Saúde mental dos bancários é tema de formação dos delegados sindicais

Sobrecarga, assédio e ameaça de privatização foram alguns dos motivos de adoecimento apontados pelos bancários

Com ênfase no tema da saúde mental, a parte da manhã do encontro de formação colocou em pauta o papel dos delegados na construção da saúde coletiva dos bancários. O documentário 4 contos – A tragédia por trás do lucro, dirigido por Marcelo Monteiro e produzido pelo Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região, foi exibido no início da programação, suscitando uma roda de conversas na sequência, quando os delegados compartilharam algumas angústias, experiências e percepções sobre o adoecimento na categoria.

Questões como sobrecarga por falta de funcionários, assédio, cobrança por metas abusivas e insegurança foram lembradas pelo grupo. Funcionários do Banrisul, Banco do Brasil, Caixa e Badesul, os trabalhadores também apontaram a ameaça de privatização dos bancos públicos como um dos grandes motivos de adoecimento. Para Vanessa, delegada sindical e empregada do Banrisul, o medo de perder o emprego em caso de privatização é constante.

De acordo com o psicólogo André Guerra, a atividade propôs aos delegados pensar a responsabilidade pela saúde de forma coletiva. “Vamos avançar quando tivermos uma massa crítica de pessoas que entendam que o adoecimento não começa em um trabalhador, mas sim no contexto onde ele está inserido ou em uma forma de relação estabelecida. E talvez a melhor forma de prevenir esse adoecimento seja intervir nesse contexto adoecedor e não apenas nas pessoas que estão adoecidas”, pontuou.

O suicídio na categoria, um dos temas abordados no documentário, ainda que possua múltiplas causas, tem no trabalho um potencial detonador que reafirma o ambiente tenso onde estão inseridos os bancários. Para o presidente do Sindicato, Luciano Fetzner, é fundamental que o tema deixe de ser encarado como um tabu social. “É uma inversão que ocorre, porque não falar do suicídio não ajuda a prevenir ou evitar. As pessoas não tomam a decisão de tirar a própria vida do nada, isso é o resultado de um longo processo de adoecimento e sofrimento. E a melhor forma de se combater uma doença é a prevenção”, observou Luciano.

A diretora de Saúde Jamile Chamun falou da importância de ouvir os colegas, com empatia, ainda mais em um cenário onde os bancos pregam cada vez mais o individualismo, fechamento de metas e produtividade. “O adoecimento não pode ser mais um tabu. Se a pessoa está com um problema na pele, procura um dermatologista, se tiver com algo no dente, vai no dentista, por que não ir no psiquiatra ou psicólogo procurar tratamento?”, ponderou ela, que reiterou que o Sindicato está sempre à disposição dos(as) bancários(as), mencionando a atuação do GAS – Grupo de Ação Solidária, que se reúne todas as quartas-feiras.

À tarde, a atividade formativa contou com a presença do ex-governador e ex-presidente do Sindicato, Olívio Dutra. Confira aqui a matéria.

Imprensa SindBancários

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