Saiba quais deputados congelaram o mínimo regional em 2020

Denúncia da CUT-RS expõe deputados estaduais que votaram pelo reajuste zero ao mínimo regional dois dias depois do segundo turno das eleições municipais

A CUT-RS denunciou na quinta-feira, 3/12, os nomes, os partidos e as fotos dos deputados e das deputadas que votaram a favor da emenda que estabelece reajuste zero para o salário mínimo regional de 2020, durante votação ocorrida no plenário da Assembleia Legislativa no final da tarde de terça-feira, 1º/12, exatamente dois dias após o segundo turno das eleições municipais.

A emenda foi apresentada pelo líder do governo Eduardo Leite (PSDB), deputado Frederico Antunes (PP) e subscrita por outros líderes de partidos governistas ao projeto de lei (PL 35/2020), enviado em 18 de fevereiro pelo próprio governador, que previa um reajuste de 4,5% ao chamado piso regional para repor as perdas com a inflação do ano passado.

Empurraram a votação para depois das eleições

“Os deputados da base aliada do governador, que são maioria na Assembleia, passaram o ano inteiro sem votar o projeto e esperaram o final das eleições para votar sorrateiramente e ferrar os trabalhadores e as trabalhadoras que recebem os menores salários no Rio Grande do Sul”, protestou o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci.

O placar foi 34 votos a 14. Somente as bancadas do PT, PDT, PSol e de três parlamentares de outros partidos votaram contra o congelamento.

“Eles estavam com medo de que os seus candidatos a prefeitos, vices e vereadores perdessem votos e, por isso, empurraram a votação para depois do pleito”, destacou Amarildo.

O deputado Sebastião Melo (MDB) foi candidato a prefeito de Porto Alegre e o deputado Fábio Branco (MDB) disputou a Prefeitura do Rio Grande. “Vamos denunciá-los, junto com o governador, nas suas bases eleitorais, para que os trabalhadores saibam quem vota contra os seus direitos”.

“Sacanagem” com quem ganha menos

Amarildo criticou a blindagem de setores da mídia, que esconderam a votação para evitar o desgaste do governador e dos deputados aliados, e considerou que foi “uma sacanagem” não conceder reajuste para quem ganha menos. “Isso nunca aconteceu antes, desde a criação do mínimo regional em 2001, no governo Olívio Dutra (PT)”, frisou.

“É verdade que os governos do PSDB e do PMDB nem sempre garantiram a reposição da inflação do ano anterior, mas é a primeira vez que aprovaram reajuste zero, cedendo ao choro dos empresários com visão atrasada que querem o fim do piso regional para explorar ainda mais os trabalhadores”, salientou o dirigente sindical

Com isso, o trabalhador perde mais poder de compra, neste momento difícil de alta dos preços dos alimentos, por causa da pandemia e da política econômica do governo Bolsonaro que favorece o agronegócio e o capital financeiro.

O presidente da CUT-RS lembrou que em 2019, no primeiro ano do governo Leite, o piso regional foi reajustado em 3,4%, ficando abaixo do INPC de 3,57% no período. Antes, em 2018, no último ano do governo Sartori (MDB), a correção fora de 1,81%, também menor do que a inflação, que havia sido de 2,07%.

 

Único estado do Sul do Brasil que congelou piso regional

Dos três estados do Sul, o RS foi o único que congelou o piso regional este ano. Santa Catarina aprovou aumento de 4,96% e o Paraná, 5,86%. São inclusive percentuais maiores que o aplicado no mínimo nacional, também corrigido. As cinco faixas do piso regional ficaram assim congeladas entre R$ 1.237,15 e R$ 1.567,81.

“A roda da economia só vai girar se o trabalhador tiver emprego e renda para consumir”, defende Amarildo. “Apostar no arrocho salarial é travar o crescimento econômico e aumentar a fome, a miséria e a violência”, alerta. “Nós queremos um futuro de esperança para o povo gaúcho e não aceitamos crescer como rabo de cavalo (para baixo)”, concluiu.

Confira quais deputados estaduais e seus partidos que votaram contra o reajuste zero

Fonte: CUT-RS

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