Santander negligencia sofrimento dos seus funcionários

Dirigentes da COE/Santander ficaram frustrados com a falta de compromisso do banco espanhol com contratações, descontos no plano de saúde e retorno ao trabalho presencial

Em negociação com a Comissão de Organização dos Empregados (COE), o Santander não apresentou respostas razoáveis e muito menos soluções para problemas detalhados em uma pauta em posse do banco desde o dia 22 de junho.

Na reunião realizada virtualmente na tarde da quarta-feira, 4/8, os representantes dos trabalhadores cobraram mais contratações; respostas para descontos relacionados à gastos nos planos de saúde feitos diretamente na conta corrente dos bancários; retorno ao trabalho presencial e utilização abusiva do WhatsApp Business.

O representante da COE/Santander no RS, secretário executivo do SindBancários, Luiz Cassemiro, levantou questões acerca da saúde dos(as) trabalhadores(as) ante a negligência com o sofrimento de quem luta diariamente para tornar o banco lucrativo.

“O Santander ignora e exclui trabalhadores adoecidos. Nossos colegas ficam em sofrimento e preocupados quando o banco desconta mensalidade de assistência médica direto na conta corrente. É uma falta de consideração ignorar que muitos colegas estão sem salário do banco e da previdência”, lamentou o dirigente.

Para Cassemiro é uma desumanidade o que o Santander tem feito durante a pandemia. “É desumano e uma grande falta de consideração com os colegas que dedicaram décadas de trabalho para o banco. Quando mais precisam do banco, recebem este tratamento”, salientou.

Mais contratações

A COE, que representa os trabalhadores nas negociações frente ao banco, enfatizou a urgência de mais contratações, devido ao grave quadro de sobrecarga de trabalho causado por falta de funcionários.

Foi enfatizado que os lucros do banco aumentam a cada período, assim como a carteira de clientes. Em contrapartida, o número de bancários está sendo reduzido – pela primeira vez desde 2012 o Santander possui menos de 45 mil empregados –, em um contexto de aumento de pressão pelo cumprimento de metas abusivas para obtenção de lucros cada vez maiores, o que está resultando em uma epidemia de adoecimentos relacionados ao trabalho.

“Está faltando trabalhadores nas agências. O Santander cortou mais de 3 mil postos de trabalho durante a pandemia deixando os remanescentes sobrecarregados”, avaliou Luiz Cassemiro.

O dirigente informou que recebe com frequência relatos de colegas que não conseguem almoçar. “Temos relatos de que gestores não estão conseguindo almoçar por falta de funcionários nas agências. É urgente que o banco contrate mais trabalhadores”, acrescentou.

O Santander alegou que promoveu duas mil contratações. O número foi questionado porque o último balanço do banco mostra que houve apenas 78 contratações no semestre.

“Essas duas mil contratações, se realmente ocorreram, foram de trabalhadores terceirizados e não de bancários. Ou seja, o Santander está fatiando trabalhadores por categorias, retirando direitos e precarizando cada vez mais o trabalho. E é revoltante o banco alegar, em mesa de negociação, que a automatização e a mudança de processos internos dentro nas agências resultou em redução de trabalho para os bancários, porque não é isso que constatamos diariamente. As agências estão lotadas e os trabalhadores estão sobrecarregados e cada vez mais adoecidos”, firmou Lucimara Malaquias, coordenadora da COE Santander e diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região

Mensalidade de assistência médica para trabalhadores afastados sem complementação salarial

Muitos trabalhadores têm procurado o Sindicato porque o Santander passou a fazer o desconto do convênio médico em conta corrente, e não em folha de pagamento. O banco alegou que isso só ocorre quando não há saldo na folha de pagamento e que, no seu entendimento, sempre que utilizado, o convênio médico precisa ser pago. Ou seja, é uma relação de consumo.

A COE respondeu que esses trabalhadores já se encontram em uma situação extremamente delicada causada pela doença, e enfatizou que utilizar o convênio médico não é uma opção. Os trabalhadores são obrigados recorrer ao plano de saúde.

É uma situação que está acima da escolha e é justamente nestes momentos da vida que eles mais utilizam o convênio médico. Também afirmou que, ao contrário do trabalhador, o banco tem totais condições de arcar com esse custo durante o afastamento sem complementação, e só efetuar os descontos quando o trabalhador retornar ao trabalho, com os devidos parcelamentos que facilitem a vida do trabalhador.

“O argumento aqui é humanitário. O trabalhador está adoecido, na grande maioria das vezes por causa do trabalho exercido no banco. Portanto, o Santander tem responsabilidade e plenas condições financeiras de ajudar o trabalhador nesse momento”, afirma Lucimara.

O Santander alega que é responsabilidade do funcionário prever este custo e, portanto, ter dinheiro em conta para efetuar esse pagamento. Os representantes dos trabalhadores discordaram da justificativa. O RH se comprometeu a retomar discussão interna na empresa e dar uma resposta sobre este tema nos próximos dias.

Retorno ao trabalho presencial

O Santander informa que, a partir da segunda quinzena de agosto, fará o retorno gradual dos trabalhadores para atividades presenciais. Permanecerão em casa os trabalhadores de maior risco, mesmo os que tiverem sido vacinados com as duas doses da vacina contra o novo coronavírus.

Em relação ao retorno dos trabalhadores vacinados do grupo de risco é de extrema importância que sejam criados critérios com responsabilidade entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban. Não é tolerável que o Santander pressione seus trabalhadores a retornar ao trabalho presencial sem a construção de critérios com o movimento sindical. A pandemia ainda não acabou. Os governantes já anunciaram sinais de alerta de contaminação pela variante Delta que está se espalhando”, alertou Luiz Cassemiro.

Os representantes do banco disseram que não é possível informar o percentual de retorno presencial agora, porque o número pode variar muito, considerando as condições de cada área e a necessidade do trabalho presencial. O Santander se comprometeu a levar em consideração casos de pais e mães cujos filhos ainda não tenham retornado para a escola, além de outras questões de mobilidade.

A COE discordou do retorno presencial tencionado pelo banco, pois entende que é um risco grande para todos os envolvidos, já que, mesmo quem tenha tomado as duas doses, poderá não estar imunizado, ou contaminar outras pessoas. Foi enfatizado que a variante delta, mais transmissível, já responde por 45% das contaminações em alguns estados, o que causa muita preocupação.

Essa discussão será retomada entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, mas a COE já ressaltou ao Santander o risco que o banco assume ao obrigar os trabalhadores ao retorno presencial. E reforçou que, mais uma vez, a empresa não ouve o movimento sindical e nem os trabalhadores, que também expressam grande preocupação com o retorno presencial.

“Ou seja, o banco ignora os riscos e preocupações e coloca esses trabalhadores em uma situação de risco permanente, quando nós sabemos que o trabalho remoto está funcionando muito bem”, afirma Lucimara.

WhatsApp Business

O Santander informou que está proibida a utilização do aplicativo WhatsApp Business para tratar de assuntos relacionados ao banco, devido a uma questão de segurança da informação. Também informou que o número de telefone fixo da mesa, que antes era no banco, agora foi transferido para os notebooks e computadores, e que disponibilizou um guia com orientações para utilização do WhatsApp, disponível na academia do Santander, para o caso de o bancário utilizar o aplicativo para conversas com o cliente.

Sobre a supercomunicação do Santander com os colegas, o diretor do SindBancários, Luiz Cassemiro, chama a atenção para o uso do WhatsApp Business como instrumento de pressão psicológica.

“Ouvimos relatos de colegas que não conseguem desligar do trabalho, porque, tanto clientes como gestores, ficam demandando trabalho sem limite de horário. A orientação do sindicato é que os colegas não forneçam seu número particular para os clientes. Cobramos o banco que emita um normativo interno para gestores reforçando respeitar o horário de trabalho de todos”, detalhou o dirigente.

A COE recomenda que os bancários não utilizem os WhatsApp para conversar com o cliente, porque isso envolve segurança da informação e uma porção de questões que podem resultar em responsabilização do trabalhador.

Diante dos riscos, a COE orienta que os bancários utilizem apenas os canais institucionais disponibilizados pelo Santander. Caso o gestor continue pressionando para que faça atendimento pelo WhatsApp pessoal, ou para que permaneça utilizando o WhatsApp Business, os bancários devem denunciar ao Sindicato, que irá informar o RH para que oriente o gestor. A identidade do bancário que fizer a denúncia será mantida em sigilo.

“Essa pauta foi encaminhada ao banco no dia 22 de junho. O banco desmarcou negociação em duas ocasiões e hoje, finalmente, vem para a mesa de negociação sem respostas concretas e principalmente sem apresentar contrapropostas para os problemas colocados. Ele simplesmente nega que existe uma situação de insatisfação dos trabalhadores. O RH do banco continua pintando um quadro que não existe e que está cada vez mais distante da realidade dos trabalhadores. É um desrespeito com o movimento sindical e com os trabalhadores abandonar cada vez mais a via negocial”, lembrou Lucimara Malaquias, coordenadora da COE Santander e diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região

A dirigente lembra da sentença que condenou o banco em R$ 50 milhões de reais por demissões na pandemia e por condutas antissindicais. No despacho, o juiz da 60ª Vara do Trabalho de SP, Jeronimo Azambuja Franco Neto, mencionou a obra Trabalhadores do mundo: Ensaios para uma História Global do Trabalho, do historiador holandês Marcel Van Der Linden.

“Nessa obra, a classe trabalhadora é definida por uma força centrípeta cuja base central para caracterização da subalternidade é definida pela ‘mercantilização coagida de sua força de trabalho’. A atuação sindical e a negociação coletiva são inversamente proporcionais à coação mercantilista: quanto menos atuação sindical e negociação coletiva, maior será a coação mercantilista – como no exemplo do trabalho escravizado.”

Crédito imagem: Pixabay

Fonte: Seeb/SP, com edição de Imprensa SindBancários

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