SindBancários apoia protesto contra violência policial na Feira do Livro Feminista e Autônoma

O SindBancários se solidariza com as mulheres agredidas pela Brigada Militar, de modo gratuito e inaceitável, na noite de domingo, 01/11, durante a realização da Feira do Livro Feminista e Autônoma de Porto Alegre (FLIFEA). O ato de solidariedade acontece às 18h desta terça-feira, 03, em frente ao Palácio Piratini.

1ª Feira Feminista Autônoma

A 1a Feira do Livro Feminista Autônoma é uma atividade que ocorre em paralelo à Feira do Livro de Porto Alegre, tendo por objetivo difundir a produção cultural e artística feminista, que na maioria das vezes não se insere no mercado editorial. Na segunda-feira, 02, as realizadoras da FLIFEA realizaram na Feira do Livro de Porto Alegre, no Centro da cidade, uma manifestação de repúdio contra as agressões sofridas no domingo.

Abuso da Brigada Militar

Conforme as participantes, na noite de domingo, 01/11, ocorria um ensaio musical e artístico para uma apresentação no evento, com cerca de 20 mulheres, quando uma viatura da BM chegou ao local, supostamente devido ao barulho e som alto. Os brigadianos passaram a filmar a movimentação e logo passaram a intimidar as participantes, na medida em que elas reagiam à presença dos policiais. As manifestantes começaram a se organizar para ir embora, como forma de proteção. No entanto, conforme relataram, em seguida estacionaram outras viaturas, com mais policiais. “Estavam em atitude extremamente agressiva”, contaram as participantes da Feira do Livro Feminista e Autônoma.

A tentativa de deter uma das participantes de maneira violenta, gerou reação das mulheres, resultando numa série de agressões físicas por parte da polícia. No total, foram nove mulheres feridas, quatro em estado grave, precisando de atendimento médico. As agressões aconteceram de maneira simultânea. Segundo as participantes, alguns brigadianos ameaçavam: “Eu vou queimar você!”, após sacarem suas armas. Uma das mulheres ameaçadas avisou que estava grávida, o que não foi levado em conta pelos policiais, que mantiveram a conduta agressiva.

As mulheres que estavam com celulares foram alvo específico de agressões, e dois aparelhos teriam sido roubados pelos policiais. Algumas das participantes que tentavam fugir eram perseguidas e derrubadas. Caídas ao chão, apanhavam com cacetetes e chutes, enquanto outras colocavam seus corpos como escudos para tentar proteger as demais. As agressões só acabaram quando as mulheres conseguiram chegar até as proximidades do Hospital de Clínicas, ocasião em que os policiais finalmente dispersaram.

HOJE!MEXEU COM UMA! MEXEU COM TODAS

Por considerar que nenhuma violência contra manifestações de movimentos sociais pode ficar impune, o SindBancários se solidariza com as mulheres agredidas na noite de 1º de novembro, e apoia o ato “Mexeu com uma! Mexeu com todas!” que acontece nesta tarde às 18h. O Sindicato dos Bancários repudia a violência e considera inaceitável este novo episódio de criminalização social, anti-democrático, misógino, machista, lesbofóbico e racista. A agressão policial descabida é também um ataque contra a legítima ocupação dos espaços públicos da cidade pelos movimentos sociais.

Ele representa a atual política do governo estadual, que vem desde o início do mandato de José Ivo Sartori atacando os princípios e valores relativos aos direitos humanos fundamentais. O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, lembra por exemplo a extinção da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), importante ferramenta de garantia de políticas públicas para a população feminina.

Segundo o Relatório Lilás 2014, o Estado do RS mostra números alarmantes de violência contra as mulheres: a cada 20 minutos, uma mulher sofre algum tipo de agressão física com lesão corporal, sendo que 1.051 casos de estupros foram registrados no mesmo ano. “Estes números mostram o quanto é necessário denunciar e exigir a garantia dos direitos das mulheres”, acrescenta a diretora do Sindicato Ana Guimaraens.

Confira aqui a íntegra da nota divulgada pelas organizadoras.

Texto: Marina Lehmann (estagiária de Jornalismo)

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