dia a dia, muitas vezes facilitando a resolução das mais variadas questões, não é possível que sejamos contra a utilização dos canais virtuais, inclusive, pelos bancos. O problema não está no digital, e sim no modelo de banco que está por trás de sua implementação, semelhantes em todas as instituições financeiras: menos funcionários, mais clientes, mais metas e voltado para a alta renda. Esse modelo vem acompanhado da prática realizada pelo Banco do Brasil de jogar os clientes de baixa renda ao correspondente bancário, que nada mais é que uma terceirização (má) camuflada de trabalho bancário.

Todos esses fatores juntos indicam uma redução de postos de trabalho dentro do BB e de outros bancos que têm adotado um modelo semelhante, bem como o fechamento de mais agências bancárias (em Porto Alegre, somente nesse início da implementação, irão fechar 2 agências do BB). Os dados demonstram que essa redução de pessoal já está acontecendo: desde o final de 2012 até março de 2016, o BB acabou com 4.318 postos de trabalho. As contratações realizadas no período não compensaram as demissões e nem os pedidos de adesão ao Plano de Aposentadoria Antecipada de 2015.

Ao criar esse modelo, o BB se espelha nos bancos privados, como Itaú e NU Bank. Enquanto no primeiro temos presenciado problemas de superlotação das agências por falta de funcionários e a centralização dos canais digitais apenas em São Paulo, no segundo sequer temos bancários. Ou seja, o modelo digital tem servido para atacar fortemente os postos de trabalho dos bancários e bancárias, além de precarizar o atendimento à população de baixa renda, principal cliente presencial das agências. Além disso, o Banco não está dando opção real para seus clientes: ou migra para o BB digital ou fica com um atendimento sem gerente de contas nas precarizadas agências. O BB, sem levar em conta a questão cultural da população brasileira, a qual boa parte ainda prefere o contato presencial, está fazendo com que as agências fiquem ainda mais lotadas e, agora, com menos pessoal para dar conta desse atendimento. 

O Banco do Brasil precisa retomar seu papel de banco de público, ajudando a desenvolver o Brasil, garantindo crédito acessível a todos, fomentando as políticas sociais do Estado e valorizando seu funcionalismo. Por isso, somos contra qualquer modelo que vise à redução dos postos de trabalho, o fechamento de agências, o aumento das metas abusivas e a segregação discriminatória de clientes. Precisamos utilizar a tecnologia a nosso favor, facilitando o relacionamento com cliente; porém, defendendo o modelo de banco que queremos: com mais funcionários, sem fechamento de agências, com o fim da terceirização do trabalho bancário, sem a imposição de metas e a serviço do desenvolvimento nacional.

Luiza Bezerra, diretora da FETRAFI/RS, funcionária do Banco do Brasil e integrante da Coordenação Nacional da CTB Bancários

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER