SindBancários leva preocupação com segurança bancária a Superintendência da Polícia Federal

Vulnerabilidade de trabalhadores e clientes em unidades da Caixa e do Banco do Brasil motivou reunião

Dirigentes do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região e da Fetrafi-RS reuniram-se nesta quarta-feira (3) na sede da Superintendência da Polícia Federal, na Avenida Ipiranga, para falar sobre o tema da segurança bancária, motivados por relatos de diminuição de vigilantes e de portas giratórias em agências da Caixa e do Banco do Brasil.

Priscila Aguirres, diretora da Fetrafi-RS, apresentou denúncia sobre a situação de duas agências do Banco do Brasil, uma localizada no Centro de Porto Alegre e outra dentro da PUCRS, que não contam mais com o serviço de vigilância. “Ambas têm estrutura de agência, porta giratória, mas a vigilância foi suprimida. Por quê? Porque o banco entende que essas agências não têm o caixa presencial; mas elas contam com caixas eletrônicos, então existe movimentação financeira dentro”, afirmou.

“Nosso questionamento inicial ao banco foi exatamente nesse sentido, já que, embora não tenha caixa presencial, existe o numerário na agência. Essa situação nos causa muita preocupação e temor, tanto pelos funcionários quanto pela população”, disse Priscila, que citou ainda a existência do plano de segurança, onde constam os itens necessários, incluindo vigilante.

A situação específica da Caixa foi levada pela diretora do SindBancários, Caroline Heidner. Segundo ela, a nova modalidade de atendimento do banco, intitulada Agiliza, é problemática pois coloca um funcionário e uma estação de trabalho na entrada da agência, antes da porta giratória. “Não é numerário, mas transações bancárias podem ser feitas ali, sem segurança. Então para além da questão física, fraudes e outros crimes digitais podem ocorrer. Nos parece muito sensível essa exposição”, alertou a diretora.

Os representantes dos bancários passaram os endereços das agências relatadas e questionaram os representantes da Polícia Federal quando à possibilidade de verificação nos locais. O delegado Marcelo Picarelli, titular da Delegacia de Controle de Segurança Privada – DELESP, informou que há notificação, aplicação de multas e até mesmo fechamento de unidades em caso de irregularidade no cumprimento do plano de segurança e garantiu que a PF fará a fiscalização in loco das agências citadas. Picarelli revelou também que, somente em 2022, 42 agências bancárias solicitaram a redução de vigilantes de segurança, sendo que 41 delas são da Caixa e uma do Santander.

De acordo com o superintendente regional substituto da Polícia Federal, delegado Alessandro Lopes, a PF é sensível à questão, que compromete a segurança dos funcionários e cidadãos, mas que, em alguns casos, os bancos têm tirado a movimentação financeira, o numerário das agências, e transformado em agências de fomento, o que retiraria a obrigação de ter a vigilância. “Então a orientação que temos de Brasília é ver se estão movimentando dinheiro; se sim, dentro da agência, então é preciso obedecer a todos os itens do plano de segurança”, declarou.

Segundo Simoni Medeiros, diretora Jurídica do Sindicato e empregada da Caixa, é importante que as agências sejam de fato fiscalizadas e cumpram a lei de segurança. “O banco pressiona órgãos de segurança para redução de pessoal especializado, utilizando a lógica capitalista de redução de gastos em detrimento da segurança”, criticou a dirigente.

“O processo que tínhamos conseguido estancar ou reduzir significativamente, que era o ataque às agências bancárias, tende a voltar a acontecer. Então os bancos abrem um flanco gigantesco”, observou o diretor do SindBancários e empregado do Banco do Brasil, Ronaldo Zeni, que também chamou atenção para o fato de que o sistema bancário é o mais rentável do país e que essa opção pela retirada da vigilância traz vulnerabilidade não somente para o trabalhador quanto para a população.

Para Sabrina Muniz, dirigente da Fetrafi-RS, a reunião com a Superintendência da PF foi positiva. “A percepção é que essa questão dos crimes digitais está muito presente nos debates e preocupações da PF. Os delegados nos disseram o quanto os bancos tentam diminuir a quantidade de vigilantes, porém a Polícia Federal avalia e não permite a redução se houver risco de segurança”, compartilhou Sabrina.

Também participou da reunião o assessor jurídico do SindBancários, João Rosito.

Texto: Amanda Zulke

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