SindBancários repudia ação de censura contra cartunistas gaúchos

Entre os artistas que tiveram seus trabalhos censurados na Câmara de Vereadores estão obras do chargista Bier, do SindBancários

Um dos mais conhecidos cartunistas em atividade no Rio Grande do Sul, o veterano Augusto Franke Bier, 60 anos anos, há décadas coloca seu humor crítico a serviço dos bancários e da população gaúcha e brasileira, nos jornais, folhetos de mobilização e no site do SindBancários de Porto Alegre e Região. E é pela relevância de seu trabalho de conscientização da população e defesa dos trabalhadores, assim como de mestres do cartunismo como Santiago e Edgar Vasques, entre dezenas de outros chargistas, que o SindBancários se solidariza com estes artistas, que tiveram uma exposição de seus desenhos retirada do saguão da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, menos de 24h depois de ter sido inaugurada, na segunda-feira, 02/09. (Abaixo, foto de Tania Meinerz dos cartunistas na abertura da mostra).

Forma de violência

Considero esta ação uma violência contra o trabalho do Bier e de todas estas verdadeiras feras do humorismo gráfico do estado”, disse o presidente do SindBancários. “Até parece que voltamos aos tempos da ditadura militar no país, quando jornalistas e cartunistas eram censurados e proibidos de realizar seu trabalho. O jornalismo crítico é fundamental para a defesa dos trabalhadores”, lamentou Everton Gimenis.

Inaugurada na segunda-feira, 02/09, a mostra de cartuns foi sumariamente retirada por ordem da presidenta da Casa, Mônica Leal (PP), que saiu-se com a seguinte explicação: “Não considero que houve censura. Essas ilustrações seriam desrespeitosas porque tratam do presidente do Brasil”, disse. Leal teria sido convencida a retirar a mostra artística por “denúncia” do vereador Valter Nagelstein.

Arte é questionadora

O bancário e jornalista Gilnei Nunes, cooordenador da Imprensa do SindBancários, lembra que uma das características da charge humorística é exatamente fazer a crítica sarcástica e humorada de autoridades públicas, sem exceção. “Não tem sentido esta censura”, afirmou, lembrando que em 2017 a exposição do “Queer Museu”, foi retirada do Santander Cultural, em 2017, por uma série de críticas – algumas inverídicas – de setores da extrema-direita, ainda no governo Temer. “São dois casos simbólicos, pois mostram que a arte, em várias de suas modalidades, principalmente quando questiona preconceitos e abuso de autoridades, por exemplo, muitas vezes são alvo de censura”, concluiu.

Repúdio do SindJor e ARI

Também a Associação Riograndense de Imprensa e o Sindicato dos Jornalistas do RS, assim como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) criticaram a ação autoritária da presidenta da Câmara de Vereadores. Vera Daisy Barcellos,presidenta do SindJor, ressaltou que é “inaceitável este tipo de ação abusiva sobre o trabalho dos artistas do humor, que fazem parte da imprensa”.

Em Nota Oficial, o Sindicato dos Jornalistas marcou sua posição contrária ao ato autoritário da Presidência da Câmara de Vereadores: “A solicitação do vereador emedebista à presidenta do Legislativo da capital, Mônica Leal (PP), imediatamente acatada por ela, é de clara censura e, por isso, absurda e inaceitável. A postura dos integrantes da mesa diretora do Legislativo municipal de Porto Alegre, que autorizaram a instalação e divulgação da mostra, vem ao encontro da cruzada liderada por Jair Bolsonaro contra a imprensa e contra os profissionais que fazem humor. É também usando lápis, pincéis e tintas, como arma contra o autoritarismo, a intolerância e a violência, que resiste o jornalismo de opinião”.

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