Quebrou? Chama os comunistas

Reestatização de gigante chinesa Evergrande do ramo imobiliário pode amenizar efeito na economia mundial trazer paz as Bolsas de Valores pelo mundo. Até Wall Street chamou os comunistas

Desde que Jair Bolsonaro se elegeu em 2018, a palavra comunista virou sinônimo do que há de pior no mundo. Grandes empresários, apoiadores, produtores de fake news, não cansam de chamar de “comunistas” seus inimigos progressistas e alinhar a esta palavra a pecha de incompetência.

Mas, esta semana, os jornais mais conservadores do país e do mundo pediram água, ou melhor ajuda ao Partido Comunista Chinês. Tudo porque, na segunda-feira, 20/9, o mundo acordou em pânico. A China Evergrande Centre, uma megaincoporadora de negócios imobiliários na China, anunciou que não tinha como honrar compromissos financeiros da ordem de US$ 83,5 milhões (R$ 450 milhões).

Ações nas Bolsas de Valores do mundo ameaçaram despencar, especialmente papéis do setor imobiliário. E Wall Street, onde fica a Bolsa de Nova York, como ficou? O que seus operadores bilionários e seus administradores fizeram? Rezaram?

Não. Apelaram para o Partido Comunista Chinês. Sim, jornais como o conservador O Globo, do Rio de Janeiro, chegou a emplacar a seguinte manchete sobre a notícia: “Evergrande: Wall Street está apostando suas fichas no partido Comunista Chinês”.

Não por acaso, Wall Street ficou a ponto de acender uma vela aos comunistas. A agência de Notícias Asia Markets, com sede em Hong Kong, anunciou, na quarta-feira, 22/9, que o governo chinês está prestes a anunciar um acordo para salvar a Evergrande.

A maio aposta é que ela se torne uma megaestatal chinesa. Isso aconteceu depois que milhares de chineses foram às ruas protestar e exigir uma solução rápida para o problema. A Evergrande é a maior empresa do ramo imobiliário e atualmente está tocando cerca de 1,4 milhão de imóveis.

O setor imobiliário responde por 25% do PIB chinês. Por isso, um acordo com o governo chinês pode ser fundamental para não deixar milhões de chineses com papéis podres nas mãos e sem ter onde morar.

O caso da possível e até esperada por Wall Street reestatização da Evergrande serve bem para ficarmos atentos ao que o governo federal faz com empresas públicas brasileiras como Correios, Petrobrás e Eletrobrás.

E, claro, o que o governador Eduardo Leite opera com a privatização de empresas como a CEEE-D, vendida por R$ 100 mil, e a Corsan, com autorização do parlamento gaúcho a ser entregue para “o mais competente setor privado”.

Ora, depois que a PEC 280/2019 foi aprovada em dois turnos na Assembleia Legislativa, entre abril e junho deste ano, o Banrisul passou a ficar a poucos votos de ter sua venda liberada. Depois que houver problemas, quem o povo gaúcho vai chamar para devolver seu patrimônio destruído pela incompetência privada?

Bem que os comunistas poderiam estar chegando no Rio Grande do Sul. Não é verdade?

Fonte: Imprensa SindBancários

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