SindBancários chama Banrisulenses e colegas do Badesul para luta contra inclusão dos bancos públicos no pacotaço privatista de governo Sartori

Sabe aquele ditado que diz que quem paga a banda, escolhe a música? Pois é. Muitos podem ter ouvido ou conhecido esse ditado por uma pessoa mais velha, sua avó, mãe ou tio. Este ditado está muito atual nos tempos de ataques aos serviços públicos e aos trabalhadores tanto em nível estadual quanto federal. A ficha de muita gente ainda não caiu para o que está acontecendo no Brasil e no Rio Grande do Sul. Presta atenção! O governo Temer e o governo Sartori estão atuando juntos para vender empresas públicas do Estado com a conversa de que isso vai salvar as finanças. O Banrisul e o Badesul correm um grande risco na semana que vem.

Assista a vídeo em que o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, convoca os Banrisulenses a ocupar, resistir e lutar contra a ameaça de privatização  na Praça da Matriz.

Quem não se lembra do fatídico dia 28 de dezembro de 2015? Neste dia, o governo Sartori conseguiu aprovar com a maioria dos votos dos deputados estaduais na Assembleia Legislativa um pacotaço que aumentou ICMS. Neste mesmo ataque frontal, ele conseguiu que o Banrisul comprasse a folha de pagamento dos servidores do Estado por R$ 1,2 bilhão. E só não conseguiu cancelar a obrigatoriedade de plebiscito para vender estatais, previsto no artigo 22, da Constituição Estadual, porque os Banrisulenses se mobilizaram (leia aqui). Fomos todos para a Praça da Matriz, sitiada pela Brigada Militar, e muitos conseguiram acompanhar as votações no Plenário 20 de Setembro. Fizemos pressão e isso deu certo.

Precisamos, a partir da segunda-feira, 19/12, voltar ao teatro daquela nossa vitória. Será na Praça da Matriz a nossa luta. Vamos fazer corpo a corpo com deputados estaduais. Conversar com eles. Mostrar que a venda do Banrisul, do Badesul e de outras empresas estatais é que vai trazer prejuízo aos cofres estaduais. O governo do Estado, desde que metade das ações do Banrisul foi vendida no governo Yeda, em 2007, deixou de arrecadar R$ 829 milhões em dividendos. O dinheiro iria direto para o caixa do Estado investir em saúde e educação. Isso melhorou as finanças públicas? Claro que não. Sinal de que vender patrimônio público nada tema ver com melhoria da situação das finanças do Estado.

Juros absurdos da dívida

O SindBancários reitera à sua categoria que privatizações e demissões de servidores públicos não resolvem o problema da dívida pública. O problema é outro. Em 1998, o governo Britto fez um acordão de dívida com os bancos e nos trouxe até aqui: a um Estado muito endividado. O governador Sartori, naquela época, era deputado estadual, líder do governo Britto na Assembleia Legislativa. Os dois também ajudaram a vender a CRT, antiga telefônica do Estado. E o Estado continuou com problemas sérios.

O problema mesmo é que o setor público paga juros muito altos da dívida aos bancos. Temos que lutar pela redução de juros. Essa é a política decente a ser feita. O pacotaço do governador José Ivo Sartori não vai resolver nada. Autorizar venda de ativos ou extinção de empresas públicas e fundações, entre elas a CEEE, CESA (Companhia Estadual de Silos e Armzéns), Corsan, CRM, Procergs, Corag, Sulgás, FDRH, FEE, Metroplan, Fundação Zoobotânica, CIENTEC, FIGTF, FEPPS, FEPAGO e Fundação Piratini, dizem estudos, representam somente 0,28% de economia.

 Dívida do Estado, cartão de crédito e vaquinha leiteira

Há um conluio partidário e institucional entre o governo do Estado e o governo federal para atuar de duas e em conjunto. Primeiro, os dois ficam repetindo que o que é público é deficitário, deixa o Estado pesado e não funciona. E que servidores públicos, os salários deles, pesam muito no orçamento e, por isso, eles têm que ser demitidos. Depois, o governo federal apresenta um Projeto de Lei Complementar, o PLP 257/2016, que estabelece o plano de auxílio aos estados e ao Distrito Federal.

