SindBancários investiga se bancos estão abafando casos de sequestros de bancários

Junho começou como maio terminou, o mais violento quinto mês de ano da década, com um agravante. Além de as agências serem alvo de ataques de quadrilhas de criminosos especializadas em arrombamento, agora há dois outros fatores que tornam a vida dos bancários ainda pior. Os criminosos voltaram a investir em sequestros de trabalhadores bancários, e, ao menos um dos bancos tem trabalhado muito para que ninguém saiba o que os bancários estão passando em seus ambientes de trabalho. O Sindicato investiga se os bancos estão abafando os casos de sequestros.

No caso mais recente de violência aumentada, um gerente do Itaú, de Esteio, teve a família refém na manhã desta quarta-feira, 3/6. Segundo informações da Brigada Militar, o bancário teria ficado amarrado dentro da agência, enquanto a mulher e o filho do casal foram levados pelos assaltantes. O Sindicato enviará ofício à Superintendência Regional do Itaú, solicitando uma audiência para esclarecer se há uma orientação para sonegação de informações sobre sequestros e sobre atendimento pós-assalto. O SindBancários está preocupado com a saúde dos trabalhadores.

No levantamento estatístico que o SindBancários realiza com base no acompanhamento dos casos que são divulgados na internet ou em plataformas de papel, dois outros casos de sequestro não figuravam nas estatísticas de 2015. Curiosamente, dois casos de sequestros de trabalhadores bancários em agências do Itaú, de Canoas. O que precisamos saber é se os bancos estão atuando de modo a esconder esses casos ou se querem afastar o Sindicato da rotina de atendimento pós-assalto, com exigências de emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e de investimento em equipamentos de segurança que estão previstos em lei.

“Tivemos dois casos na nossa região de sequestros de bancários que não foram comunicados ao Sindicato. Entendemos que esses casos são muito sensíveis e que o Sindicato precisa preservar qualquer risco aos trabalhadores que estão nas mãos de algum criminoso. O Sindicato atua para proteger os bancários e, se o banco não informa ou sonega informação, ficamos impedidos de exercer este direito”, diz o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

O diretor do SindBancários e funcionário do Itaú, Edison Moura, esteve na agência em Esteio logo após o assalto, junto com o diretor de Saúde, Eduardo Munhoz, e comprovou outra prática condenável dos bancos. “Depois de um sequestro, os trabalhadores ficam apavorados sem condições de trabalho. Mesmo sob este trauma, os bancos querem que as agências abram”, diz Edison.

“Temos casos de colegas que chegam ao Sindicato sem condições de trabalho por serem vítimas de sequestros e que estão afastados por muito tempo. O nosso trabalho de atuação pós-assalto é de referência. Se os bancos sonegam essas informações, não podemos atuar para defender e proteger os trabalhadores”, explica Eduardo, que também é funcionário do Itaú.

Arrombamento

Já em Cerrrito, no Sul do estado, dois homens invadiram a agência do Banco do Brasil e abriram um caixa eletrônico. A ação foi realizada a 100 metros do posto da Brigada Militar da cidade, o que expõe a fragilidade da segurança pública do Estado após os cortes anunciados pelo governador José Ivo Sartori. Ao saber do ataque, por meio do sistema de monitoramento, dois policiais plantonistas foram a agência, mas temendo estar em menor número que os bandidos resolveram  pedir reforço para colegas  do município vizinho, Pedro Osório. O reforço foi de um policial. Quando os três entraram na agência, encontraram somente o caixa eletrônico arrombado. Os ladrões já haviam deixado o local.

Segundo o presidente do SindBancários, Everton Gimenes, os dois casos registrados nesta quarta-feira, 3/6, mostram um inicio de mês inseguro à categoria bancária. Com os três sequestros acrescentados às estatísticas do SindBancários – incluindo o desta quarta, 3/6, houve duas mudanças estruturais nos casos registrados pelo levantamento do SindBancários. Primeiro, maio passou a ser o quinto mês mais violento da última década, mas com 23 casos. Em relação aos dados relativos ao intervalo janeiro e maio, os primeiros cinco meses de 2015 passaram a superar em um caso o período mais violento até então, os primeiros cinco meses do ano de 2014. São 96 casos contra 95.

