Presidente da Fundação Palmares é afastado pela Justiça da gestão de pessoas da instituição

Apoiador de Bolsonaro, Sérgio Camargo nega a existência de racismo no Brasil, mesmo sendo negro

Conhecido por ser assediador moral e negar a existência de racismo no Brasil, o presidente da Fundação Palmares, Sergio Camargo, foi afastado pela Justiça do Trabalho das funções relativas à gestão de pessoas. Ele está proibido de nomear, exonerar e transferir servidores, de contratar empresas terceirizadas e também de intimidar ou assediar servidores e ex-servidores, inclusive pelas redes sociais. A decisão é do juiz Gustavo Carvalho Chehab, da 21ª Vara do Trabalho de Brasília.

O magistrado atendeu em parte a um pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), que queria o afastamento de Camargo de seu cargo por praticar assédio moral. Em seu despacho, Chehab anotou: “Ficou claro para este juízo que o alegado abuso do 2º réu está centrado na gestão de pessoas e na possível execração pública de indivíduos”. Na visão do juíz, “se a atuação tida como abusiva do 2º réu pode ser identificada e isolada (ou afastada) em determinada atribuição”, o afastamento dele dessas funções seria suficiente, sem a necessidade de ser retirado do cargo.

Com a decisão, o diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afrobrasileira, Marcos Petrucelli, será o responsável pela gestão de pessoas na Fundação Palmares. No final de agosto, Camargo foi denunciado pelo Ministério Público por praticar assédio moral, perseguição ideológica e discriminação contra funcionários da instituição.

Jornalista de profissão, natural de São Paulo, ele sempre foi conhecido por posições retrógradas e conservadoras. No dia 10 de março de 2020, Camargo extinguiu sete órgãos colegiados (o Comitê Gestor do Parque Memorial Quilombo dos Palmares; a Comissão Permanente de Tomada de Contas Especial; o Comitê de Governança; o Comitê de Dados Abertos; a Comissão Gestora do Plano de Gestão de Logística Sustentável; a Comissão Especial de Inventário e de Desfazimento de Bens e o Comitê de Segurança da Informação) e revogou atos de nomeação dos integrantes desses comitês e comissões. Ele tamnbém atacou e desfez o acervo histórico da Fundação.

Mesmo sendo negro, o presidente da Fundação Palmares nega a existência de racismo no país, e já foi denunciado a ONU por diversas organizações anti-racistas do Brasil, que apontam  violações dos direitos humanos. A ação inédita ocorreu no final de julho deste ano. O apelo enviado foi assinado pela Coalizão Negra por Direitos, entidade que reúne 200 grupos e coletivos negros do Brasil para promover ações conjuntas de incidência política nacional e internacional.

Fonte: Rede Brasil Atual, Folha de S. Paulo, com Edição de Imprensa SindBancários. Imagem: Foto-montagem/Reprodução

 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER