Resultado das eleições traz novas perspectivas para a Caixa

Movimento sindical defende retomada da função social do banco

Funcionários de bancos públicos relatam alívio com o resultado da eleição presidencial, por significar o fim do plano de privatização, promovido pelo atual ministro da Economia Paulo Guedes com o aval do governo Bolsonaro, que já entregou ao mercado Eletrobrás e BR Distribuidora, e prometia colocar “na fila” outras empresas públicas, incluindo Petrobras e Banco do Brasil (BB).

A expectativa do movimento sindical é de que a Caixa, assim como o Banco do Brasil, entre numa nova fase de fortalecimento enquanto empresa pública. Após uma trajetória de desmonte promovida pelo atual governo, com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 30 de outubro a Caixa pode retomar seu papel no desenvolvimento do país. O presidente eleito afirmou, em diferentes ocasiões, “que os bancos públicos e as empresas públicas” voltarão a cumprir a função, como foi em seus governos anteriores, “de fazer investimentos no país e com isso, lógico, contribuir na geração de emprego e para tirar a população da miséria”.

De acordo com Caroline Heidner, diretora do SindBancários, está claro que a Caixa será demandada a partir de 2023 como instrumento financeiro estratégico do novo governo, com destaque para a volta do Programa Minha Casa, Minha Vida, citado por Lula em seu discurso na noite da vitória. “O noticiário econômico desta semana relata que as construtoras já se articulam para apresentar à equipe de transição um conjunto de sugestões para a origem de recursos do programa, de forma a viabilizar a volta da Faixa 1, esvaziada por Temer e extinta por Bolsonaro. Tal articulação demonstra o interesse do setor no programa que, além de atacar o déficit habitacional do país, ainda movimenta uma cadeia produtiva vigorosa na geração de empregos”, pontua a dirigente, também funcionária do banco.

No entanto, os empregados da Caixa também têm expectativas para além da manutenção da Caixa pública, “especialmente em relação ao aumento do número de empregados – inclusive para que o banco dê conta do acionamento dos programas e políticas sociais com bom atendimento à população e condições dignas de trabalho – e ainda em relação ao respeito dos nossos direitos na Funcef e no Saúde Caixa”, complementa Caroline.

Adoecimento, sobrecarga e assédio institucional

Nos últimos anos, conforme alerta o Sindicato dos Bancários, empregados da Caixa têm enfrentado um clima de assédio institucionalizado e medo de retaliação, reforçando o adoecimento e também a sobrecarga dos funcionários. “Os últimos quatro anos alteraram de forma significativa a cultura organizacional, vimos ser instalada uma cultura do medo e que privilegia práticas assediadoras, os colegas estão adoecidos e esgotados. É preciso muito esforço e ações da Caixa para que a gente volte a ter um ambiente de trabalho mais acolhedor e saudável”, avalia Sabrina Muniz, dirigente da Fetrafi-RS e funcionária da Caixa há 20 anos.

Na opinião de Sabrina, é preciso que a Caixa volte a ser o banco de todos os brasileiros e sirva ao desenvolvimento do Brasil, o que inclui o desenvolvimento social. “A expectativa é que a Caixa participe de forma importante da política econômica e de desenvolvimento do país, contribuindo para o crescimento econômico e também para a geração de emprego e renda. Também esperamos o retorno de programas para aqueles que mais precisam, como todos os programas sociais do banco”, pontua a dirigente.

Papel na regulação de mercado

O diretor de Comunicação do SindBancários, Gilnei Nunes, destaca também o papel da Caixa como condutora na redução dos juros bancários. “A instituição sempre foi referência na redução das taxas de juros, tendo inclusive uma atuação importante durante a crise financeira de 2008”, recorda. Segundo o dirigente, a expectativa é que a Caixa retome seu lugar enquanto fonte de crédito essencial ao crescimento econômico nacional.

Para o diretor Financeiro e empregado da Caixa, Tiago Vasconcellos Pedroso, o que já se viu e o que se espera do banco em uma gestão democrática e popular é o posicionamento da estatal como principal instituição financeira do governo federal. “Sobre ela cairão as responsabilidades para a implementação e fortalecimento das políticas públicas que promoverão a inclusão social e o financiamento das atividades econômicas produtivas, que impactam diretamente sobre a renda e a qualidade de vida da maioria da população brasileira”, explica. Entre elas, afirma Tiago, está a oferta de Microcrédito, o Penhor, cuja exclusividade foi retirada da Caixa em 1º de junho deste ano, na Câmara dos Deputados; e o Crédito Imobiliário e de Infraestrutura, “cuja liderança no setor faz da CEF uma impulsionadora de toda cadeia da construção civil, essencial para a retomada do crescimento do país, pela sua alta capacidade de geração de empregos”.

Texto: Amanda Zulke/Imprensa SindBancários, com informações da Contraf/CUT

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