SindBancários denuncia novo modelo de atendimento da Caixa que põe em risco funcionários

Além de fragilizar segurança dos bancários, implantação do ambiente Agiliza oferece atendimento precário à população

Dirigentes do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região denunciam a implantação de novo modelo de atendimento da Caixa. Com o chamado Ambiente Agiliza, que consiste em uma mesa com um funcionário e computador na Sala de Autoatendimento às 9h, o banco alega que quer acelerar os atendimentos, mas na realidade oferece um serviço precário e sem estrutura razoável aos clientes, além de submeter seus empregados a diversos riscos, já que ficam desprotegidos.

Após verificar a implementação do novo modelo em uma das agências Caixa, sindicalistas solicitaram agenda com representantes do banco para denunciar a gravidade da iniciativa. Em reunião na quinta-feira (7), na Superintendência Regional da Caixa, os dirigentes sindicais levaram suas preocupações e alegaram que implantação do modelo fragiliza a segurança dos funcionários e atende em más condições os clientes que mais precisam da Caixa. Em Porto Alegre e Região, o Agiliza está sendo implementado nas agências consideradas prioritárias para atendimento, que fazem parte do piloto, como Lomba do Pinheiro, Aberta dos Morros e Metropolitana (Alvorada).

“Com esse modelo de atendimento, a Caixa afirma que quer agilizar as filas, mas na realidade, discrimina os mais pobres e vulneráveis, pois oferece um atendimento precário e sem um mínimo de conforto. Em vez de oferecer aos clientes um local seguro e com o conforto de aguardarem sentados, atende os mais humildes no ‘puxadinho’ e com aglomeração”, aponta o diretor do SindBancários, Jailson Prodes.

Conforme o Sindicato, o normativo interno que versa sobre o atendimento (OR020, atualizado em junho) já foi alterado para incluir o Agiliza. Basicamente, todos atendimentos rápidos, que antes eram feitos no atendimento expresso, dentro da agência, agora passaram para esse ambiente, antes da porta giratória e sem a presença de segurança.

A dirigente sindical e empregada da Caixa, Sabrina Muniz, afirma que o modelo apresenta graves problemas, o primeiro deles em relação à segurança dos trabalhadores. “O empregado fica totalmente exposto e sua integridade física também fica em risco, com uma estação de trabalho e atendimento da Caixa antes da porta giratória, o que está em desacordo com a lei municipal das portas de segurança, no caso de Porto Alegre”, observa.

Para a diretora Jurídica do SindBancários e também empregada da Caixa, Simoni Medeiros, colocar uma estação de trabalho fora dos limites de proteção da porta giratória e dos seguranças é potencializar o risco para o bancário e para o público. “O projeto Agiliza fere a legislação vigente, fragilizando a segurança do colega bancário e de nossos clientes”, justifica a dirigente.

MAIS CONTRATAÇÕES

Para o sindicato, está claro que a Caixa está se omitindo frente a necessidade de mais contratações. “Ao invés de contratar mais funcionários para poder atender toda demanda, a Caixa cria um modelo que fragiliza totalmente a segurança dos colegas, precarizando também as condições de trabalho. O banco está ampliando irregularmente a jornada de trabalho dos bancários e está com falta de pessoal para atender à demanda. Precisamos de mais contratações”, alega Sabrina.

O diretor do sindicato Guaracy Gonçalves, o Guará, endossa a fala da dirigente: “A justificativa da Caixa para implementar o Agiliza é o aumento no volume de atendimento e o tempo de espera excessivo dos clientes. Nós, entidades sindicais, entendemos que esse problema se agravou com os sucessivos planos de desligamento sem reposição de empregados. Reivindicamos mais contratações. Concurso já!”.

Segundo o banco, o Agiliza faz parte do novo modelo de varejo da Caixa, que teve seu início em 2020, mas teve sua implantação prejudicada pela pandemia. Agora, a instituição começa a retomar a aplicação do Agiliza em 500 agências no Brasil consideradas críticas para atendimento, sendo grande parte no Nordeste. De acordo com os dirigentes, essas 500 agências são obrigadas a implantar o Agiliza e estão sendo acompanhadas e monitoradas diretamente pela matriz da Caixa, em Brasília.

Os representantes da Caixa informaram que os apontamentos feitos pelo sindicato serão observados e ajustados nos próximos 15 dias. A instituição também afirmou que está programando a colocação de mais um recepcionista. O Sindicato dos Bancários vai acompanhar a situação, sempre na luta por melhores condições de trabalho para os bancários e bancárias.

Texto: Amanda Zulke

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