Presidente do Santander prioriza consumo em detrimento do atendimento bancário

Contraf-CUT critica declarações sobre a transformação da agência em “loja”

As declarações dadas em entrevista ao jornal Valor Econômico, nesta segunda-feira (5), pelo presidente do Santander, Mario Leão, levantaram preocupações sobre a priorização do banco como empresa de varejo, em detrimento do compromisso com o atendimento bancário de qualidade.

Luiz Carlos Cassemiro, diretor do SindBancários e funcionário do Santander, coloca que o Banco Santander opera no Brasil como uma concessão pública e que é fundamental que em qualquer mudança ou reestruturação não seja excluído ou prejudicado a prestação de serviço aos clientes. “As reestruturações que o Santander tem feito, fechando agências, reduzindo o atendimento presencial, criando plataformas para regionalizar carteiras, tirando gerentes de dentro das agências tem gerado dificuldades para os clientes e também grande preocupação para os poucos colegas que ficam tendo que atender todas as demandas. Além dos lucros exorbitantes o Santander cria empresas dentro do seu conglomerado terceirizando funcionários precarizando as relações de trabalho e retirando direitos historicamente conquistados. O judiciário já tem inclusive reparado as tentativas do Santander fraudar as relações de trabalho”, frisa Cassemiro.

Nos últimos anos o Santander tem feito mudanças radicais na essência da instituição financeira. As recentes declarações do presidente do banco no Brasil em entrevista ao Valor Econômico, Mario Leão diz: “Somos uma empresa de varejo, queremos ser a melhor empresa de consumo do Brasil. A gente tem que pensar menos como banco, como se fosse uma fábrica de produtos. Quando chamo a agência de loja, é para dar o senso de que o Santander não pode ser muito diferente de uma varejista”. “As declarações levantam dúvidas sobre a concessão pública que legitima a atuação do Santander. Até porque, o banco não está disposto a abrir mão dos privilégios concedidos, como spread bancário e isenções fiscais, ao querer operar como comércio, embora seja um banco”, pontua Cassemiro.

Para a secretária de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Rita Berlofa, a declaração do executivo é um absurdo. “Um banco de varejo que não quer atender pobre. Ao mesmo tempo que não quer atender, ele contribui com a redução de renda de seus funcionários com a política agressiva e fraudulenta, ou seja, efetua a transferência de trabalhadores bancários para outras empresas do conglomerado, reduzindo direitos e aumentando as demissões”.

A coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Wanessa Queiroz, vê como desvalorização do atendimento bancário a equiparação da agência a uma loja. “O presidente do Santander parece minimizar a importância do atendimento bancário, crucial para a confiança e satisfação dos clientes”, afirmou.

Para ela, priorizar a imagem de “melhor empresa de consumo” pode resultar na perda de foco nas necessidades específicas dos clientes bancários, comprometendo a qualidade dos serviços oferecidos. “A proposta de segmentação com especialistas responsáveis por grupos de clientes pode gerar preocupações sobre a continuidade do atendimento personalizado e acessível a todos”, avaliou.

A declaração do presidente do Santander de reorganizar o atendimento do Van Gogh com um conceito mais regionalizado levanta desconfiança sobre a acessibilidade e disponibilidade dos serviços para os clientes, porque os gerentes passariam a realizar um atendimento remoto, ou seja, não atendem mais nas agências bancárias. “Nós queremos um sistema bancário que priorize tanto a excelência varejista quanto a qualidade no atendimento, garantindo que todos os clientes tenham acesso a serviços bancários essenciais. O movimento sindical estará sempre defendendo os interesses dos trabalhadores e clientes bancários”, finalizou.

Com informações da Contraf-CUT

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