Sindicato dos Bancários do RJ completa 90 anos de luta

Debate sobre a atual conjuntura do Brasil e as perspectivas da categoria neste ano marcaram a data festiva

Protagonista das grandes lutas da classe trabalhadora, o Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro (Seeb/RJ) comemorou, na última segunda-feira, 27/01, seus 90 anos, completados em 17 de janeiro. O evento realizado no auditório da entidade foi marcado pelo debate sobre a atual conjuntura econômica, política e social, e as perspectivas da categoria para este ano. “O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro contribui para a luta da categoria não apenas no Rio. É fundamental para a manutenção da unidade nacional e para as conquistas em todo o país”, afirmou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira,que participou da comemoração. “A instituição está de parabéns, mas também as bancárias e bancários que fazem parte de uma entidade combativa, que os representa e defende verdadeiramente seus direitos”, completou a presidenta da Contraf-CUT.

Organizando a luta
A presidenta do Seeb/RJ, Adriana Nalesso, relembrou os 90 anos da história do Sindicato e frisou que a entidade sempre se pautou pela organização das lutas da categoria e garantia de inúmeras conquistas ao longo deste período. “O sindicato sempre participou ativamente das mobilizações nacionais da sociedade, contra a ditadura, pela democracia e por justiça social. Defendeu o fortalecimento desta atuação de modo a impedir ameaças aos direitos democráticos, corte de direitos socais e do investimento público, sucateamento e entrega das empresas estatais ao setor privado e de submissão ao capital internacional”, afirmou.

Interesses dos trabalhadores

Para Vinícius de Assumpção Silva, vice-presidente da Contraf-CUT, a história do Seeb/RJ se une à história de lutas da classe trabalhadora. “Esta entidade sindical cumpre fielmente o seu papel de representar os interesses da categoria bancária e da classe trabalhadora. Sinto um misto de orgulho e realização por ter tido a oportunidade de dirigir este sindicato, num momento superimportante, no qual os trabalhadores saíram às ruas para recuperar seus direitos e avançar em novas conquistas. O significado dos 90 anos do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro é realização”, afirmou.
A história do Seeb/Rio de Janeiro é marcada por lutas e resistência. Durante o evento, o ex-presidente do Seeb/RJ, Aluízio Palhano, torturado e morto em 1971 pela ditadura militar, foi homenageado com a entrega de uma placa comemorativa dos 90 anos ao integrante do Grupo Tortura Nunca Mais, João Costa, que representou a família do ex-dirigente. Também foram homenageados com a placa comemorativa ex-presidentes da entidade, da década de 1970 a 2015, entre eles, Cyro Garcia, Fernanda Carisio, José Ferreira, Vinícius Assumpção e Almir Aguiar. Participaram ainda da comemoração dirigentes de centrais sindicais, como a CUT, CTB e Intersindical e de outros sindicatos.

Anos de chumbo
“O sindicato sempre se destacou, desde os anos de chumbo, com atuação da direção, liderada por Aluísio Palhano, preso, torturado e assassinado pelos militares, como nas lutas pela fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores), da Contraf-CUT, em defesa dos bancos e das empresas públicas, e das muitas conquistas para os bancários. Nossa maior luta é manter as conquistas e manter nossa resistência”, avaliou Almir Aguiar, secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT.
“Fazer desse sindicato um instrumento de luta para transformar a sociedade mais justa, democrática e igualitária tem sido fundamental para dar um gás em nossos corações por dias melhores, independente da atual conjuntura diante de um governo neofascista. Vamos resistir, porque juntos somos fortes”, completou Almir Aguiar.

Ataques do governo

O debate também contou com a participação do professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Sicsú, que previu a continuidade da estagnação econômica como consequência das medidas já tomadas pelo governo em 2019 e as previstas para serem colocadas em prática este ano, como as propostas de emendas constitucionais (PECs), como cortes no investimento público, de salários dos servidores e outros projetos a serem votados pelo Congresso Nacional. “Nenhum país sai do fundo do poço e passa a crescer com um corte tão profundo no investimento público. E sem a retomada do crescimento e do consumo, nenhum empresário vai investir no aumento da produção. As medidas do governo farão, muito provavelmente, com que a atividade econômica se mantenha patinando como está”, avaliou.

CCT
Juvandia Moreira defendeu a unidade dos bancários para, na campanha salarial deste ano, preservar os direitos contidos na Convenção Coletiva de Trabalho a ser negociada com a Fenaban. “Nossa unidade é a nossa maior força”, argumentou a presidenta da Contraf-CUT ao defender que a mesma unidade deve ser construída pelos sindicatos com diversos setores da sociedade, para impedir o aprofundamento do projeto do governo de mais retrocessos nos direitos sociais, sucateamento de empresas públicas, como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras e Eletrobras, entre outras. “Temos que saber mostrar para a sociedade que o governo está concentrando a renda, aumentando a miséria, a fome, cortando drasticamente as verbas de setores estratégicos para o desenvolvimento do país e desmantelando os bancos federais, que são instrumentos de fomento”, defendeu.

 

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