Este PLP 257 foi aprovado na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e passou a tramitar em regime de urgência na madrugada da quarta para a quinta-feira, 14/12. Trata-se de uma lista de obrigações que os Estados deverão cumprir para terem suas dívidas roladas. Captou?

Veja bem que essas dívidas serão roladas, quer dizer, o prazo de quitação irá aumentar. É o mesmo caso do trabalhador que fica devendo no cartão de crédito e faz um acerto com o banco. Vai pagar em mais vezes a dívida em prestações menores, mas o juro vai ser o mesmo. No final das contas, o trabalhador e o Estado passam a dever mais, comprometendo o futuro e ficando refém do banco e sem dinheiro para comprar móveis para casa, para fazer reformas, para investir em bem-estar. É o mesmo que a história da vaquinha. O governo Sartori quer vender a vaquinha ao invés de tirar o leite. Vamos acabar ficando sem leite e sem vaquinha.

Banrisul na berlinda

Dizer que o que é público não funciona e deve ser vendido, como é o caso do Banrisul, é de uma hipocrisia muito grande, além de uma generalização mentirosa. Até as estátuas do Palácio Piratini sabem que o sonho do atual ocupante da cadeira de governador é passar o Banrisul nos cobres. Em 16 de outubro de 2015, ele recebeu o presidente do Banco Santander no Brasil, Jesús Zabalza, no Palácio Piratini, para uma reunião que teve a presença do atual presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mota. O assunto principal certamente não foi futebol (leia aqui).

Pois bem, o Sindicato alerta os Banrisulenses para o risco que representa a forçação do governo Sartori de votar na próxima semana um pacotaço que prevê a retirada da obrigação de consulta popular e plebiscito a privatização de algumas empresas públicas. No pacotaço, nem o Banrisul nem o Badesul estão listados como fadados à privatização. Não estar listado, porém, não quer dizer que qualquer deputado governista, atendendo a uma orientação nacional ou mesmo estadual, possa propor uma emenda ao pacotaço que inclua os dois bancos públicos estaduais na lista daqueles que serão entregues. O Banrisul está na berlinda.

Banrisulenses e colegas do Badesul, os governos Sartori e Temer, ambos do PMDB, estão fazendo um jogo perigoso para o futuro do nosso banco público e da nossa agência de fomento. Querem vendê-los sob a conversa de que resolverão os problemas financeiros e econômicos do Estado. O Sindicato tem chamado a atenção de que vender patrimônio público, ao contrário do que esses dois acima dizem, piora as finanças do Estado, pois fecha postos de trabalho, reduz número de consumidores e repercute nas vendas e negócios dos setores de comércio e serviço. O caso da venda da CRT nos anos 1990 e de metade do Banrisul em 2007 não resolveram problemas de finanças.

“Temos avisado, desde que o Temer apresentou em outubro de 2014, o programa ‘Uma Ponte para o Futuro’ que se ensaiava um golpe nos direitos dos trabalhadores e que retornaríamos aos anos 1990, quando havia desemprego, nenhum reajuste salarial e até pessoas passando fome no país. Já venderam o pré-sal e estão desmontando a Petrobras. Aprovaram a PEC 55 que congela por 20 anos investimentos em saúde e educação. E agora vêm com uma Reforma da Previdência que quer obrigar a gente a trabalhar até morrer”, comenta o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

Não se combate crise criando mais crises e fechando postos de trabalho. Se combate com empresas públicas fortes, servidores com os salários em dia e mais empregos. É importante que os colegas do Banrisul e do Badesul se juntem a servidores públicos das empresas ameaçadas de fechamento a partir desta segunda-feira, como fizemos em dezembro de 2015 (leia aqui).

Tenda do Sindicato na Praça da Matriz

O SindBancários estará com uma tenda na Praça da Matriz, em frente à Assembleia Legislativa, onde o futuro de todos nós, gaúchos e gaúchas será decidido, na semana que vem. O Banrisul e o Badesul são importantes agentes públicos de investimento no desenvolvimento e crescimento da economia. Não podem ser vendidos como se nada valessem.

Só a nossa luta garante o Banrisul e o Badesul públicos. A Praça da Matriz tem que ser nossa.

Fonte: Imprensa SindBancários

 

 

 

 

 

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