Santander deve melhorar nossas vidas

Leia relatório de reunião com representantes do banco em 1º de agosto e saiba as reivindicações dos seus representantes e por que o banco pode atendê-las

Os colegas do Santander sabem o que passam dentro das agências do banco quando uma decisão que fragilize o sistema de segurança, como a retirada de portas-giratórias, é tomada pela direção. Também é muito complicado voltar ao trabalho depois de um longo afastamento por motivo de doença e perceber que o acesso a determinados sistemas para realizar operações está inviabilizado, assim como sua carteira de clientes e a remuneração variável deixou de existir no caso de um gerente com longa experiência e competência comprovadas. E quando a tua conta corrente está zerada na volta de um afastamento por doença?

Mas é bom saber também que o valor do quilômetro rodado foi reajustado ao passar de R$ 0,71 para R$ 0,89 e que todo o ano, em dezembro, será reajustado. Mas há questões que ainda dependerão de negociação e até de luta dos representantes dos trabalhadores nas mesas de negociação permanente com o Santander. Na reunião que ocorreu entre representantes dos trabalhadores, integrantes da Comissão de Organização dos Empregados do Santander (COE/Santander), em 1º de agosto passado, muitas questões da vida prática foram debatidas.

Vamos continuar negociando para que nenhum trabalhador ao voltar de afastamento fique com sua conta “zerada”. E que o plano de saúde tenha uma coparticipação maior do banco e menor nossa. O diretor do SindBancários, Luiz Cassemiro, participou desta reunião.

Ele é funcionário do Santander e integrante do COE e fez uma avaliação. “Colegas, negociar com o banco sempre é um teste para a paciência. A gente vai avançando aos poucos. Das pautas debatidas nesta reunião com o Santander, em algumas tivemos êxito. O banco tem plenas condições de atender outras reivindicações, pois os trabalhadores e trabalhadoras do Santander no Brasil são responsáveis por 29% do lucro global. Nosso trabalho produz a maior parcela do lucro mundial”, assinalou Cassemiro.

Confira abaixo um relatório dos temas debatidos:

DUT (Data do último dia trabalhado) direcionada

O Santander fez mudanças no documento referente à declaração do último dia trabalhado. O documento, que deveria se limitar a prestar a informação sobre o último dia trabalhado, tem características de uma clara tentativa de influenciar a perícia médica quanto ao estabelecimento do nexo causal entre as condições de trabalho e a doença adquirida pelo trabalhador.

Reivindicamos a suspensão do procedimento e que o banco se limite a prestar a informação do último dia trabalhado somente quando solicitado e conforme requerido pela autarquia previdenciária e acordado na Cláusula 46ª, da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

O banco alega que pretende ajudar o perito na decisão e que a DUT é para refletir a realidade das atividades. O banco não atendeu o pedido do movimento sindical e disse que analisará ajustes na declaração do último dia trabalhado.

Certificação para trabalhadores afastados

Nos casos em que os colegas que retornam de licença saúde no cargo de Gerente de Negócios e Serviços com a certificação CPA da ANBIMA vencida, o banco tem aplicado carta de advertência. O Santander sustenta que a certificação imediata é uma exigência da ANBIMA. Contudo, esta Associação é apenas uma entidade certificadora, sendo o BACEN o órgão fiscalizador e regulador.

Conforme o normativo do BACEN, especificamente a Resolução 3.158/2003, no caso de o empregado passar a exercer atividade diversa, “a habilitação para o exercício da nova atividade deverá ser providenciada no prazo de um ano, contado da data da mudança de atividade”. Atualmente 93% dos colegas que ocupam cargos que exigem certificação da ANBIMA estão em dia com suas certificações.

O banco informou que, nos casos dos colegas que retornam de licença saúde o prazo para atualizar a certificação ou mesmo obtê-la será de 60 dias. O banco se comprometeu estar mais atento e ter mais cuidado com os casos dos colegas que ficam muito tempo afastados do banco por problemas de saúde.

Retirada de porta-giratória

O banco tem retirado ou está em vias de retirar portas-giratórias de segurança de diversas agências, causando enorme apreensão entre os colegas. Segundo os dados apresentados pelo banco, nos últimos 90 dias, não houve assaltos nas agências sem porta-girtatória de segurança.

O banco afirmou que está implantando sistemas mais modernos de substituição da guarda de chaves das agências. Também foram apresentados outros dispositivos de segurança já instalados.

