Pressão de empresários ameaça contenção a coronavírus no RS

Seguindo orientação de Bolsonaro, entidades patronais do Estado lançaram manifesto e forçaram governador Eduardo Leite a afrouxar quarentena

Na quinta-feira, 26/3,  os empresários da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul) e Fecomércio (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Rio Grande do Sul) lançaram um manifesto pedindo a reativação da economia gaúcha, ou, em outras palavras, o fim da quarentena. Ignorando alertas e informações de especialistas e autoridades em saúde e de olho nos lucros, os patrões desejam que os trabalhadores comecem a retornar em 1º de abril e que no dia 6 todos tenham retomado suas atividades.

No dia seguinte, a sexta-feira, 27/3, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), começou a abrandar a quarentena por meio de um novo decreto estadual. Muitas atividades seguem impedidas de acontecer, mas ficou definido que agências bancárias, casas lotéricas e igrejas e templos religiosos devem permanecer abertos.

O pedido dos empresários que pressionou Eduardo Leite e prefeitos do estado a afrouxarem a quarentena é resultado do pronunciamento feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na noite de terça-feira, 24/3, quando minimizou os cuidados a serem tomados e afirmou que o coronavírus não é mais do que “um resfriadinho”. Como alternativa, Bolsonaro defendeu o isolamento vertical, que envolveria apenas grupos de risco.

Em nome do lucro e da sobrevivência política, Bolsonaro e os empresários alinhados a ele desprezam vidas. É sempre bom lembrar que a crise do coronavírus é mundial e até o momento a quarentena com isolamento em casa foi o método mais eficaz para reduzir o contágio.

O impacto na economia deve ser solucionado por meio de políticas elaboradas pelos governos. Vidas importam mais do que dinheiro. Até o momento, no mundo todo, mais de 25 mil pessoas já morreram em decorrência do vírus.

Marcha da insensatez

O mesmo Bolsonaro levou gente à rua. As redes bolsonaristas foram às ruas em carreatas pelo Brasil. Em Porto Alegre, desfilaram irresponsabilidade em bairros como a Cidade Baixa.

Mensagens de whatsapp circulam e chamam mais manifestações púbicas pelo fim do isolamento até o domingo, 29/3. Há exatamente um mês, o prefeito de Milão havia feito o mesmo: apoiado a iniciativa de mandar as pessoas às ruas. Na quinta, 26/3, ele pediu desculpas. Já são quase 90 mil infectados na Itália. E mais de 9 mil mortos depois.

Crédito foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

Texto: Caio Venâncio

Fonte: Imprensa SindBancários

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER