Porto Alegre não pode naturalizar o ódio, o racismo e a violência

A postura conservadora e negacionista do prefeito Sebastião Melo se refletiu em uma sessão da Câmara de Vereadores

Isis Garcia (*)

Mais uma vez, a postura conservadora e negacionista do prefeito Sebastião Melo (MDB) se refletiu em uma sessão da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, que ganhou manchetes em todo o Brasil.

O fato ocorreu na quarta-feira, dia 20 de outubro, durante a apreciação de um veto de Melo à exigência do passaporte vacinal em eventos com aglomeração de pessoas.

Com esse veto, o prefeito revela não dar a devida importância para que as pessoas assumam a sua responsabilidade em estarem vacinadas, a fim de que não propaguem ainda mais em nossa cidade esse vírus letal e suas variantes durante a pandemia que ainda não acabou.

Mas o fato marcante e lamentável foi a conivência dessa gestão municipal diante do racismo estrutural e institucional que ataca e violenta diuturnamente parlamentares da raça negra e consequentemente a população preta de Porto Alegre.

Na citada sessão foi permitido, sem qualquer impedimento, que um grupo antivacina vestindo roupas com as cores verde e amarela estivesse protestando nas galerias com exibição de cartazes que traziam o símbolo da suástica nazista, o que é proibido. Além disso, vários integrantes usaram palavras agressivas e racistas contra as vereadoras pretas.

A gravidade do ocorrido causa imensa indignação e revolta.

Lamentavelmente, tal veto foi acolhido pela maioria dos vereadores da base de apoio de Melo, mesmo sem qualquer eficácia diante do decreto do governo do Estado. É um sinal da sintonia do prefeito e sua base aliada com a política negacionista e genocida de Bolsonaro, que já causou a morte de mais de 600 mil brasileiras e brasileiros na pandemia.

Atos racistas e desrespeitosos aos nossos representantes políticos, eleitos democraticamente pelo voto do povo, são infelizmente frequentes no dia a dia de parlamentares comprometidos em defender os interesses da população mais desassistida e excluída da cidade.

Essas vergonhosas manifestações de negacionismo e intolerância não podem ser permitidas e devem ser combatidas, para que se evite a naturalização do ódio, do racismo e da violência.

A cidade que é berço do Fórum Social Mundial, que sonhou que “outro mundo é possível” e construiu o orçamento participativo, não pode ser tomada pelo fascismo e suas mazelas que a história da humanidade ainda não enterrou.

Por isso, mais do que repudiar essas ações truculentas e racistas, precisamos estar permanentemente vigilantes, para que essas posturas abomináveis sejam banidas da sociedade brasileira.

(*) Secretária de Combate ao Racismo da CUT-RS

Leia a íntegra do artigo publicado no portal Sul21

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