Sindicato comemora 85 anos destacando a união para enfrentar tempos difíceis

Ao contrário de aniversários anteriores, a festividade pelos 85 anos do SindBancários, comemorada na quinta-feira, 18/01, na sede do Sindicato, foi marcada pela consciência da grave crise política e os ataques aos direitos trabalhistas em todo o país. Em sua fala, antes de cortar o bolo do aniversário no Salão de Festas do Sindicato, o presidente da nossa entidade saudou os presentes, pediu a união de todos e deu a palavra de ordem para o atual momento: “Nossa única opção é resistir e resistir”, afirmou Everton Gimenis. “Temos que nos inspirar na nossa própria história de luta, que mostra que já passamos por outros momentos difíceis. Também vamos ultrapassar a crise atual, sob o governo ilegítimo de Temer, mas vamos precisar de muita unidade e consciência da categoria”.

São 85 anos de afirmação de classe social, 85 anos se posicionando como um imperativo na mobilização dos bancários, 85 anos colocando-se como um pilar na luta da classe trabalhadora gaúcha e brasileira”, recordou. É esta mesma trajetória de luta que nos impele a continuar resistindo à avalanche que, após o golpe que retirou Dilma Rousseff do poder sem nenhum crime de responsabilidade atribuído a ela, rasga a CLT e joga o Brasil de volta ao início do século XX, quando os trabalhadores praticamente não tinham direitos legais.

Grande queda na arrecadação

De fato, o golpe procurou atingir e fragilizar todos os setores de apoio aos trabalhadores. Gimenis lembrou que as medidas aprovadas na Reforma Trabalhista do ano passado – por um Congresso Nacional com a pior composição da história – enfraqueceram profundamente as categorias profissionais organizadas e, no caso do SindBancários, derrubaram as verbas arrecadadas em cerca de 40%. “Mas ainda há gente que não entendeu o que isso significa em termos de retirada de direitos e garantias dos trabalhadores”, lembrou: “É como se o peru que vai ser jantado na ceia estivesse comemorando o natal”, brincou o presidente.

O sindicalista também pontuou que este ano de 2018 terá a primeira campanha salarial sob a vigência da Reforma Trabalhista. “O acordo coletivo assinado em 2016 felizmente teve validade por dois anos. Mas sua vigência termina em 31 de agosto deste ano, e aí teremos que enfrentar todo o peso da reforma trabalhista e as perdas que ela está causando”, acrescentou.

Campanha de sindicalização

Por isso mesmo, buscando garantir os serviços e as atividades hoje oferecidas aos associados, o Sindicato vai lançar em breve uma Campanha de Sindicalização. “Serão oferecidos muitos prêmios aos novos sindicalizados ou aos que estão se recadastrando”, disse ele. “A ideia é atingirmos até mil bancários, e a campanha deve se estender pelos próximos meses, com sorteios e distribuição de prêmios. Poderão participar os bancários que se associaram, ou se recadastraram, a partir o dia 1º de novembro último”.

Oficina literária: certificados aos participantes

Antes da festa pelos 85 anos do Sindicato, no final da tarde da quinta-feira foi realizada a cerimônia de entrega dos certificados aos participantes da 10a Edição da já tradicional Oficina Literária realizada pelo SindBancários, sob coordenação do romancista Alcy Cheuiche. O livro resultando do trabalho de 2017 – “A arte nos caminhos do Sul” – reuniu 11 contistas, a maioria deles bancários, e teve lançamento na última Feira do Livro de Porto Alegre.

Gimenis destacou o papel cultural desempenhado pelo Sindicato: “A cultura ajuda a elevar o nível de consciência das pessoas”, destacou. “Há pessoas que se aproximam do Sindicato por uma questão de participação política, por identificar ali um órgão de defesa de seus direitos e conquistas. Outros não vêm pela política, vêm pela literatura, pela música, pelo cinema, pelo esporte”, enumerou.

O orador da turma que recebeu os certificados foi o contista Devanir Camargo, também ex-presidente do SindBancários. Responsável por oito contos do volume,

Devanir disse que buscou inspiração na obra do escritor alagoano Graciliano Ramos. “Graciliano fez um paralelo entre o ato de escrever literatura e o trabalho das lavadeiras”, relatou. “As lavadeiras lavam as roupas, batem, torcem, e repetem o processo até que a roupa fique bem limpa. A palavra também precisa ser muito trabalhada – ela é feita para dizer, não para enfeitar, como ouro falso”, comparou Devanir. “A cultura tem um papel muito importante para ajudar a interpretar a realidade”, disse.

Na mesa da cerimônia, dividida com o ex-presidente do Sindicato e ex-governador Olívio Dutra e com Gimenis, também estava Alcy Cheuiche. O romancista falou de sua emoção ao longo dos dez anos em que ministrou a oficina literária dos bancários. Relembrou que passou pelo mandato de três presidentes – Juberlei Bacelos, Mauro Salles e Gimenis. “Nenhum deles jamais interferiu de qualquer modo no tema ou no tratamento dos assuntos”, destacou. Recordou ainda dos lançamentos em edições bilíngues e até trilíngues (português-espanhol e português-espanhol-guarani), realizadas em outros países.

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