Relatos de casos de Covid-19 voltam a crescer nas agências do Banrisul, denuncia SindBancários

Ausência de protocolos sanitários preocupa entidade sindical como o banco está tratando o assunto, como está a situação das internações no RS

O crescimento no número de casos de infecção por Covid-19 nas agências do Banrisul da Grande Porto Alegre vem causando preocupação junto à categoria. No início da semana, 13 funcionários da agência do Palácio da Justiça foram afastados do trabalho por contaminação com o vírus. Na agência Menino Deus, há funcionários com suspeita de terem se contaminado. Na Agência Boqueirão, em Canoas, há três novos casos e cinco sob suspeita.

A situação nos escritórios de negócios e unidades bancárias tem sito acompanhada de perto pelo sindicato desde o início da pandemia e, se é verdade que o número de óbitos em decorrência do coronavírus caiu significativamente no Rio Grande do Sul, após a vacinação da ampla maioria da população gaúcha com a terceira dose do imunizante, o estado não está ainda livre de contaminações. Muito pelo contrário.

Segundo monitoramento da Secretaria Estadual de Saúde, o aumento das contaminações já se reflete no número de internados em leitos clínicos no RS. Entre suspeitos e confirmados, houve um aumento de 83% nas hospitalizações nas últimas duas semanas, o que corresponde a 320 pacientes internados em UTIs em decorrência de complicações com o vírus; outros 50 aguardam testagem para confirmação dos casos. Mesmo sendo um número menor do que o registrado no auge da pandemia, o momento pede cuidado, alerta o diretor de Comunicação do SindBancários, Gilnei Nunes.

“A pandemia não acabou, ao contrário do que pensam muitos gestores de agências e unidades bancárias. Os protocolos sanitários de combate à Covid-19 já não vêm sendo cobrados à risca dentro dos ambientes de trabalho. Após o fim do decreto de estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin), os bancos afrouxaram a cobrança pelo uso de máscaras e álcool gel dentro de suas imediações. O resultado está aí e o SindBancários não irá se omitir quando o assunto é a saúde da categoria”, avalia o dirigente que é funcionário do Banrisul.

O resultado do descuido das autoridades públicas em relação à proliferação de um possível novo surto da doença também pode ser visto na atual situação das Unidades de Pronto Atendimento de Porto Alegre. No Pronto Atendimento da Bom Jesus (PABJ), que possui sete leitos, há 26 pacientes em observação e a maior taxa de ocupação, com 371,43% de lotação. A UPA da Lomba do Pinheiro (PALP) também opera acima da capacidade, com 25 pacientes e lotação de 277,78%. Já a Unidade de Pronto Atendimento Moacyr Scliar, na Zona Norte, que conta com 17 leitos, tem 46 pacientes em observação, o equivalente a lotação de 270,59%.

Gilnei Nunes também questiona a quem interessa o afastamento cada vez maior de profissionais por conta da Covid-19. “É importante que o Banrisul volte a aplicar os protocolos sanitários, sob o risco de ter os seus resultados financeiros afetados pelo afastamento em massa de profissionais contaminados pelo vírus. É preciso ter em mente que cuidar da saúde dos banrisulenses é também zelar também pela saúde do banco”, conclui Gilnei.

Grupo de risco
A recusa do Banrisul em manter em teletrabalho os profissionais que possuem comorbidades também preocupa as entidades sindicais bancárias. Representante da categoria nas discussões sobre Saúde com o banco, a diretora da Fetrafi-RS, Raquel Gil, denuncia que o Banrisul vem questionando sistematicamente os atestados apresentados por bancários do grupo de risco que deveriam permanecer em regime de teletrabalho.

“Um médico questionar um atestado é algo que, não apenas fere a ética médica, como é constrangimento para nossos colegas. E não apenas isso, é também uma ameaça para a integridade física e mental dos bancários. Os bancos estão querendo que estes profissionais se afastem pelo INSS, sendo que eles estão aptos a trabalhar, só que não no regime presencial. Nós questionamos o Banrisul quanto a isso, e ainda aguardamos um retorno sobre o assunto”, destaca a diretora.

Para Raquel, os surtos de Covid estão crescendo em tamanho e atingindo proporções que aspiram preocupação devido à demora do banco em fechar agências e promover a testagem em massa. Este era o protocolo acordado com as entidades sindicais, antes do fim do decreto de emergência. Mas, agora, os trabalhadores estão ainda mais expostos.

“Até o banco testar e afastar os profissionais contaminados, o vírus já se alastrou. É preciso celeridade nestes processos e, com fim do decreto de estado de pandemia, não há mais um compromisso do banco em manter um nível rígido na cobrança de protocolos de saúde”, lamenta a diretora, que cobra uma posição urgente do banco emnome da categoria.

Bancários e bancárias que possuam denúncias sobre infecções de Covid-19 em agências bancárias podem entrar em contato com SindBancários através do telefone (51) 3030-9400, pelo e-mail [email protected], ou ainda nas redes sociais.

Texto: Marcus Perez

Fonte: Imprensa SindBancários

Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

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