“Quanto mais cheque melhor”

Presidente do SindBancários, Everton Gimenis, fala das lutas jurídicas dos bancários e dos riscos ao patrimônio público e ao meio-ambiente que os governos Bolsonaro e Leite representam

Frase de Everton Gimenis, presidente do SindBancários, dita quando acompanhava a movimentação na terça-feira, 22/10, na sede da entidade, início da distribuição dos mais de 1.200 cheques para os colegas do Bradesco. Os valores recebidos são resultados de uma ação coletiva de 2013, que, agora, estabeleceu a justiça no pagamento de diferenças da PLR na gratificação semestral entre bancários e ex-bancários do Bradesco.

O banco recorreu e não levou”, apontou Gimenis, que ingressou na categoria em 1987, no Banco Mercantil de São Paulo, e se tornou um bradesquiano de carteirinha desde 2004. Confira, abaixo, trechos da conversa com o presidente do SindBancários, que se deu ao longo do balé das assinaturas dos associados em sintonia com aquela máxima “felicidade e liberdade não se compram, se conquistam”.

O cheque vai alegrar a vida do bancário?

Sem dúvida que vai. Eu mesmo recebi um cheque e sou prova viva de que vale a pena lutar pela categoria, pelos nossos direitos e fortalecer a nossa entidade de classe. Como qualquer trabalhador, o bancário anda apertado no orçamento e um dinheiro a mais é uma grande ajuda. Quanto mais quente melhor, é o nome de um filme. Para o bancário, quanto mais cheque melhor. Neste caso, luta e reparação judicial combinam com atitude e alegria.

Como se explica o destaque do Sindicato na conquista de ações judiciais

De fato, além desta ação do Bradesco, estamos organizando para muito breve a distribuição de mais de 2 mil cheques para os colegas do Banrisul em mais uma ação coletiva do Sindicato, que garantiu a integração do ADI na PLR dos banrisulenses. Estes dois exemplos mostram a competência da nossa assessoria jurídica, da dedicação dos diretores em ouvir e dedicar-se na solução das demandas banco a banco e, principalmente, à participação dos colegas da base na coleta de documentos, nos levantamentos dos problemas e nos encaminhamentos das soluções. Nossas conquistas são frutos da luta coletiva, seja no plano jurídico, associativo, político ou sindical.

Que outras lutas estão sendo tocadas pelos bancários?

Nosso Sindicato é um organismo vivo, plural e busca a unidade na luta como o melhor caminho pra garantir direitos e avançar nas conquistas, tanto dos bancários como da classe trabalhadora. Assim, estamos mobilizados contra a privatização do Banrisul e demais estatais gaúchas, em defesa da Cassi e por uma Caixa Federal 100% pública. Nos bancos privados, queremos o fim das demissões e das metas abusivas, além de melhorias nas condições de trabalho. Estamos preparando, também, uma campanha pra alertar o bancário sobre os cuidados com a saúde e a formação de uma Rede de Solidariedade nesse sentido. A defesa do meio ambiente faz parte da agenda de luta do Sindicato, hoje expressa na tentativa de explorar uma mina de carvão em Eldorado do Sul, que poderá poluir e destruir o Delta do Jacuí.

Na sua opinião, os trabalhadores estão retomando as mobilizações?

Os sinais estão claros. A mobilização dos servidores públicos, em particular os professores, contra os planos de arrocho, privatizações e demissões do governador Leite. O mesmo acontece com os companheiros municipários que estão em luta contra o desmonte da saúde promovido pelo prefeito Marchezan. Estivemos juntos, também, no apoio à greve dos trabalhadores da Procergs e seguimos ao lado dos servidores do judiciário gaúcho, que seguem paralisados em todo o Estado.

E no plano federal?

As reformas trabalhista e previdenciária mostram que o governo Bolsonaro está determinado a dar fim nas conquistas sociais do povo brasileiro. É um entreguista dos bens naturais do Brasil e um atacadista do patrimônio público. Precisamos de unidade e muita luta pra reverter este quadro que assola o nosso país, gerando tristezas e plantando desesperanças no coração do trabalhador.

Entrevista: Moah Sousa, assessoria de comunicação SindBancários

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