Santander reduz projeto de “orientação financeira”

Banco enviou um comunicado para nove agências informando a descontinuidade do projeto; sindicatos realizaram atividades nos cinco sábados em que o banco tentou abrir as unidades

O banco Santander enviou, nesta quinta-feira, 6/6, um comunicado para nove agências informando sobre a descontinuidade do projeto de “orientação financeira”, realizado aos sábados com funcionários “voluntários”.

A desistência do Santander ocorre após um mês de maio de resistência e de trabalho de esclarecimento do SindBancários na agência da Oswaldo Aranha, bairro Bom Fim, sob o pretexto de o Santander, aos sábados, praticar trabalho voluntário de educação financeira. A resistência dos dirigentes sindicais esclareceu que se tratava de jornada ilegal e ocorria dentro de um contexto de mudar a legislação. O PL 1043/19 foi apresentado na Câmara dos Deputados em fevereiro passado e pretende impor o trabalho aos sábados aos bancários.

As agências ficam às moscas. O banco percebeu que não teria o retorno, comercial ou não, que esperava. E nossa ação mostra as contradições da ação do banco, que se propunha a dar ‘orientação financeira’, mas cobra altas taxas e tarifas dos brasileiros”, disse o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Mario Raia, que é funcionário do banco.

De fato. No primeiro sábado em que o Santander tentou abrir a agência Oswaldo aranho, 4 de maio, apenas um cliente teria procurado a agência no sábado de manhã para buscar educação financeira. “Fizemos um trabalho de esclarecimento em relação à população que circulou nos sábados do mês de maio na agência e também para mostrar aos colegas que se tratava de exploração e não de altruísmo”, explicou o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

Esclarecimento

Sindicatos dos bancários realizaram protestos na frente das agências que o banco tentou abrir nos cinco últimos sábados. Nas atividades, dirigentes esclarecem funcionários “voluntários” sobre os riscos aos quais ficam expostos ao trabalhar “voluntariamente” para seu próprio empregador aos sábados e informam a população sobre as tarifas e juros cobrados pelo banco.

Os protestos também ganharam as redes sociais. Utilizando a hashtag #SantanderSábadoNão, bancários postaram fotos mostrando sua indignação com a iniciativa do banco e explicando porquê o banco não pode abrir aos sábados. Além denunciar que o “voluntariado” é forçado e que existem segundas intenções na “orientação” que o banco quer dar.

Orientação de verdade

Para Mario, a verdadeira orientação financeira precisa informar para as pessoas que, para conseguir controlar melhor suas contas e não se endividar, elas devem evitar entrar no vermelho para não ter que pagar os altos juros cobrados pelos bancos. “A diferença entre a taxa que eles pagam pelo dinheiro que guarda de seus clientes, ou que tomam emprestado, é infinitamente menor do que a que cobram das pessoas que precisam de recursos do banco”, disse. “Ainda mais o Santander, que cobra mais dos brasileiros do que dos clientes de outros países onde atua”.

A reportagem publicada pelo Jornal do Brasil mostra que o banco cobra até 1.761% a mais dos brasileiros do que dos espanhóis pelos mesmos serviços realizados. O jornal mostrou também que, em empréstimos, o banco chega a cobrar até 20 vezes mais dos brasileiros do que dos espanhóis.

A luta continua

O dirigente da Contraf-CUT ressalta a importância das ações realizadas pelo sindicato, mas insiste na continuidade das ações. “A suposta ‘orientação financeira’ tinha sido programada para acontecer em 29 agências. O comunicado menciona nove agências onde ela será descontinuada. O movimento sindical vai continuar fazendo o que tem que fazer nas agências onde o banco insistir com essa ação”, concluiu.

O diretor do SindBancários e funcionário do Santander, Luiz Cassemiro pede que os colegas avisem o Sindicato sobre eventuais descumprimentos da legislação trabalhista. “Nosso trabalho durante todo o mês de maio ainda não terminou. O banco anunciou que desistiu da ideia, mas não em todas as agências do país. Os colegas precisam ficar ligados e compreender o papel do Sindicato. Um banco como o Santander não faz voluntariado. Usa os funcionários para limpar sua imagem de banco que cobra taxas muito altas e manda quase 30% do lucro obrtido no Brasil para fora do país”, acrescentou Cassemiro.

Fonte: Contraf-CUT

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