Bancários atrasam abertura de agências contra aumento de jornada

Em ato nacional, em Porto Alegre o SindBancários atrasou abertura de agências em protesto contra MP 905 do governo Bolsonaro

O atraso de uma hora na abertura das agências bancárias do Centro de Porto Alegre, na manhã desta quinta-feira, 21/11, com a participação de dezenas de sindicalistas e bancários de bancos públicos e privados como Banrisul, Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander, fez parte de um grande ato de protesto das entidades de trabalhadores do ramo financeiro, em todo o Brasil. “Este é um dia de luta, de conscientização da categoria e de alerta aos banqueiros e ao desgoverno Bolsonaro, que querem nos impor um inconstitucional aumento da nossa jornada de trabalho, de 30 para 44h semanais”, alertou o presidente do SindBancários, em referência a MP 905.

Medida inconstitucional

Como lembrou Everton Gimenis, a MP 905, criada para impor esta medida de exploração dos trabalhadores, é “vendida” pelos banqueiros e pelo governo como uma forma de abrir mais vagas de trabalho. “Além de ser inconstitucional, a afirmação de que vai gerar mais empregos é absurda, pois se a carga de trabalho vai aumentar é lógico que isto elimina a necessidade de abrir mais postos de trabalho”, desenhou o sindicalista. “Na verdade, esta Medida Provisória faz o papel de uma nova reforma trabalhista, mas a Justiça faz vista grossa sobre isso”, disse Gimenis, em conversa com os funcionários do Banrisul.

Já no Bradesco da Rua General Câmara, no Centro Histórico de Porto Alegre, o diretor sindical Jorge Lucas, que é funcionário do banco, destacou que o sentimento dos bancários é de apreensão e preocupação. “O pessoal está inseguro se vai ter aumento de horas na jornada normal e se vai precisar trabalhar nos fins de semana, como diz a MP”, revelou Lucas. “Tem a possibilidade de que todos precisem virar pessoas jurídicas”, lembrou ainda.

Na agência 0159 do Itaú, na Praça da Alfândega, o funcionários do banco e diretor da Fetrafi-RS, Marcos Varella destacou que não bastaram os avisos sobre os riscos que os trabalhadores correriam com a chegada de Bolsonaro ao poder: “Não adiantava. Muitos colegas acham que são protegidos por alguma entidade do além”, brincou. A diretora do Sindicato Daniela Souza diz que muitas vezes os funcionários de bancos privados preferem acreditar nos gerentes do que nas recomendações e alertas de colegas sindicalistas. Varella lembrou o exemplo de uma bancária com mais de 30 anos de Itaú que chegou a investir no crescimento da carreira, tendo feito curso do CPA 10, mas logo em seguida foi convidada pelo banco a entrar no PDV do banco.

A diretora de Aposentados e Seguridade Social do SindBancários, Natalina Gué, reuniu-se com os trabalhadores da agência do Santander na Praça XV. “Conseguimos retardar a abertura da agência até as 11h”, diz Natalina. Ela ressaltou que os colegas demonstraram muita preocupação com a situação e especialmente com a possibilidade da PLR deixar de existir. Sobre a alteração das condições de trabalho – como o aumento da jornada de trabalho – , a diretora reforçou aos trabalhadores que qualquer modificação nas condições de trabalho, imposta pelos patrões, pode depois ser revertida na Justiça. “Afinal, um funcionário não tem condições de negar uma imposição patronal, vinda de cima para baixo”, exemplificou.

A funcionária do BB e diretora da Fetrafi-RS Priscilla Aguirres, junto aos diretores sindicais Rogério Rodrigues e Bianca Garbelini, e dezenas de funcionários da agência do Banco do Brasil da Rua Uruguai, se mostrou satisfeita com o ato desta manhã. “Ficamos felizes de ver tantos colegas atendendo ao chamado do Sindicato e da Fetrafi”, disse. Já um escriturário da agência, diz que o trabalho aos fins de semana não é somente um aumento de carga horária: “Perdemos lazer e descanso aos sábados e domingos – e não se sabe aonde este abuso pode parar”. Segundo ele, muitos colegas acreditaram que a política neoliberal representada por Guedes e Bolsonaro, chegando ao poder, iria beneficiar o ramo financeiro e os bancários. “E beneficiou mesmo, mas só aos banqueiros e aos donos do capital. Para os trabalhadores, só sobram perdas e prejuízos”, disse ainda.

União nesta hora

No Banrisul, o presidente do SindBancários reafirmou que a luta continua: “Vamos seguir batalhando para derrubar na Justiça esta MP 905”, afirmou Gimenis. Ele também citou a PEC 280, apresentada pela bancada governista na Assembleia Legislativa, que pretende derrubar a exigência legal de plebiscito para a privatização do Banrisul, Corsan e Procergs. Já o diretor de Esporte e Lazer do SindBancários, Gerson Reis, reafirmou aos colegas do Banrisul que tanto o governo estadual de Leite quanto federal, de Bolsonaro, impõem um ataque aos trabalhadores, não só aos que estão atuando hoje, mas também ao futuro dos jovens. “A única forma de enfrentar isso é com a união! Muita união de todos nós para reduzir o efeito destes pacotes de maldades”, concluiu.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER