RVs e agências desaparecem no Banrisul

Banrisulenses expostos em agências ao coronavírus não têm seu esforço reconhecido pela diretoria do banco, que acelera a reestruturação com fechamento de mais uma agência em Porto Alegre

O Banrisul tem remunerações variáveis, as chamadas RVs, que têm parâmetros de remuneração relacionados ao desempenho do banco e dos colegas. Mas, desde que o banco publicou uma Instrução administrativa (IA) às 16h da quinta-feira, 15/4, Banrisulenses passaram a entrar em contato com o Sindicato para reclamar da suspensão da RV1.

E as reclamações aumentaram depois que o banco simplesmente fechou a agência Moinhos de Vento em Porto Alegre, na sexta-feira, 16/4. As duas notícias terríveis reforçam o que o movimento sindical diz há um bom tempo: estamos diante de uma tempestade perfeita, com um governador privatista e um uma diretoria que sabe fazer o serviço de desmonte do banco.

É preciso dizer que a RV1 remunera Banrisulenses a cada seis meses. A IA publicada caiu como um balde de água fria em pleno inverno na cabeça trabalhadores do Banrisul, que mesmo tendo metas abusivas cobradas em plena pandemia, tiveram que engolir em seco o acesso sonegado a essa pequena recompensa por seus esforços, direito, aliás, obtido com muita luta sindical e dos(as) Banrisulenses.

A RV1 é definida de acordo com a Performance Global do Banrisul em relação a oito bancos concorrentes. Ela não vai ser pega neste semestre porque a rentabilidade do primeiro semestre de 2020 ficou abaixo da média ponderada.

“Com base nos parâmetros estabelecidos para o 2º semestre de 2020, a rentabilidade de 5,16% do banco representou 74,73% da média ponderada da amostra. A regra para a distribuição da remuneração é de que a Instituição deveria atingir piso mínimo de 85%, condição esta que não foi atingida. Dessa forma, conforme as diretrizes previamente determinadas, e de conhecimento de todos os empregados do Banrisul, não haverá distribuição de RV1 referente ao 2º semestre de 2021”, diz o comunicado.

Outro problema que vem se agravando diz respeito à variável dos operadores de negócios (RV3). A cada semestre, o montante de empregados que não conseguem alcançar as absurdas metas estipuladas aumenta e as reclamações se acumulam.

Inclusive, está no ar uma pesquisa pública sobre perspectivas para este semestre, que convidamos todos os ONs a clicarem no link a seguir e participarem:

Clique aqui e participe. A pesquisa é breve, objetiva e não coleta nenhum dado pessoal.

Desde que o governador Eduardo Leite assumiu em 2019 e trouxe, a peso de ouro, o operador de mercado Claudio Coutinho, a vida de quem mais trabalha ralando dentro das agências bancárias, mesmo em tempo de pandemia, ficou bem pior. Nesse período já vimos o montante a ser distribuído de remunerações ser diminuído, vimos percentuais mínimos de atingimento de meta serem aumentados, vimos agências e carteiras sendo extintas e vimos, na contramão de tudo isso, os salários da diretoria crescer.

É o caso aquele da clássica metáfora de desenho animado. A diretoria do Banrisul bota a cenoura na frente dos colegas e é como se dissesse: vai enfrentar o coronavírus e te mata trabalhando se quiser ganhar RVs. O problema é que a cenoura anda ficando cada vez menor e mais longe. Quer dizer, o volume de negócios caiu no mercado por conta da pandemia, o pessoal sofre com medo do coronavírus e agora sofre ainda mais com a ausência de pagamento da RV1.

“Desde que saiu o informe da RV1, o assunto virou o mais reclamado pelos Banrisulenses ao Sindicato. É incrível que, em tempos de pandemia e crise financeira, a diretoria do banco não tem a sensibilidade de atender aos nossos apelos e flexibilizar essas metas comerciais, valorizando os trabalhadores e trabalhadoras que, com todas as dificuldades, têm arriscado suas vidas para garantirem a estabilidade do banco e a concretização dos negócios. Parece que quanto mais o cenário se complica, mais a diretoria faz questão de afastar a cenoura das metas do alcance dos seus empregados. Isso desmotiva e joga contra a empresa. É uma relação perde-perde”, desabafou o presidente do SindBancários, Luciano Fetzner.

A moral da história é que tudo isso que vem acontecendo pode ter relação com a crescente ameaça de privatização do Banrisul. A PEC 280/2019 galopa na Assembleia Legislativa e pode, a qualquer momento, ser levada a plenário e ser aprovada para retirar o plebiscito da Constituição e facilitar a venda do Banrisul, Procergs e Corsan.

Então, não é difícil associar o aperto nas metas e a reestruturação a uma espécie de preparação para a venda do banco público dos gaúchos.

Fonte: Imprensa SindBancários

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