Sindicato desafia Leite a debater privatizações

Presidente do SindBancários esteve no Programa Esfera Púbica da Rádio Gaúcha e voltou a questionar governo sobre desmonte do Banrisul para privatização

O governo Eduardo Leite perdeu mais uma chance de debater o destino das empresas públicas no programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, na sexta-feira, 12/7. De novo, o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, ficou sozinho na bancada do Estúdio Cristal, no Centro de Porto Alegre, entre os apresentadores, os jornalistas Juremir Machado da Silva e Taline Opptiz. De novo, o assunto foram os movimentos do governador Eduardo Leite depois de derrubar a exigência de plebiscito para privatizar o setor elétrico (CEEE, SulGas e CRM) e os novos movimentos de desmonte do Banrisul para entregar o banco público dos gaúchos.

No outro programa, em 11 de abril , representantes do governador se ausentaram da bancada. E o debate não ocorreu sobre as privatizações e as ameaças ao Banrisul. Então, o assunto variou. Além das privatizações, a conversa abordou a reforma da Previdência e a famigerada MP 881, aquela que libera o trabalho aos sábados e que teve o movimento do deputado federal gaúcho, Jeronimo Goergen, atacando direitos dos bancários.

Assista à integra do programa e a participação do presidente do SindBancários, Everton Gimenis, no programa Esfera Pública

O assunto privatizações rendeu boa parte dos 20 minutos do bloco inicial do Esfera Pública. Gimenis comparou os compromissos do governador Leite durante a campanha eleitoral e a palavra que foi quebrada após o o governador assumir o Estado. “Infelizmente, no nosso entender, o governador foi mentiroso. Ele tinha se comprometido na Campanha Eleitoral em debater o plebiscito e agora tira dos gaúchos as empresas públicas sem democraticamente debater com o povo gaúcho”, explicou Gimenis.

Os sem-projetos

Para o presidente do SindBancários, o governador está desmontando o Banrisul, já vendeu ações e mais recentemente lançou fato-relevante em que anuncia oferta de metade menos uma ação ordinária (com direito a voto) à venda até setembro na Bolsa de Valores. “O governador Leite chamou o seu antecessor de criminoso por ter vendido ações do Banrisul para colocar no custeio e anunciou que vai fazer o mesmo, pendurando o banco em uma única ação ordinária. É um perigoso jogo de resta um”, explicou Gimenis.

Explica-se. Leite disse que José Ivo Sartori havia feito um negócio criminoso ao vender em dois pregões da B3 ações do Banrisul para colocar o dinheiro no custeio em abril 2018. Quer dizer, o dinheiro arrecadado por Sartori teria sido usado para pagar salários porque não havia projetos de investimentos. O problema é que Leite também não tem projeto de investimento e vai botar dinheiro no custeio.

O jornalista Juremir Machado da Silva chegou a perguntar pelo Banrisul. A resposta do presidente alinhou ao risco da herança do levantamento da obrigatoriedade de plebiscito para venda do Banrisul combinado com um processo de desmonte do Banrisul que a ataca a imagem do banco público dos gaúchos. “A propaganda de governo só mostra um lado. Entendemos que é a política errada. O Banrisul é um banco que repassa dividendos para o Estado e apresenta vantagens em termos de taxas e juros para o desenvolvimento. O governo está fazendo uma privatização disfarçada”, enumerou.

Risco Assembleia

Assim que o presidente Everton Gimenis acrescentou o risco Assembleia Legislativa em relação ao Banrisul, a jornalista Taline Opttiz, atalhou: “Não tem voto para derrubar o plebiscito para o Banrisul [na Assembleia Legislativa]. Só a bancada do Novo é abertamente favorável à venda do Banrisul”, afirmou a jornalista.

De fato, o Banrisul é forte no Interior do Estado, tem uma marca muito forte vinculada ao povo gaúcho. Pesquisas chegam até a referir que o banco público dos gaúchos tem apoio de permanecer púbico de 79% da população. “O Sindicato tem dito para os Banrisulenses que a gente precisa ficar atento. Precisamos defender o Banrisul em cada agência em cada conversa com os clientes”, advertiu Gimenis.

Consenso sobre os ataques da reforma da Previdência

Assim que, de novo, o jornalista Juremir Machado da Silva interrompeu a conversa para falar de um outro tema, a reforma da Previdência entrou em pauta. Ele anunciou que mais um ataque da PEC 06/19 havia sido amenizado na Câmara dos Deputados. O tempo mínimo de contribuição para homens se aposentarem havia caído de 20 para 15 anos, quer dizer, voltado à regra que era antes na votação dos destaques após a aprovação da PEC no Plenário da Câmara, na quarta-feira, 10/7.

De novo, o consenso da bancada do Esfera Púbica era de que o grande problema seria conseguir aposentadoria integral ante uma queda de até 60% no valor dos benefícios. “Desde que a PEC foi apresentada, temos mostrado aqui no programa os problemas para os trabalhadores. Até agora, tudo que apontamos tem sido modificado”, alertou Juremir, que ao final do primeiro bloco disse que o governo Leite havia sido convidado para o debate.

Trabalho aos sábados para os bancários

Fato. Gimenis disse que soube de um dado que 79% dos homens não conseguiriam se aposentar caso o tempo de contribuição não baixasse cinco anos. Aliás, o presidente do SindBancários esteve na Capital do país para organizar uma frente de luta contra mais um ataque do governo federal aos trabalhadores. A MP 881, a chamada MP da Liberdade Econômica, foi aprovada na Comissão Mista na quinta, 11/7, da Câmara dos Deputados.

Gimenis referiu que o relator da MP no Congresso, o deputado federal Jeronimo Goergen, “traiu os bancários”. Ele incluiu o fim do repouso remunerado aos sábados, domingos e feriados para os bancários, o que altera a legislação que garante a jornada de seis horas dos bancários de segundas a sextas-feiras. “Estão chamando essa MP de minirreforma trabalhista. Ela ataca a jornada de diversas categorias. Os bancários não estavam. Mas o deputado federal Jeronimo Goergen, estranhamente, a incluiu. Vamos fazer uma campanha nacional de denúncia e dizer que um deputado federal gaúcho quer acabar com a nossa jornada de trabalho”, finalizou Gimenis.

Fonte: Imprensa SindBancários

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