Sessão no CineBancários inspira guaranis a debater política indígena e a produzir filmes próprios

Cerca de 40 crianças, idosos, homens e mulheres da tribo guarani, que vivem na Aldeia Anheteinguá, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, tiveram uma experiência diferente, na tarde da quarta-feira, 05/08. Liderados pelo cacique José Cirilo, 41 anos, eles assistiram ao filme “A nação que não esperou por Deus”, de Lucia Murat, no CineBancários (Rua General Câmara, 424, no Centro de Porto Alegre). A obra cinematográfica narra a resistência dos indígenas Kadiwéu, da região do Mato Grosso do Sul, para manterem suas terras e a sua cultura.

“A luta dos guaranis também é pela terra e contra os preconceitos”, afirma o cacique José Cirilo. “Hoje nós moramos numa área de 25 hectares, mas precisamos ampliar o espaço da nossa aldeia. E temos direito, porque, antes da chegada do homem branco, os guaranis viviam por aqui há séculos. A terra era nossa. Até a palavra guaíba é guarani, significa o nome de uma fruta muito boa que tinha em grande quantidade aqui na região e que deu nome ao rio”, ensina ele.

A batalha dos indígenas do Rio Grande do Sul para recuperar terras que pertenciam historicamente a eles começa a ter resultados. “A Funai está identificando a região do Morro São Pedro, na Lomba do Pinheiro, como uma área que era ocupada pelo nosso povo”, garante o cacique.

Após a sessão, a diretora da Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Anhetenguá, palavra guarani que significa terra verdadeira, contou que grande parte dos indígenas que assistiram ao filme nunca havia entrado em uma sala de cinema. A professora Jacimara Machado Heckler estima que dois indígenas do grupo de 40 conheciam sala de cinema. Os outros 38 entraram pela primeira vez.

“A sessão foi bem importante. Primeiro, por eles estarem indo ao cinema. A grande maioria, uns 95%, nunca tinha entrado em uma sala de cinema para assistir a um filme. A outra questão importante é a curiosidade de conhecer o cinema com um filme com uma temática pertinente”, explicou Jacimara.

Segundo ela, os indígenas ficaram muito tocados com o longa-metragem de Lucia Murat e Rodrigo Hinrichsen por ter mostrado uma “realidade muito difícil para os indígenas”. O filme nasceu do contato que a diretora Lucia Murat teve com os Kadiwéu, etnia do Mato Grosso do Sul, há 17 anos, e mostra a chegada da energia elétrica à aldeia. Com ela, chegou a televisão. E não só. Cinco diferentes igrejas evangélicas se estabeleceram na reserva.

Neste período de 15 anos, as terras indígenas foram ameaçadas pela exploração pecuarista. O documentário revela a situação atual da comunidade e preconceitos que se acumularam na história.

Em sala de aula

A professora Jacimara comentou que o filme irá subsidiar debates, em sala de aula da escola da aldeia, e ajudará a compreender a questão indígena. Legislação, direito à terra e até mesmo inspiração para a produção de filmes pelos próprios indígenas são alguns efeitos esperados pela experiência no CineBancários. “Há produção de filmes mais artesanais pela comunidade. Foi uma sessão importante para a formação política. A gente agradece o SindBancários pela oportunidade”, finalizou.

Fonte: Imprensa SindBancários

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER