Presidente da Caixa “descobre” que existe gente sobrevivendo em lixões

Em discurso no Palácio do Planalto, Pedro Guimarães confessa: "Nunca imaginei que tinha gente vivendo em lixões, no meio do chorume"

Em discurso durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, na última quinta-feira, 03/12, em comemoração ao Dia do Voluntário e Pessoa com Deficiência, o atual presidente da Caixa disse que ao visitar alguns lixões, há algumas semanas, viu algo que “nunca imaginei que existisse” – gente vivendo no local. O que o senhor Pedro Duarte Guimarães enxergou é terrível, sem dúvida. Mas é uma realidade conhecida de todos e todas que encaram a situação social brasileira de frente, e que a consideram inaceitável, devendo ser superada o mais rapidamente possível.

Na verdade, se Guimarães realmente não sabia disso, é porque parece viver – como outros ministros ou gestores de órgãos ligados ao governo de Jair Bolsonaro – em uma bolha de alienação. Neste universo paralelo protegido, o presidente da Caixa Econômica Federal age como um administrador de um banco privado, e jamais como o gestor cuidadoso, com visão social, que deveria comandar um banco responsável por políticas públicas (da moradia própria ao saneamento básico ), responsáveis até por definir quem pode morar em casa própria ou quem precisará sobreviver em baixo da ponte ou em um lixão na periferia dos grandes centros.

Vivendo no chorume

“Há três semanas visitamos alguns lixões. E o que a gente viu é algo que eu nunca tinha pensado que existisse. Pessoas morando nos lixões e vivendo no chorume”, lamentou-se Guimarães no Palácio do Planalto, durante a cerimônia do Dia do Voluntário. Lembrando que o presidente da Caixa hoje é um mais dos cotados para substituir Paulo Guedes no cargo de ministro da Economia em 2021, segundo quem acompanha a política de Brasília.

Sua reação, ainda que cause espanto, não é apenas dele, diga-se. Seu ex-colega de governo Bolsonaro, Rubem Novaes (que renunciou  em setembro último à presidência do Banco do Brasil), afirmou em palestra na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo que, em última análise, a culpa da  miséria e da exclusão é dos próprios pobres e deserdados.

“Quando uma família dá vida a crianças que serão abandonadas, está impondo um ônus à toda a sociedade que arcará, em última análise, com as consequências indesejadas de seus atos”, afirmou . Assim como Pedro Duarte Guimarães “nunca imaginou” que havia gente sobrevivendo em lixões – o que já foi mostrado até em novela da Globo – o ex-presidente do BB, chocado, sugeriu um programa de incentivo à “contenção voluntária da natalidade”.

Ao invés de investir em geração de empregos, desenvolvimento, auxílios emergenciais, programas de casa própria, educação digna para todos e formação profissional, os alienados representantes do neoliberalismo – ao enxergarem a dureza da realidade – geralmente preferem outros caminhos.

Voltando ao episódio do choque do presidente da Caixa com as pessoas sobrevivendo em lixões, é importante citar sua cuidadosa recomendação final: “Na nossa opinião, é algo que a gente não pode aceitar”.

Desmanche da Caixa

Se assim for, está mais do que na hora de cessar o desmanche da Caixa Federal. Relatórios do próprio banco  mostram que de 2014 a 2020, a Caixa perdeu mais de 17 mil trabalhadores, por meio de PDVs ou demissões. O atual PDV, lançado no início de novembro, abriu mais de 7.200 vagas para a saída de trabalhadores. Mesmo questionada pela CEE, a Caixa não respondeu se haveria reposições. A crescente falta de trabalhadores, assim como o fatiamento de setores do banco, resultam na precarização do atendimento à população, nas filas que vimos durante a pandemia e na fragilização da função social da Caixa.

Só falta que a elite que hoje domina o país e apoia os desmandos do capitão Bolsonaro, ligue os pontos para que não mais precise se espantar com a dureza da realidade. Menos auxílio, menores investimentos e reduzida participação social do governo, através dos instrumentos estatais, só pode levar a outras cenas cada vez mais chocantes, que podem ferir a sensibilidade de Guimarães e de outros banqueiros.

Fonte: Imprensa SindBancários, com informações da Revista Época, Jornal Estado de Minas e Site 247, entre outros veículos de imprensa. Foto: Wikipedia Enciclopédia Livre.

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