Reforma da Previdência avança na Câmara Federal, em troca de emendas milionárias aos deputados

Cada deputado que apoiou aprovação da reforma ganhou R$ 40 milhões em emendas

Um verdadeiro “toma lá, dá cá”. Assim pode ser definida a aprovação pelos deputados da Emenda da Reforma da Previdência, na noite terça-feira, 23/04, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. Esta “Deforma”, que retira o direito a aposentadoria digna dos brasileiros e brasileiras após uma vida inteira de trabalho, recebeu voto favorável de 48 deputados da base do desgoverno Bolsonaro e 18 votos contrários da oposição. Em troca, – segundo denúncia da Folha de S. Paulo, confirmada pelos líderes de cinco partidos – cada um dos quase 50 parlamentares governistas aceitou a oferta do titular da Casa Civil, Ônix Lorenzoni, de destinar um “extra” de R$ 40 milhões em emendas parlamentares, até 2022, para cada deputado que votasse pela aprovação da Reforma.

Proposta indecorosa

A proposta indecorosa foi feita pelo gaúcho Lorenzoni em reunião na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na semana passada. A existência da proposta foi confirmada a Folha de S. Paulo por deputados do DEM, PP, PSD, PR, PRB e Solidariedade, com a condição de não terem seus nomes divulgados.

As bancadas do PT, PCdoB, PDT e PSOL ainda recolheram assinaturas, numa tentativa de travar a tramição da PEC da Previdência até que fossem liberados dados sobre os impactos negativos da Reforma. Mas, é claro, a tentativa da oposição foi rejeitada pelo governista Maia.

Reduzindo danos

Mesmo compradas com o dinheiro de emendas milionárias oferecidas pelo governo, as bancadas de direita tiveram que acatar exigências dos oposionistas e terminaram retirando quatro pontos da proposta da Reforma. Confira abaixo:

O que foi cortado

Fim do Pagamento de multa de 40% do FGTS e do recolhimento pelo empregador do fundo do trabalhador já aposentado que voltar ao mercado.

Concentração, na Justiça Federal em Brasília, de ações judiciais contra a reforma da Previdência.

Exclusividade do Poder Executivo de propor mudanças na Previdência Social.

Possibilidade de que a idade de aposentadoria compulsória dos servidores públicos (hoje, aos 75 anos) seja alterada por lei complementar, em vez de ser definida pela Constituição, como é atualmente.

Velha política

Na avaliação do presidente do SindBancários, esta compra de votos pelo governo para aprovar uma reforma prejudicial aos trabalhadores é uma demonstração nítida da “velha política” sendo praticada às claras: “Bolsonaro e seus aliados se elegeram vendendo à população, entre outras coisas, a ideia de que eles acabariam com a ‘velha política’ e fariam um governo ético”, lembrou Everton Gimenis. “Na verdade, a velha política da corrupção está mais viva do que nunca no governo dele”, concluiu o sindicalista.

 

Fonte: Imprensa SindBancários, com foto da Câmara Federal

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