Além disso, o Santander se comprometeu em cumprir leis municipais e estaduais de segurança bancária. Como é o caso de Porto Alegre para as portas-giratórias, biombos e vidros à prova de bala. Porém nos municípios em que não houver legislação de segurança bancária, as portas-giratórias poderão ser retiradas.

O banco descreveu algumas situações em que não se vê obrigado a dispor de plano de segurança. Nos PAs (postos de atendimento), agências agro sem tesouraria e caixas, quando os caixas eletrônicos são abastecidos por terceiros, o banco disse que emite ofício para a Polícia Federal, que libera da necessidade de ter plano de segurança. Nesse caso, o banco entende que não há necessidade dos tradicionais módulos de segurança.

Reivindicamos a manutenção dos vigilantes. Os representantes do Santander acolheram o nosso pedido e se comprometeram a dar um retorno em breve. Foi reivindicado também que o banco coloque comunicados nas agências a fim de informar a respeito dos novos dispositivos de segurança com o intuito de inibir também os chamados “assaltos de oportunidade”.

Reajuste do KM rodado

Em negociação ocorrida em abril deste ano, conquistamos o reajuste do quilômetro rodado. O valor passou de R$ 0,71 para R$ 0,89, índice que estava defasado desde novembro de 2017. Além disso, ficou definido que os valores serão corrigidos anualmente sempre no mês de dezembro. Na negociação realizada na quinta-feira, 1º/8, o banco garantiu que esse reajuste será com base no IPCA, mais vantajoso para os trabalhadores, e não mais pelo IGP-M.

Plano de saúde

Os colegas representantes do COE/Santander criticaram o aumento abusivo no valor da mensalidade e coparticipação do plano de saúde. O banco não quer saber da nossa reivindicação de implantar de um teto de R$ 200 no valor da coparticipação, alegando que os custos do convênio médico seguem as regras do mercado de planos saúde. O Santander informou que faz levantamento dos casos mais críticos e os encaminha para a área de assistência social. São casos de trabalhadores que fazem tratamentos caros e contínuos e que comprometem boa parte do salário.

Nós, representantes dos colegas, queremos que o banco divulgue aos trabalhadores as informações sobre as regras de acesso a essa ajuda extraordinária. O banco ficou de analisar essa questão. Os trabalhadores podem acessar os extratos pelo aplicativo ou site correspondente ao seu plano de saúde.

Salário zerado no retorno ao trabalho

O retorno ao trabalho tem se transformado em um verdadeiro tormento para colegas após afastamento pelo INSS. Há casos de salário “zerado”. Isso porque, o RH desconta na folha de pagamento do funcionário, que tem o benefício do INSS negado, todo o adiantamento a que ele(a) tem direito. Quer dizer, o colega fica sem salário. Essa atitude do banco afronta cláusula da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que foi negociada justamente para que o trabalhador afastado não fique sem remuneração nesses casos.

Após apontarmos essa transgressão do banco, reivindicamos que a devolução do adiantamento salarial seja correspondente ao máximo de 20% do salário após o retorno do trabalhador afastado pelo INSS e que isso se aplique aos casos em que a “dívida” não tenha sido quitada antes.

O banco se recusou a discutir o tema individualmente, alegando que essa questão deve ser debatida no âmbito da Fenaban. Os casos individuais devem ser reportados pelos Sindicatos ao Santander. O banco não quer se comprometer a redigir e documentar uma política para essa questão.

Então, procuramos negociar o caso dos gerentes gerais e dos gerentes de atendimento que estiveram afastados por até 180 dias do trabalho, voltar à sua agência com a mesma carteira de clientes que tinha antes do afastamento por problemas de saúde. Nossa posição foi negociar que os gerentes afastados por até 180 dias só poderiam mudar de agência caso haja pedido do médico assistente.

Se os afastamentos forem superiores a 180 dias e, porventura, a posição do gerente afastado tenha sido preenchida, os colegas em retorno ao trabalho terão prioridade no preenchimento das vagas correspondentes à sua função que sejam abertas nas agências da sua regional de origem. Apresentamos uma série de relatos que atestam que os trabalhadores nessa situação sofrem assédio moral, pois ficam ‘subutilizados’, sem acesso a uma série de operações e desempenhando funções incompatíveis com seus níveis de experiência. Também ficam excluídos do sistema de remuneração variável (RV).

O banco se comprometeu a analisar a questão da limitação dos acessos, mas se recusou a implantar a regra sugerida pelos representantes, alegando que segue a orientação do médico do trabalho.

Fonte: Imprensa SindBancários

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