SindBancários oferece jantar, debate, música na Semana da Consciência Negra

 

Se há uma cultura-mãe que precisa ser valorizada, debatida, exaltada e conversada, esta é a cultura que os povos negros trouxeram para o Brasil há quase 400 anos. Sim, que se diga que é preciso debater, demonstrar e reproduzir que um país como o Brasil, com uma população negra acima dos 50%, ainda é muito marcada pela discriminação racial. Exagero? Nada disso. É o que o SindBancários quer mostrar a partir da terça-feira, 18/11, na Semana da Consciência Negra do SindBancários.

Mas como a estrutura de racismo velado ou explícito que vigora nas relações sociais do Brasil se manifesta entre os bancários? Aliás, por que falamos tanto de racismo se somos bancários? O que temos a ver com isso? Tudo. Se os bancários elegeram a luta por melhores condições de trabalho, as greves como instrumentos para buscar mais direitos e conquistá-los efetivamente, os resultados do II Censo da Diversidade, pesquisa realizada pela Fenaban, demonstram que, dentro das agências bancárias e nos mais diversos locais de trabalho, o que impera é uma cegueira em relação à discriminação à pele negra.

Quando juntamos pele negra e gênero (mulher), a cegueira é ainda maior. Na apresentação que realizou na primeira semana de novembro, a Fenaban sequer apresentou dados sobre as condições de trabalho das bancárias negras. No censo de 2008, havia somente 8% de mulheres negras em toda a categoria, em nível nacional. Essa situação é praticamente a mesma em 2014. Apesar de todos os dados sobre a população brasileira apontarem para a melhoria da escolaridade das mulheres negras, maior qualificação e capacidade de inserção no mercado de trabalho, os bancos privados continuam a barrá-las na contratação. Faltam oportunidades às mulheres negras no sistema financeiro.

“As atividades que vamos desenvolver na Casa dos Bancários na Semana da Consciência Negra procuram resgatar as condições dos negros e, sobretudo, das mulheres negras, não só no sistema financeiro. Precisamos valorizar a nossa cultura, mas também debatê-la para que possamos criar condições e propor soluções para valorizar e empoderar a nossa cultura”, analisa a diretora de Relações Sindicais e Organização de Base do SindBancários, Milena Silva de Oliveira.

Este ano a organização da Semana da Consciência Negra do SindBancários buscou inserir o Sindicato num calendário de lutas, que começa no dia 18/11, e vai até 13 de maio de 2015, quando será realizada a primeira Marcha das Mulheres Negras em Brasília. “A marcha é fundamental para que possamos compreender o sofrimento da população negra no Brasil. O objetivo é representar as 49 milhões de mulheres negras, 25% da população. Chegou a hora de ampliar a nossa ação política e dar visibilidade à nossa cultura e também aos processos de reprodução de desigualdade ”, acrescenta Milena.

Milena explica que novos termos estão sendo incorporados ao campo semântico do movimento e que ajudam a compreender a desigualdade e a discriminação contra a mulher negra. “A Semana da Consciência Negra do Sindicato vai trazer todas estas questões que estamos abordando em nossos debates, como o femicídio e a questão da moda”, acrescenta Milena. Entenda-se por moda também a exploração da mulher negra na grande mídia. Milena cita o programa da Rede Globo, “Sexo e as Nêga”, como exemplo do que é preciso desconstruir em termos de cultura e de visão sobre a mulher negra no Brasil. “O objetivo é desbranquear a mulher negra e valorizar a nossa cultura. Não queremos que a mulher negra fique estigmatizada. Ao contrário. O objetivo é dar visibilidade a uma cultura que ainda sofre muita discriminação”, explica Milena.

Turbantes, culinária e música

Essa visão cultural que mistura empoderamento, valorização e crítica estará representada na programação que o SindBancários preparou a partir da terça-feira, 18/11, na Casa dos Bancários. Haverá Oficina de Turbantes, comida nigeriana, debates.

Bancários, compareçam. Vamos pensar e aprender juntos a importância de desenvolvermos uma cultura de igualdade.

 

Programação da Semana da Consciência Negra


Terça-feira, 18/11


18h30: 
Oficina de Turbantes com o Coletivo Negração e a ONG Maria Mulher.


Oficineiras:
 Vanessa Silva, Camila Ribeiro, Fabiane Oliveira, Malizi Fontoura.

Após oficina, haverá debate sobre a 1ª Marcha das Mulheres Negras em Brasília, em 13 de maio de 2015, com Sandra  Maciel, Roseane Maiato

Quarta-feira, 19/11


19h: 
Jantar africano com comida típica da Nigéria.

Asaro (pronúncia: Assáro) com arroz branco, Efo riro (pronúncia: Eforiru) e suco de gengibre com limão e açúcar.

Elaborado por: Ifekayode Isaac Omoniyi; Oluwatoyin Omotolani Fatuga; Tânia Taborda.

Apresentação musical: Rosa Franco.

Quinta-feira, 20/11

XI Marcha da Consciência Negra

18h: Marcha Zumbi dos Palmares

19h: Show de Reagge

20h: Escola de Samba.

Pratos do jantar

Asaro (Ingredientes)

Moela; batata-doce; óleo de dendê; extrato de tomate; curry; óleo; sal

Efo riro

Espinafre; língua; pimentão; cebola; caldo de carne; tomate.

Fonte: Imprensa SindBancários

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