“Nós, bancários, estamos trabalhando acuados. Hoje vimos mais um crime que envolve além de um trabalhador do banco a sua família. No caso de Cerrito, a Brigada Militar ficou sem recursos para agir na hora da ação. Isso nos deixa ainda mais preocupados. Lamentamos que quem está pagando a conta da opção política do governador Sartori em não investir em Segurança Pública seja a população gaúcha, incluindo os trabalhadores bancários”, destaca.

Os bancos costumam descumprir as legislações municipais, como no caso de Porto Alegre, que exige instalação de câmaras, vidros blindados, biombos e portas-giratórias. Por outro lado, a fiscalização é frouxa nos municípios e não cobra como deveria. “Para os sequestros, os bancos públicos e privados poderiam fazer como a Caixa já faz. Só agentes especializados em segurança e com treinamento podem ficar com a chave das agências bancárias e abri-las de manhã. No caso dos arrombamentos de caixas eletrônicos, com uso ou não de explosivos, sugerimos que os bancos retirem o dinheiro dos caixas eletrônicos. Sabemos que esta medida pode gerar transtorno, mas é uma questão de proteção de vidas”, acrescenta Gimenis.

Atuação do SindBancários

O SindBancários tem atuação importante na prevenção e no pós-assalto. Na primeira, cobramos das autoridades públicas, através da participação de nossos dirigentes em Grupos de Trabalho sobre Segurança Bancária, o cumprimento e a construção de legislações mais abrangentes. Em relação ao pós-assalto, cobramos dos bancos atendimento psicológico aos bancários e colocamos o departamento de saúde do Sindicato à disposição.

 

Estatística do medo

Junho 2015

  1. Dia 3: Itaú (Esteio). Assalto com sequestro de bancário.
  2. Dia 3: Banco Brasil (Cerrito). Arrombamento de caixa eletrônico com maçarico.

 Maio 2015

  1. Dia 1 – Banrisul (Santa Maria do Herval). Arrombamento de caixa eletrônico.
    2. Dia 1 – Banco do Brasil (Cachoeirinha). Arrombamento de caixa eletrônico.
    3. Dia 1 – Banrisul (Passo do Sobrado). Tentativa de arrombamento de caixa eletrônico.
    4. Dia 1 – Não informado (Três Forquilhas). Arrombamento de caixa eletrônico.
    5. Dia 2 – Banco do Brasil (Tramandaí). Tentativa de arrombamento de caixa eletrônico.
    6. Dia 2 – Não informado (São Leopoldo). Tentativa de arrombamento de caixa eletrônico.
    7. Dia 3 – Banco do Brasil (Jaguarão). Arrombamento de caixa eletrônico com maçarico.
    8. Dia 4 – Banco do Brasil (Três de Maio). Assalto com reféns.
    9. Dia 6 – Santander (Campo Bom). Tentativa de arrombamento de caixa eletrônico.
    10. Dia 8 – Banco do Brasil (Ana Rech – Caxias). Explosão de caixa eletrônico.
    11. Dia 8 – Banrisul (Ana Rech – Caxias). Explosão de caixa eletrônico.
    12. Dia 8 – Não informado (Arroio do Meio). Arrombamento de caixa eletrônico na Vonpar.
    13. Dia 10 – Santander (Porto Alegre, FAPA). Arrombamento de caixa eletrônico com refém.
    14. Dia 11 – Banco do Brasil (Cachoeira do Sul). Arrombamento do cofre.
    15. Dia 17 – Banrisul (Porto Alegre). Arrombamento do cofre.
    16. Dia 17 – Santander (Porto Alegre). Tentativa de arrombamento de caixas eletrônicos.
    17. Dia 18 – Banrisul (Nova Pádua). Arrombamento de caixa eletrônico.
    18. Dia 24 – Banrisul (Teutonia). Arrombamento de caixa eletrônico.
    19. Dia 25 – Banrisul (Santana da Boa Vista). Arrombamento de caixa eletrônico.
    20. Dia 25 – Banrisul (Porto Alegre). Tentativa de arrombamento de caixa eletrônico.
    21. Dia 27 – Itaú (Canoas) Assalto com sequestro de bancário.
    22. Dia 31 – Banrisul (Camaquã). Arrombamento de caixa eletrônico.
    23. Dia 31 – Banco do Brasil (Picada Café). Arrombamento de caixa eletrônico

https://www3.sindbancarios.org.br/wp-content/uploads/2015/06/03062015es.pdf

Fonte: Imprensa SindBancários

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