SindBancários: reunião preparatória a Marcha Mundial das Mulheres debate realidade feminina no mercado de trabalho

Números apontam que as trabalhadoras precisam de políticas públicas de qualificação profissional e que as mulheres negras recebem os menores salários

Na atual crise brasileira, as primeiras pessoas a perderem seus empregos são as que não possuem qualificação. Por outro lado, como o índice de trabalhos com carteira assinada caiu  em todo o país, o que mais cresceu foi o trabalho das mulheres negras, porém em condições de total informalidade, ganhando pouco e sem direitos nem garantias. Os dados constam do trabalho “Mulheres, trabalho e reformas”, apresentado na manhã desta terça-feira, 12/02, no auditório do SindBancários, pela professora da UniCamp (SP) Marilane Teixeira. Ela dividiu a mesa do encontro – preparatório para a Marcha Mundial das Mulheres, que acontece anualmente desde 2000 – com a diretora de Mulheres da CUT-RS, Ísis Marques, e a deputada estadual Sofia Cavedon (PT).

Sem empregos qualificados

“A economia brasileira não está mais gerando empregos qualificados”, afirmou a professora. “No ano passado só o setor de Serviços empregou, e não a Indústria como um todo nem o Agronegócio, que alavanca a economia mas não dá empregos”, destacou. Com um foco voltado especialmente ao setor mais desfavorecido da população brasileira – as mulheres negras – a professora diz que o que mais avançou foi o trabalho por conta própria, sem carteira de trabalho, e mais entre mulheres do que entre os homens. “Os dados de 2018 mostram que a renda média das mulheres negras no país é de R$ 843,00, menor do que o valor do salário mínimo”, acrescentou.

Conforme Marilane Teixeira, atualmente 49% das mulheres negras brasileiras não conseguem contribuir para a Previdência. Outro número significativo trazido pela professora, sobre o perfil dos aposentados do INSS no ano passado, é que 98% dos aposentados rurais ganham um salário mínimo, e entre os trabalhadores urbanos, 80% atinge até o máximo de dois mínimos.

Produção de desigualdade

A deputada estadual Sofia Cavedon lembrou que hoje vive-se uma disputa de visões de mundo, e que os setores organizados precisam esclarecer que as políticas de direita – como a do atual governo brasileiro – produzem desigualdade. Ela focou na questão do professorado estadual, que ao final do governo Tarso Genro, utilizando uma política de completivos salariais, chegou-se próximo do piso nacional da categoria. “Hoje, tanto no governo Sartori quanto no atual, de Eduardo Leite, a situação salarial piorou e 76% da categoria teriam que receber o completivo para chegar ao piso nacional”, exemplificou.

“Com a atual apologia da crise, foram congelados os planos de carreira do funcionalismo”, lembrou a parlamentar. Entre outros desafios, atualmente a pauta de reivindicação foi rebaixada. Neste sentido, Sofia Cavedon lembrou um fato recente: “Num encontro de professores estaduais com as autoridades, havia um cartaz que dizia ‘Nenhum emprego temporário a menos’”, exemplificou a deputada. Abrindo ao panorama nacional, ela enfatizou que, ao mesmo tempo em que os trabalhadores e trabalhadoras sofrem todo o peso da crise, setores como o Judiciário, o Legislativo e as Forças Armadas seguem tendo reajustes e aumentos frequentes.

Fonte: Imprensa SindBancários

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER