Primeiro as vidas, depois a economia

Chefes da OMS e do FMI pediram em artigo que chefes de estado priorizem gastos com saúde e que salvar vidas é pré-requisito para recuperar a economia

Os chefes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) insistiram na sexta-feira, 3/4, que salvar vidas é um “pré-requisito” para salvar os meios de subsistência, chamando a pandemia de “uma das horas mais sombrias da humanidade”.

A economia mundial foi atingida pelo vírus e paralisações associadas, já que mais da metade da população do planeta vive sob alguma forma de confinamento para retardar a propagação da pandemia.

A COVID-19, que surgiu em dezembro na China, matou mais de 53 mil pessoas e mais de um milhão deu positivo para o vírus.

“Todos os países enfrentam a necessidade de conter a propagação do vírus à custa de paralisar sua sociedade e sua economia”, escreveram Tedros e Georgieva em um artigo conjunto no jornal britânico “The Daily Telegraph”.

“Salvar vidas ou salvar meios de subsistência? Controlar o vírus é, em qualquer caso, um pré-requisito para salvar meios de subsistência”.

A orientação dos dois chefes da OMS e do FMI contraria as atitudes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No discurso, ele não hesita em lançar mão de fake news para chamar a COVID-19 de “gripezinha” ou justificar sua tese de que a perda de algumas vidas no Brasil são até justificáveis ante os efeitos sobre a economia.

Mas, como se não fosse suficiente, Bolsonaro, na prática, alimenta a crise econômica para a qual faz o alerta ao condenar o isolamento social como medida efetiva à contenção do novo coronavírus. No dia 1º/4, ele editou a MP 936, praticamente, liberando empresário a demitir e a reduzir salários nos próximos 60 dias.

Ambos explicaram que em muitos países, especialmente os mais pobres, os sistemas de saúde não estão “preparados para uma investida” de pacientes com Covid-19 e instaram os estados a priorizarem os gastos com saúde.

“O curso da crise global da saúde e o destino da economia mundial estão intrinsecamente entrelaçados. Combater a pandemia é uma necessidade para a economia se recuperar”, escreveram eles.

“Nosso apelo conjunto é que, em uma das horas mais sombrias da humanidade, os líderes devem dar um passo em direção às pessoas que vivem em mercados emergentes”.

O artigo ressalta que 85 países estão buscando financiamento de emergência do FMI e que a instituição com sede em Washington está dobrando sua capacidade de resposta a emergências de US$ 50 bilhões para US$ 100 bilhões. A capacidade total de empréstimo do FMI é de US$ 1 trilhão.

Fonte: G1, AFP, com edição de Imprensa SindBancários

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