Santander precariza e discrimina teletrabalho no Brasil

Único dos grandes bancos que não se interessou em negociar acordo de teletrabalho com o movimento sindical, Santander informou que está em curso projeto piloto de jornada mista; em reunião com a Comissão de Organização dos Empregados (COE), banco também não esclareceu a terceirização através da STI

Não é de hoje que o Santander trata de forma assimétrica os trabalhadores que respondem pela maior fatia de seu lucro mundial. Se os bancários brasileiros já responderam por fatias que variam de 29% e 32% do lucro mundial do banco espanhol até o terceiro semestre de 2020, não tem uma explicação para que tenhamos um tratamento inferior do que colegas de outros países recebem do Santander, como os argentinos.

Quer ver um exemplo? Por volta do dia 20 de setembro, trabalhadores(as) de algumas áreas no Brasil receberam, pelo portal RH, acordo aditivo ao contrato de trabalho extremamente prejudicial para atuarem em home office a partir de 1º de outubro de 2020.

As cláusulas determinavam que os trabalhadores iriam arcar com todos os custos dos equipamentos para executarem o trabalho ao banco que lucrou R$ 14 bilhões somente em 2019. Além disso, serão responsabilizados pelos riscos à saúde.

No início deste mês de novembro, a vida não mudou muito para nós brasileiros que produzimos o lucro do Santander com a nossa competência. Em reunião realizada na terça-feira 10/11, entre a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander e representantes do banco, o Santander, único dos grandes bancos que não se interessou em negociar acordo de teletrabalho com o movimento sindical, informou que não tem qualquer intenção em fornecer ajuda de custo e nem mesmo mobiliário adequado aos trabalhadores em home office.

Só para retomar a história, na Argentina, o Santander paga aos trabalhadores do país vizinho um bônus para quem está em home office.

Teletrabalho

Na reunião, o Santander informou que está em curso um projeto piloto, com 500 bancários, de jornada mista: quatro dias em home office e um dia com comparecimento na empresa. De acordo com o banco, é disponibilizado treinamento obrigatório para estes trabalhadores e também para os gestores, e o suporte dos sistemas está sendo aprimorado.

Entretanto, foi informado de forma clara que o banco não pretende oferecer qualquer ajuda de custo aos trabalhadores, e nem mesmo mobiliário adequado.

“O Santander, mais uma vez, mostra sua postura arbitrária, unilateral e de desprezo pela negociação coletiva. Na reunião ficou clara a razão pela qual é o único dos grandes bancos que não demonstrou qualquer interesse em negociar um acordo de teletrabalho com o movimento sindical bancário. Quer jogar todo o custo do teletrabalho para o bancário, sem oferecer ajuda de custo e nem mobiliário adequado. Aumento da conta de luz, internet, cadeira e mesa adequadas para não adoecer, o Santander quer que isso tudo fique por conta do bancário”, relata a dirigente do Sindicato e bancária do Santander Ana Marta Lima.

“Cobramos que o banco recue desta posição intransigente e aceite negociar um acordo de teletrabalho que contemple as necessidades dos bancários. O Bradesco, por exemplo, fechou um acordo que prevê, entre outros pontos, uma ajuda de custo de R$ 1.080 e controle de jornada. É inadmissível que o Santander, que tira do Brasil a maior fatia de seu lucro mundial, tente impor prejuízos, financeiros e de qualidade de vida, aos seus trabalhadores”, acrescenta.

STI = Terceirização

Sobre a STI (Santander Tecnologia e Inovação) – a exemplo do que ocorre com a operação terceirizada do call center através da ToqueFale – o Santander não deu mais esclarecimentos às cobranças feitas pela COE.

“A nossa avaliação é de que o banco está criando empresas e fatiando os seus serviços nestas empresas, que contratam trabalhadores com direitos, remuneração e condições de trabalho muito inferiores aos dos bancários. É uma terceirização com objetivo de cortar custos eliminando o emprego bancário”, enfatiza Ana Marta.

“Este método de terceirização aplicado pelo Santander está alinhado com a política de precarização das relações de trabalho defendida pelo governo federal. É urgente a mobilização dos bancários do Santander em defesa dos seus direitos e empregos, mas também pela mudança efetiva da conjuntura política nacional. Essas lutas estão atreladas. O Sindicato intensificará suas atividades de denúncia, protestos e outras formas de pressão. Os trabalhadores responsáveis pelo maior lucro do Santander em todo mundo merecem e exigem respeito”, conclui a dirigente do Sindicato.

Denuncie pressão ao Sindicato

Clique aqui e denuncie abusos aos seus direitos de trabalhador(a). 

Sua identidade fica anônima.

Crédito foto: Freepik

Fonte: SP Bancários/Imprensa SindBancários

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