Presidente do SindBancários defende Banrisul público na Câmara de Vereadores e diz que venda é um mau negócio para o RS

Por cerca de duas horas, a defesa do Banrisul público se tornou o assunto da sessão da quarta-feira, 12/4, do Plenário Otávio Rocha, da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. A atenção dos edis da Capital convergiu para a defesa do banco públicos dos gaúchos dos ataques privatistas dos governos Temer e Sartori a partir da participação do presidente do SindBancários, Everton Gimenis, no Período de Comunicação Temático da sessão. Por 20 minutos, Gimenis ocupou a tribuna para defender o Banrisul públicos, trazer argumentos contrários à privatização, contar a história de outras tentativas de venda e propor soluções para o Estado superar a crise fiscal em que está metido. A proponente do espaço de manifestação do SindBancários foi a vereadora Sofia Cavedon (PT).

Gimenis iniciou sua fala lembrando que os Banrisulenses têm sido chamado à luta para a defesa do Banrisul público pelo Sindicato com uma frequência inquietante. “De tempos em tempos, temos que voltar a falar da privatização do Banrisul, um tema que deveria estar superado. Nós vencemos este debate agora. A história provou que não é preciso vender o Banrsiul para tirar o Estado da crise”, assinalou.

Gimenis lembrou também dos ataques sistemáticos que o Badesul, banco de fomento, tem sido alvo desde o ano passado. Tanto setores da imprensa quanto o próprio governo mira o desgaste da imagem do Badesul para enfraquecê-lo. O mesmo ocorre com o Banrisul. Gimenis explicou que o ataque realizado pelo atual governo repete uma estratégia que o governo Yeda Crusius levou adiante até c9onsegiuor vender 43% das ações IPO do Banrisul em 2007.

Além de exaltar a importância social e econômica do Banrisul e do Badesul, o presidente do SindBancários explicou que vender o Banrisul e todo o patrimônio público como a CEEE, a Corsan, a Sulgás e a CRM, como propõe o PL 343/17, do Regime de Recuperação Fiscal, irá ampliar a dívida do Estado e não vai resolver o problema financeiro.

“Os grandes bancos privados não têm nenhuma preocupação social. O papel deles é explorar cada vez mais o funcionário e manter e ampliar o lucro. O Banrisul é necessário no Estado. UM estado que abrir mão de um banco, abre mão de uma política  autônoma. O que o governo federal está propondo é simplesmente uma moratória de três anos de pagamento da dívida enquanto o juro continua correndo. O governo que assumir após o Sartori vai ter que pagar uma dívida ainda maior e não vai ter mais uma ferramenta de desenvolvimento e investimento público como é o Banrisul. Vender o Banrisul é um péssimo negócio para o Estado”, acrescentou Gimenis.

Há saídas para superar as dificuldades financeiras. Mas é preciso que os gestores públicos tenham vontade de buscar recursos com muito trabalho e com propostas claras de recuperação de valores que a União deve aos estados. Uma delas é propor ao governo federal um encontro de contas. Com o que o Estado deve à União (cerca de R$ 50 bilhões) e com os créditos que teria para receber da Lei Kandir (calcula-se entre R$ 30 bilhões e 45 bilhões), o que pode reduzir a dívida global em até 10 vezes. “O governo tem que ter vontade política e disposição para trabalhar em busca de alternativas.  Tem que abrir a caixa-preta das isenções fiscais. Ninguém sabe quem e quanto ganhou de isenção e quantos empregos gerou. E tem que abrir também a caixa-preta da sonegação, investindo em fiscalização, controle e recuperação de valores. São bilhões. Quem faz sonegação não são os trabalhadores”, finalizou.

Saúde e chantagem

A vereadora Sofia Cavedon abriu o seu espaço de manifestação fazendo uma menção à provocação de um vereador que costuma dizer na tribuna que só vai vestir a camiseta da luta do Banrisul quando o banco público for privatizado, informando investimentos em hospitais privados. O Funafir (Fundo de Apoio Financeiro e de Recuperação dos Hospitais Privados) garantiu repasses de R$ 200 milhões a vários hospitais privados desde 2015. “Todos vimos a crise dos hospitais no governo Sartori, e o Banrisul foi o banco acionado para socorrer. A maioria das contas correntes do banco é de trabalhador assalariado. O Banricompras possibilita o parcelamento. Muitas vezes, a pessoa não tem como ter cartão de crédito, mas tem o Banricompras”, enumerou Sofia.

A vereador lembrou de sua cidade natal, Veranópolis na Serra Gaúcha, e do apoio que o Banrisul oferece anos para viabilizar um evento cultural que faz parte da vida da população local. “Na cidade em que nasci o Banrisul ajuda a realizar a Festa da Maçã. A bancada do PMDB aqui na Câmara, diz que o governador não vai privatizar o Banrisul. Mas nós temos um presidente (Michel Temer) chantagista que diz que só vai ajudar o Estado se vender tudo. A Câmara de Vereadores tem apreço com o Banrisul. Não se trata de uma luta corporativa dos funcionários do Banrisul, mas de uma luta pela autonomia econômica do Estado”, afirmou Sofia.

Funcionária concursada do Banrisul, a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL) conseguiu aferir o nível de comprometimento da defesa do Banrisul, na Câmara de Vereadores, ao encaminhar Moção de Solidariedade “aos trabalhadores bancários e em defesa do Banrisul estatal”, à votação em sessão de 3 de abril passado. Entre os vereadores presentes, 25 votaram a favor da moção e apenas um foi contra, o vereador Felipe Camozzato (NOVO). “O Meirelles (ministro da Fazenda, Henrique) tem colocado o Banrisul para a venda. Faz sistematicamente uma chantagem. Essa é parte de uma agenda neoliberal, de negociação da dívida. Tirar o plebiscito, a possibilidade de o povo decidir,é um absurdo.”

Confira trechos das manifestações dos vereadores sobre o Banrisul

“A minha lembrança maior de infância foi meu pai trabalhar no Banrisul. Ele trabalhou por quase 40 anos no Banrisul. Uma das maiores dificuldades que tive foi convencer meu pai a se aposentar, tamanha a preocupação de um funcionário com amor pela instituição. Aprendi antes de ler a importância de não privatizar o Banrisul. É fundamental manter o Banrisul público.” Rodrigo Maroni (PR)

“Não é o momento de definirmos no Estado questões como as privatizações. Não é o momento por conta do descrédito dos políticos. Sou funcionário público da Fazenda do Estado. Diziam que a consultoria Falconi ia ajudar o Estado a superar os problemas financeiros. Mas a Falconi também esteve em Minas Gerais e hoje é um dos três estados com os problemas mais difíceis nas finanças públicas. Tem tanto funcionário capacitado na Fazenda, inclusive para propor soluções à crise financeira. Quem não conhece a importância do Banrisul público, vem e diz que tem que vender para ganhar uns bilhões. Sou natural de Doutor Ricardo, um dos menores municípios do Estado. E lá só tem um banco, o Banrisul. Qual o banco privado que iria abrir uma agência em Doutor Ricardo?” Airto Ferronato (PSB)

“Quando vamos a algum lugar (outro estado) que tem um caixa eletrônico do Banrisul, temos aporta do Rio Grande do Sul aberta. O Banrisul não é só a conta-corrente. Tem também as pessoas que fazem o Banrisul. Quero fazer uma homenagem aos funcionários do Banriusl. Este é o verdadeiro patrimônio do Banrisul.” Idenir Cecchin (PMDB)

“Quando fui deputado (estadual), apareceu um zum-zum na Assembleia (Legislativa) para vender os cartões do Banrisul. Nós nos movimentamos e não deixamos prosperar. Não queremos que vendam o Banrisul. Se vender, não tem mais volta, como diz a faixa que os funcionários seguram (referindo-se aos Banrisulenses nas galerias do Plenário).” Cassiá Carpes (PP)

“É lastimável ver um governo adotar política privatista depois de tantos anos de luta para criar uma empresa pública e mantê-la. Ocorre o mesmo com as autarquias municipais. O Banrisul, há algum tempo, vem dentro de uma certa lógica de ser usado como barganha. Não é diferente a nível nacional. A grande ferramenta é a lei do plebiscito. Duvido que, levar a venda do Banrisul para o plebiscito, a população vai autorizar. O governo (prefeitura) em Porto Alegre também tem que ter atitude para não privatizar a Carris.” Aldacir Oliboni (PT)

“Meu banco (mostra o cartão do Banrisul). Nosso banco. Tenho a convicção de que o Banrisul não será privatizado porque a maioria do povo gaúcho quer o Banrisul público. Queremos mais postos de atendimento e mais pessoas atendendo. Não somos contra a tecnologia, mas queremos pessoas atendendo os idosos no Banrisul. Nessa Câmara, tem uma ampla maioria pró-Banrisul. Na sociedade também. Vamos fazer um movimento com todos os colegas vereadores do Rio Grande do Sul em defesa do Banrisul.” Adeli Sell (PT)

Gostaria que aquela frase (referindo-se à faixa dos Banrisulenses na galeria, ‘Se vender não tem mais volta’) e que ela fosse endereçada ao governo federal. Porque já houve uma manifestação do secretário (Estadual da Fazenda), Giovani Feltes, e do governador (José Ivo Sartori), que para a recuperação das finanças, o Banrisul não está no jogo. Somos favoráveis à manutenção do Banrisul público.” André Carús (PMDB)

O Banrisul está presente em 98,5% dos municípios gaúchos. É um banco sólido e lucrativo. É quase que um sonho. Viabilizando para quem mais precisa. Quando se trata de uma ferramenta como é o Banrisul, a decisão do nosso partido e a nossa posição pessoal é pela manutenção do Banrisul público.” Márcio Bins Ely (PDT)

 

Crédito fotos: Anselmo Cunha

Fonte: Imprensa SindBancários

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