Santander demite empregado com mãe em coma

Banco demitiu funcionários por não atingir metas no período. Sindicato de Campos dos Goytacazes e Região (RJ) protestou contra perversidade do ato. Apesar do drama familiar, bancário não havia faltado sequer um dia

O Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e Região, no RJ, realizou um protesto nesta terça-feira, 22/10 (foto), em frente a agências do Banco Santander contra a demissão injusta e perversa de um bancário, dispensado por não atingir as metas de produtividade – no período em estava acompanhando a mãe, internada em estado de coma. A mãe do bancário carioca, demitido no início deste mês depois de cinco anos trabalhando no Santander, está internada há três meses devido a complicações de um pós-cirúrgico, na Unidade de Terapida Intensiva (UTI) de um hospital da cidade.

Mas, mesmo enquanto acompanhava o estado crítico de saúde da mãe, ele não faltou um dia sequer ao trabalho – e mesmo assim foi dispensado. Durante o protesto, ocorrido das 7h às 11h, os dirigentes do Sindicato distribuíram panfletos à categoria e aos clientes, para chamar a atenção do que consideram insensibilidade do banco.

Tudo pelo dinheiro

“É o tipo de atitude que deixa claro o que é prioridade para o banco, que se importa mais com o lucro do que com o respeito à vida das pessoas. Para os banqueiros deste país o que vale é o dinheiro, infelizmente”, disse o presidente do Sindicato, Rafanele Alves Pereira.

O bancário, cujo nome foi preservado pelo Sindicato para evitar exposição desnecessária, trabalhava na agência da Rua 13 de Maio, que só abriu às 11h. A outra ação ocorreu na agência do calçadão. O Sindicato, que não descarta a possibilidade de novas paralisações, inclusive durante todo o expediente, já está preparando o processo para pedir na justiça a reintegração do bancário.

Outros casos

Em setembro deste ano, o Santander foi condenado a pagar indenização de R$ 274 milhões por dano moral coletivo porque submetia os bancários e as bancárias a metas abusivas e isso aumentou o índice de adoecimento mental ocupacional. Em outra ação, o Santander foi condenado a pagar uma multa de R$ 1 milhão por prática de assédio moral. As duas sentenças foram dadas pelo juiz do Trabalho,Gustavo Carvalho Chehab, da 3ª Vara do Trabalho de Brasília.

 

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